Grande parte do território brasileiro está localizada entre o Trópico de Capricórnio e a Linha do Equador, a área do planeta mais próxima ao sol. Na prática, isso significa que as pessoas que residem no país receberão os raios solares com maior intensidade. Não é de se espantar que o câncer da pele seja o tipo de tumor mais incidente na população – cerca de 25% dos cânceres diagnosticados são de pele. Além disso, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia, 62% dos brasileiros não usam protetor solar. Entre os que usam o produto, ainda de acordo com estudos da Sociedade brasileira de dermatologia, somente 25% aplica o protetor solar corretamente. Apesar de parecer fácil, aplicar o produto pode não ser uma tarefa tão simples assim. Os cuidados vão desde a escolha do tipo de protetor solar até a reaplicação. A seguir nós explicamos o passo a passo para acertar na proteção da pele.
Escolha a textura do protetor solar

Creme, gel, spray, sérum, com maquiagem e até mousse, existem diversas apresentações do protetor solar. Para saber qual é a melhor para você é preciso considerar alguns critérios. O primeiro deles é o tipo de pele. A dermatologista Érica Monteiro, do Instituto Protetores da Pele, explica que quem tem pele oleosa deve evitar as fórmulas mais gordurosas, que contêm algum tipo de óleo na composição. “O ideal para esse tipo de pele são as fórmulas em gel ou sérum”. Já quem tem pele seca ou ressecada devem evitar a fórmula em gel, que vai ressaltar o problema.

Outro ponto a ser considerado é o fator de proteção solar que a sua pele precisa. “Os filtros em creme são bastante estáveis e conseguem carregar um Fator de Proteção Solar (FPS) mais alto, acima de 50”, explica a dermatologista. “Para conseguir a textura leve característica, o sérum não deve levar muitos componentes, o que determina que seu FPS não pode ser alto, será no máximo 30”. O mesmo acontece com o gel, que é mais fluido. Uma alternativa é usar o gel-creme, um intermediário entre as duas apresentações que pode ter um fator de proteção mais alto.

“No caso do spray e do mousse, muitos ingredientes responsáveis pela durabilidade do produto na pele não passam pelas suas válvulas, responsáveis por darem forma ao jato de protetor solar”, explica a dermatologista. “Por isso, mesmo que o FPS seja alto, o produto tem que ser reaplicado com maior frequência”.

A dermatologista Érica explica que é necessário muito cuidado na hora de escolher uma maquiagem e até de produtos como o BB cream que contêm protetor solar. “É preciso lembrar que o principal objetivo deste tipo de fórmula é outro, como o de maquiar, por isso a proteção solar fica em segundo plano e pode não ser tão eficiente assim”. Nesse caso, a dermatologista recomenda utilizar um protetor solar que tenha cor de base. “Esse tipo de produto se propõe a ser um protetor solar antes de ser uma maquiagem, esse é seu objetivo principal. Esse tipo terá a proteção contra raios UVA e UVB medida em laboratório”.

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Dica: a dermatologista Érica Monteiro explica que quanto mais grossa for a textura do protetor, maior será a proteção que ele oferece à pele.
Filtro químico X Filtro físico

Por ser mais fácil de espalhar e ficar invisível sobre a pele, o filtro químico se tornou muito popular. Mas, entre os filtros em creme, existe mais uma opção que muita gente ainda não conhece: o filtro físico. Também conhecido como filtro inorgânico, este protetor feito à base de dióxido de titânio ou óxido de zinco cria uma barreira física sobre a pele, diminuindo a ação danosa do sol. Essa característica faz com que seus componentes reajam menos com a pele, reduzindo as chances de alergias e irritações. A desvantagem desse tipo de produto é que ele fica esbranquiçado na pele, no entanto, alguns protetores físicos têm cor de base, que disfarça o branco do produto. Assim como o protetor solar químico, o protetor físico pode ter uma ampla proteção contra os raios de sol. Para saber se o filtro é físico basta procurar a informação na embalagem do produto.
Escolha o FPS

O número do FPS corresponde a quantas vezes a mais sua pele está protegida contra o efeito danoso do sol em comparação com nenhuma proteção. O fator de proteção solar médio recomendado para a população brasileira é 30, mas para escolher o FPS ideal para você primeiro é preciso conhecer seu tipo de pele. Quanto mais clara, maior a proteção necessária, maior o FPS. “Caso a pessoa seja muito clara, muito sensível ao sol ou já teve câncer de pele o ideal é o FPS 60”, explica Érica Monteiro. “Já peles morenas escuras e negras, que são naturalmente protegidas contra os danos do sol, o FPS deve estar entre 15 e 20; peles morenas claras podem usar o filtro 30”.

Sempre será necessário que o filtro solar tenha proteção contra os raios UVA e UVB. Os raios UVB são há mais tempo conhecidos como causadores do câncer de pele, mas os raios UVA, por reduzirem as defesas da pele, também têm participação no aparecimento da doença. O FPS, que aparece em destaque na embalagem da maioria dos filtros, é o responsável por proteger contra os raios UVB. Para proteger contra os raios UVA essa função é do PPD (do inglês, Persistent Pigment Dark). O valor do PPD deve ser de pelo menos um terço do FPS ? assim, um FPS 30 deve ter um PPD mínimo de 10. A atual legislação que regulamenta os protetores solares mostra essa informação apenas com os sinais + (proteção UVA leve); ++ (proteção UVA moderada; +++ (proteção UVA alta). Se a informação “proteção de amplo espectro”estiver presente na embalagem há proteção UVA e UVB no filtro.
Use a quantidade certa

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A quantidade certa de protetor solar para prevenir os efeitos danosos do sol a ser aplicada na pele é de 2 mg/cm² , o que corresponde a cerca de 40 ml para um indivíduo que pese 70 Kg. Em medidas praticas, a dermatologista Érica Monteiro explica que deve ser aplicada uma colher de chá de protetor solar no rosto e no pescoço, uma colher de sopa de protetor para a parte da frente do tronco e outra para a parte de trás, uma colher de sopa para cada braço, uma colher de sopa para a parte da frente de cada perna e outra para a parte de trás de cada perna. Com essas quantidades, o ideal é que seu protetor dure no máximo três finais de semana.

“Passando a quantidade correta de protetor solar você estará protegido com o FPS indicado na embalagem, caso contrário a proteção será diminuída”, explica Érica Monteiro. “Antigamente a orientação era usar filtro solar com FPS 15, no entanto, alguns estudos mostraram que era comum que as pessoas passassem o protetor da maneira errada, diminuindo muito o FPS, por isso a orientação de valor de FPS passou a ser 30”.
Espalhe bem

O dermatologista Sérgio Schalka, coordenador do departamento de fotobiologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que cada tipo de protetor solar deve ser passado de uma forma específica. “Os cremes podem ser espalhados com movimentos circulares das mãos, já os fotoprotetores em gel devem ser aplicados em sentido único, sem fazer círculos, caso contrário o protetor solar irá esfarelar e a cobertura fica comprometida”, explica. O dermatologista explica que, ao contrário do que se pensa, o spray deve ser borrifado generosamente sobre a pele para garantir uma cobertura, mas não deve ser espalhado com as mãos em seguida. Essa atitude prejudica a cobertura e pode expor algumas áreas do corpo a queimaduras.
Como fazer a primeira aplicação

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A primeira aplicação de protetor solar é a mais importante, principalmente quando você vai para a praia ou para a piscina, pois essa é a única oportunidade de criar um filme homogêneo sobre toda a pele. A dermatologista Érica Monteiro explica que a primeira aplicação deve ser feita em casa, sem roupas, sem transpiração e com a pele limpa. O maiô ou o biquíni podem mudar de posição com a movimentação e, consequentemente, alguma área pode ficar desprotegida e sofrer queimadura. A transpiração, por sua vez, pode dificultar a aplicação uniforme do filtro. Espalhe bem o filtro e espere que ele seque antes de vestir a roupa. Érica explica que, hoje em dia, a maioria dos protetores solares apresenta proteção imediata, no entanto, o mais importante é seguir as instruções do rótulo.

Lembre-se das áreas que geralmente são esquecidas, como dorso dos pés, mãos, nuca e orelhas. “É comum o aparecimento de feridas nas orelhas de pessoas de idade mais avançada em função da exposição ao sol”, explica a dermatologista Daniela Schmidt Pimentel, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Esse tipo de lesão é chamado de queratose actínica e pode se transformar em câncer de pele.
Como fazer a reaplicação

A dermatologista Érica Monteiro explica que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é bastante rigorosa com as informações presentes no rótulo dos protetores solares, como tempo de reaplicação e tipos de radiação que o filtro protege. Mas, de forma geral, a dermatologista recomenda a reaplicação de três em três horas no dia a dia e de duas em duas horas caso você trabalhe ao ar livre, esteja transpirando excessivamente ou esteja na praia ou na piscina. Depois de entrar na piscina ou no mar, o indicado é se enxugar com a toalha e reaplicar o produto no corpo todo.
Não se esqueça dos cuidados que vão além do protetor solar

O filtro solar não é o único responsável pela proteção da pele, o uso de chapéus, roupas e de outras medidas protetoras também tem a mesma importância. Segundo o Consenso Brasileiro de Fotoproteção, divulgado em 28 de novembro de 2013, o horário de exposição ao sol deve ser anterior às nove horas da manhã e posterior às 15 horas da tarde. Ainda de acordo com o documento, a exposição intencional ao sol, como é realizada na praia e piscina, deve ser evitada e o dermatologista deve ser consultado periodicamente. Todas essas medidas juntas são eficientes na proteção da sua pele.

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