O secretário adjunto de estado de transporte da SetPu, José Marcio Guedes deu abertura a audiência - Foto: Wladimir Lopes / AGORA MT
O secretário adjunto de estado de transporte da SetPu, José Marcio Guedes deu abertura a audiência – Foto: Wladimir Lopes / AGORA MT

Realizada na noite de ontem (15) no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Campo Verde (ACICAVE) a audiência pública para tratar da concessão e duplicação da MT 251 contou com a participação de autoridades do município bem como representantes da sociedade civil organizada e membros do movimento “Pedágio Não”, de Cuiabá que assistiram a apresentação do projeto de concessão da rodovia.

O secretário adjunto de estado de transporte da SetPu, José Marcio Guedes,  fez o uso da palavra dando abertura a audiência em seguida  engenheiro responsável pelo projeto, Marcos Leandro Moreira, que apresentou os estudos de viabilidade econômica do projeto.

Conforme apresentado, há dois cenários estudados para a com concessão: a duplicação que custaria R$660 milhões e a multivia no valor de R$534 milhões. A concessão seria disponibilizada por 35 anos e a rodovia deverá contar com quatro praças de pedágio, com taxas que podem variar entre R$4,10 e R$7,50. “Esses valores são baseados no que é praticado pelo Governo”, ressaltou o engenheiro Marcos.

Ao fim da explanação, as pessoas inscritas para usar a palavra puderam usar a tribuna para fazer seus questionamentos e observações. Todos se posicionaram contra a concessão, sendo registradas algumas pessoas exaltadas no uso da palavra, entre eles o jornalista de Cuiabá José Muvuca, um dos líderes do movimento Pedágio Não, que em sua fala questionou a alegação da concessão da rodovia pelo Governo do Estado para uma empresa privada afirmando que não haveria recursos para a manutenção da mesma. “Como não tem como manter a rodovia se nós pagamos tantos impostos altíssimos? Há dinheiro para comprar salmão, para se aplicar na copa e não tem para manter as estradas. Agora será jogada ‘nas costas do cidadão’ que terá que pagar quatro pedágios até Cuiabá”, argumentou o jornalista.

Entre as falas dos presentes foram questionadas a duplicação da MT-140, prevista no projeto até o Rio das Mortes e não chegaria até Campo Verde. “A pessoa que vem até Campo Verde terá boas estradas até o Rio das Mortes e para acabar de chegar ao entroncamento da BR-070 a rodovia ficará sob a tutela do Governo do Estado. Acredito que esses quilômetros poderiam ser inclusos no projeto”, sugeriu o prefeito do município Fábio Schroeter.

Também estava presente o deputado estadual Luizinho que relatou sua contrariedade ao projeto. “Há nessa região um forte sentimento contra a criação dos pedágios. Se for preciso vamos as ruas com a população dizer que somos contra a concessão”, declara o deputado. “Mesmo que seja voto vencido quero dizer, nesse momento, que sou contra essa concessão. Não vai ser criando pedágios que irão resolver o problema. O estado tem condições de manter a 251”

Alguns produtores rurais presentes na audiência questionaram a proibição do trafego de veículos pesados na estrada parque, que não os ajudaria no escoamento da produção e também quanto ao valor da obra, que, segundo os produtores, poderiam ser reduzidos visto que asfalto de boa qualidade estão sendo feitos em estradas em meio às propriedades a um valor consideravelmente inferior ao que constante no projeto.

Uma sugestão feita por alguns dos presentes é que ao invés de ser feita a concessão, o Governo encaminhe a execução da duplicação para o 9º Batalhão de Engenharia e Construção (9º BEC),que foi responsável pela pavimentação das rodovias MT-251 e MT-140 que ligam Campo Verde a Chapada dos Guimarães.

“O Estado ainda é incapaz de fazer tudo o que é preciso e tudo o que a população merece. Não é possível comparar Mato Grosso com nenhum outro estado brasileiro”, argumentou o secretário José Marcio.

Ao fim da audiência foi entregue um documento assinado por várias autoridades do município, após reunião junto a comunidade, onde registram seu repudio ao projeto de concessão.

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