Mais de 36,6 milhões de hectares das terras agricultáveis do Brasil estão cobertos com soja, milho e algodão transgênicos, um tipo de cultivo que cresceu exponencialmente nos últimos anos até que o país se tornou o segundo maior produtor mundial de alimentos geneticamente modificados.

“O objetivo da biotecnologia é acabar com a fome no mundo ao aumentar a produção”, resumiu a pesquisadora e diretora-geral do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Adriana Brondani, durante uma conferência para promover a difusão deste tipo de cultivos realizado em Maringá, no Paraná.

Na opinião de Adriana, a utilização de transgênicos também ajuda a “preservar o planeta” ao permitir que sejam utilizadas menores quantidades de produtos químicos e água, além de diminuir a erosão do solo.

Mas o caminho a ser percorrido até plantar produtos modificados geneticamente está “semeado” de testes de biossegurança estabelecidos pela legislação nacional.

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Segundo explicou Adriana, leva entre 12 e 18 meses para que um produto transgênico seja aprovado para ser cultivado.

Durante esse processo, a aprovação é submetida a debate em diferentes órgãos de segurança até chegar à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), da qual participam especialistas e responsáveis ministeriais.

Até agora, esta comissão aprovou a utilização de 58 produtos geneticamente modificados, incluindo vacinas. O debate sobre os transgênicos faz parte do trabalho diário de pesquisadores como Adriana, que acredita que essa disputa, bastante acirrada na União Europeia (UE), por exemplo, tem um caráter “político e ideológico”, porque, em sua opinião, “a sociedade é a favor”.

Ela lembrou que a UE patrocinou 130 projetos para observar o impacto dos transgênicos e em todos eles ficou provado que não existe um efeito negativo. Apesar disso, por contar com “um sistema regulador muito burocrático”, apenas dois cultivos foram autorizados até o momento na UE, um de milho e outro de batata.

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Entre os agricultores que trabalham com este tipo de cultivo no Brasil o debate está fechado. “O custo é menor e os benefícios maiores”, afirmou à Agência Efe Waldemir Dolfini, que trabalha em um projeto de agricultura familiar de cerca de mil hectares no Paraná.

Para continuar o trabalho iniciado por seus pais, há quatro anos, Dolfini, que é descendente de imigrantes italianos, começou a plantar soja transgênica resistente a pragas e a herbicidas, embora reconheça que “a princípio tinha certo medo”.

O efeito sobre as pragas foi imediato e a incidência de parasitas sobre as plantações se reduziu rapidamente na plantação tornando seu trabalho “muito mais prático”. Junto a ele, na lavoura, trabalha o técnico agrícola Robson Arrias, que garante que o número de aplicações de inseticidas nos campos com transgênicos “é bem menor, o que é melhor para a saúde do agricultor e para o meio ambiente”.

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Embora tenha preferido não falar sobre o possível efeito nos consumidores finais “porque não é um especialista no assunto”, Arrias acredita que o debate sobre estes produtos alimentícios é fomentado por grupos ambientalistas que “fazem uma tempestade em um copo d’água”.

Segundo Arrias, que, além de produzir, consume transgênicos, “aqui no Brasil os ambientalistas querem mandar, e todo mundo manda, menos os produtores”.

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