O Diretor Executivo  da Associação dos Transportadores de Cargas (ATC), Miguel Mendes, critica a decisão do governo federal em oferecer como alternativa o agendamento do descarregamento de grãos para desafogar o porto de Santos.

“O governo tem que investir na melhoria das rodovias, dos portos e não tem que administrar filas de caminhões”. Ele demonstrou essa insatisfação ao durante uma reunião na semana passada entre representantes do Ministério dos Transportes e da Secretaria de Portos com o setor produtivo na Federação das Indústrias, em Cuiabá.

Conforme a proposta do governo, a descarga da produção de matérias-primas oriundas de Mato Grosso e demais estados produtores que utilizam o porto de Santos, em São Paulo, para despachar a outros países, seria agendada. Com uma janela de 11 horas, o motorista deve comparecer no dia previsto para descarregar a carga. Se chegar antes, tem que esperar; se passar do prazo, tem que pedir novo agendamento e esperar ainda mais.

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Para se ter uma idéia uma viagem de Sorriso a Santos, que levava dois a três dias agora pode chegar até uma semana, dependendo do dia e hora agendada,

Conforme o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Miguel Masella, o porto de Santos recebe mais caminhões do que a capacidade. Portanto, a alternativa é controlar o fluxo de carretas desde a origem, isto é, nas fazendas e nos pátios das tradings e nos postos fiscais dos estados produtores como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, que utilizam o porto paulista.

Para Miguel Mendes, as mudanças propostas prejudicam mais os empresários do ramo e os próprios caminhoneiros que podem passar mais dias na estrada. “Não aguentamos mais pagar esses passivos, os caminhões que estragam pelas estradas ruins. Pedimos ao governo que colocasse no projeto de concessão das rodovias federais a instalação de pontos de apoio para os caminhoneiros, mas o governo não achou interessante e poderia afugentar os investidores”, lamenta.

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Sem pontos de apoio o problema da falta de locais adequados para as paradas de descanso dos caminhoneiros vai permanecer, mesmo com a rodovia com pedágio. Atualmente, os motoristas pagam para dormir em postos de combustíveis ou devem abastecer para garantir um lugar no pátio.

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