O ministro egípcio da Habitação Ibrahim Mahlab, que deixaria o cargo após a renúncia do governo interino, anunciada na segunda-feira (24), falou que foi convocado para formar o novo governo do país.

A informação foi divulgada pelo jornal estatal “Al-Ahram” em seu site na internet nesta terça-feira (25), conforme a agência Reuters.

Tecnocrata ligado ao antigo regime de Hosni Mubarak, destituído em 2011 durante uma revolta popular, Mahlab, de 60 anos, deu entrevista comunicando o anúncio logo após encontro com o presidente interino, Adly Mansour. Ele anunciou que irá imediatamente começar as consultas para decidir nomes para a composição do governo, segundo o site.

Engenheiro, ele dirigiu a empresa governamental Arab Contractors, uma das companhias de construção mais importantes do país. Foi senador sob a presidência de Hosni Mubarak, tendo sido considerado um dos “caciques” do ex-ditador.

Leia também:  Cessar-fogo avança e milhares de pessoas devem deixar fronteira entre Síria e Líbano

O anúncio do novo premiê ocorre um dia após o governo interino do Egito ter renunciado totalmente em anúncio feito pelo então premiê, Hazem el-Beblawi, na TV. Ele não esclareceu as razões da renúncia.

O governo atual havia assumido após a derrubada, em 3 de julho de 2013, do presidente islamita Mohamed Morsi pelos militares, que prometeram devolver o país à democracia.

O golpe jogou o país em uma violenta crise política, com a repressão dos islamitas aliados de Morsi em confrontos de rua que deixaram centenas de mortos.

O anúncio da renúncia foi feito no momento em que devem ser convocadas eleições presidenciais, no mais tardar para meados de abril.

Leia também:  Vazamento de gás causa explosão em prédio da Colômbia e deixa 26 pessoas feridas

O comandante do exército, o marechal Abdel Fatah al-Sisi, ministro da Defensa e vice-premiê do governo de Beblawi, não esconde a intenção de ser candidato, mas para que possa ser eleito precisa renunciar ao governo e deixar o exército ou passar à reserva. O marechal Sisi, muito popular entre os egípcios, tem boas chances de vencer a disputa.

O único candidato declarado até o momento, o líder a esquerda Hamdeen Sabbahi, afirmou à France Presse que teme um retorno a um poder autoritário, enquanto a repressão que já fez mais de 1.400 mortos, segundo a Anistia Internacional, e milhares de prisões entre os islâmicos, também tem atingido os jovens militantes progressistas.

O porta-voz do governo Hani Salah disse à AFP que a renúncia foi motivada pelo “sentido da necessidade de sangue novo” no governo.

Leia também:  Empresário opta ir nadando para o trabalho para evitar stress do trânsito
Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.