De um lado Alex, do outro DeVon Hardin. O duelo particular entre o camisa 10 do Brasília e o novo rei das enterradas do NBB começou a se desenhar longo nos primeiros minutos. Não era difícil imaginar que o vencedor do confronto abocanharia também o prêmio de jogador mais valioso do Jogo das Estrelas. Além dos quase 20 centímetros a menos que o gigante de Long Beach, na Califórnia, o “baixinho” de 1,90m da seleção brasileira contava ainda com a desvantagem de ter o torcedor cearense dividido entre torcer pelos brasileiros ou por seu representante local, uma vez que o pivô é o principal jogador do Basquete Cearense. Se de um lado o americano usava suas cravadas de tirar o fôlego para impressionar, o brasileiro abusava dos chutes de três pontos para garantir o time Brasil sempre à frente do marcador. Após quatro períodos disputados ponto a ponto e um duelo individual indefinido até o fim, Alex comandou a vitória verde-amarela por 126 a 116, e se tornou o primeiro jogador a levar o troféu de MVP pela segunda vez consecutiva.

O primeiro quarto fez jus ao nome do jogo. Num show de bolas de três – foram oito no total, quatro para cada lado – e nada menos do que sete enterradas, três só do pivô Cipolini, o time Brasil dominou o período. Com Alex e Murilo inspirados – a dupla marcou 19 pontos -, os brasileiros chegaram a abrir 19 a 8. Mas como ninguém quer saber de perder, os gringos deram o troco, reagiram e diminuíram o prejuízo para apenas dois pontinhos.

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Mas as mexidas do técnico José Neto surtiram mais efeito do que as de Gustavo de Conti. Comandados pelos jogadores do Uberlândia, Valtinho e Cipolini, o time Brasil voltou a abrir no placar e terminou o primeiro período vencendo por 36 a 30.

Como jogo era de festa, nada como homenagear um dos maiores jogadores da história recente do basquete brasileiro. Aposentado desde a temporada passada, quando se despediu das quadras vestindo a camisa do Basquete Cearense, o ala Rogério Klafke recebeu uma placa das mãos do seu ex-companheiro de Franca, Vasco e Seleção Brasileira, Demétrius Ferraciú, assistente técnico do time Brasil.

Com as equipes completamente modificadas, os brasileiros continuaram melhores no segundo período. Principalmente graças ao ala Jefferson, que anotou duas bolas de três seguidas. Do outro lado, Joe Smith também aprontava das duas e, com cinco pontos, manteve o time Mundo no jogo.

Gustavinho mandou todos quatro de seus titulares de volta para quadra ao mesmo tempo. E rapidamente a diferença caiu para três pontos. Mas Jefferson continuava com a mão calibrada, e, com mais um arremesso de três, aumentou a diferença para seis pontos a pouco menos de três minutos para o fim do primeiro tempo.

Como em todo jogo festivo há momentos engraçados, Olivinha proporcionou um. O jogador do Flamengo perdeu uma das cestas mais fáceis da vida. O ala-pivô do Flamengo recebeu um passe açucarado de Marcelinho tão sozinho, que acabou perdendo a passada na hora de enterrar e desperdiçou dois pontos certos debaixo da cesta (assista no vídeo ao lado). Ele, lógico, virou vítima das brincadeiras dos companheiros. E o clima era um pouco disso também. Mas o vacilo do maior reboteiro da história do NBB não fez tanta falta assim.

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No lance seguinte, o camisa 16 rubro-negro se redimiu em dose dupla. Além de pegar o rebote defensivo, Olivinha ainda foi ao ataque e marcou dois de seus oito pontos no quarto. Entre erros a acertos, os brasileiros foram mais eficientes que os gringos no primeiro tempo e foram para o vestiário com uma vitória parcial de 67 a 60.

No intervalo, mais homenagem. Desta vez, às campeãs mundiais de 1994, na Austrália. Aplaudidas de pé por atletas e torcedores, Hortência, Janeth, Alessandra, Roseli e Helen receberam das mãos do presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), Cássio Roque, uma placa comemorativa aos 20 anos da maior conquista do basquete feminino do país.

Talvez menos sensibilizados pela honraria às craques brasileiras, os gringos voltaram mais ligados no começo do terceiro quarto e passaram a frente pela primeira vez no jogo numa bola de três do argentino Nicolas Laprovittola. Comandados pelo novo campeão de enterradas do NBB, DeVon Hardin, que anotou oito pontos no período, quatro deles justamente na sua especialidade, os estrangeiros comandaram o placar até os três minutos finais.

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Os gringos só não contavam com a mão calibrada de Alex. Com cem por cento de aproveitamento no período, o camisa 10 de Brasília anotou nove dos seus 21 pontos no quarto nos dois minutos finais e devolveu a liderança ao time brasileiro, que foi para dez minutos finais vencendo por uma confortável vantagem de nove pontos.

O prometido jogo à vera veio no último período. Sem tantas jogadas de efeito, o duelo passou a seguir em um ritmo de jogo normal. Nove pontos atrás, os estrangeiros passaram a concentrar mais as suas jogadas em DeVon e Shamell. Mesmo sem Alex, que estava sentado no banco, os brasileiros se portavam de maneira mais concentrados.

Com dez pontos e quatro rebotes, Olivinha se destacou no período. Porém, não mais do que Fischer, que, em 05m52s em quadra, anotou seis pontos, com 100% de aproveitamento nos arremessos, e deu quatro assistências. No fim, o jogador mais valioso do jogo voltou à quadra só para dar seu Grand Finale e ser aplaudido de pé pelos cearenses, em um final de semana mágico para o estado nordestino.

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