O Brasil despencou no ranking dos maiores destinos de investimentos feitos por chineses no exterior.

Depois de ter sido o maior destino em 2010, foi perdendo postos e caiu para a oitava posição no ano passado, segundo um estudo elaborado pela fundação Heritage, um centro de estudos em Washington.

Entre 2005 e 2010, países como Austrália, Cazaquistão, Indonésia e o Brasil (em 2010), todos fornecedores de matérias primas, lideraram o ranking.

Mas em 2013, pela primeira vez, os EUA se tornaram o principal receptor do investimento chinês, recebendo US$ 14 bi (o Brasil recebeu pouco menos de US$ 4 bi).

O Brasil ainda é o quarto maior destino de investimentos chineses entre 2005 e 2013, mas a tendência é de perder espaço.

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Dois estudos, da Heritage e do Rhodium Group, outro centro de estudos, apontaram para essa mudança que começou em 2012, quando Canadá e EUA lideraram o ranking, respectivamente.
“A transformação que a China está passando domesticamente já se reflete em como eles andam investindo no exterior”, diz Thilo Hanemann, diretor de pesquisas do Rhodium Group.

“Há menos demanda por commodities e um apetite maior para se adquirir marcas, expertise e talentos em áreas voltadas ao consumo, aonde os empresários chineses querem aprender mais para explorar seu próprio mercado”, afirma ele.

Mais da metade dos US$ 14 bilhões que a China investiu no ano passado nos Estados Unidos foi em aquisições nos setores de alimentos e agricultura e empreendimentos imobiliários.

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Em 2012, o grupo chinês Wanda comprou por US$ 2,6 bilhões uma das maiores redes de cinema dos Estados Unidos, a AMC, com 386 cinemas.

“As grandes empresas chinesas têm um padrão claro de partir de uma região para a outra. Antes da América do Sul, estavam na África Subsaariana, e depois da América Latina, chegou a hora da América do Norte”, diz o economista Derek Scissors, autor do estudo da Heritage.

“O Brasil tem os recursos naturais que a China quer, então investimentos continuarão a ser importantes, mas dificilmente acontecerá outro salto em 2014 e 2015”, afirma o pesquisador.

O estudo coleta todos os investimentos chineses no mundo acima de US$ 100 milhões desde 2005 e acaba sendo mais fiel que as estatísticas oficiais chinesas.

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Tais dados, portanto, não costumam incluir os investimentos feitos a partir de subsidiárias em Hong Kong ou na Holanda, de onde saem boa parte dos investimentos.

Ainda assim, nos números oficiais do Ministerio do Comercio chinês (Mofcom), o Brasil já não constava nem entre os dez maiores destinos de 2012 (os números oficiais de 2013 só serão divulgados no segundo semestre).

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