Cenas de “O Castelo”, de Rodrigo Grota
Cenas de “O Castelo” de Rodrigo Grota

Há 19 anos, o Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá volta os olhares de cineastas, produtores e artistas do cinema brasileiro para Mato Grosso. Também conhecido como Cinemato, o evento semeia por estas terras a importância do setor do audiovisual quando explorado como instrumento de cidadania e exemplo de economia criativa. “Todos estes traços são realçados pela programação que traz todas as exibições gratuitas, um seminário e as mostras paralelas que atendem escolas e grupos sem muito acesso a salas de exibição”, destaca seu idealizador, Luiz Borges.

A abertura do Festival será nesta quinta-feira (20), às 19h, no Anfiteatro do Espaço CDL e contará com a presença do homenageado desta edição, o cineasta e produtor, Zelito Vianna. Ele é também, uma das grandes expressões do Cinema Novo no Brasil, parceiro de Glauber Rocha.

A SESSÃO VAI COMEÇAR

Logo após a solenidade de abertura, têm início as exibições pela Mostra Competitiva de Curta-Metragem. Para começar, “Paraizoo”, de Amauri Tangará, trabalho que utiliza-se de uma estética artística para fazer denúncia. Na ficção, a imensidão branca dos campos de algodão das lavouras avança Cerrado adentro, devastando os limites de Chapada dos Guimarães. A falsa beleza e a iminência da morte dos seres que ali habitam são observados pelo “bicho-câmera”.

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Na sequência, o público cuiabano tem encontro com o cinema amazonense. “Anos de Luz”, de Aldemar Matias. O filme é um retrato sensível do fotógrafo Gregório Rivera, o “Goyo”, que aos 93 anos revisita a memória e imagens para contar episódios da história mundial que acompanhou de perto. Em 1958, na Sierra Maestra (Cuba), ele se apresentou ao exército rebelde de Fidel Castro, não com uma arma, mas com sua câmera.

Já o cinema paranaense traz para Cuiabá um pouco de suspense. Em “O Castelo”, de Rodrigo Grota, jovens acabam se deparando com um castelo abandonado em uma caminhada. Ao explorar o lugar o grupo se vê diante de uma série de situações macabras.

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No site www.cinemato.com.br tem a programação completa do Festival.

HOMENAGEADO

Por fim, o público reconhece na tela a origem de um dos conflitos históricos em Mato Grosso ao assistir o filme do homenageado. A partir de reportagens publicadas nos anos 60 e o livro “Os Índios e a Civilização”, de Darcy Ribeiro, Zelito construiu sua ficção em que traz à tona o massacre dos índios cinta-larga que aconteceu na antiga região de Fontanilhas, hoje, município de Juína.

O filme que promove a fusão entre assuntos políticos, denúncia e aventura rendeu-lhe prêmios pelo mundo todo, tais quais a Medalha de Prata no Festival de Moscou (1985); O Sol de Ouro por Melhor Filme do Rio Cine Festival (1985); Prêmio Air France de Cinema; – Melhor Filme Brasileiro do Ano (1985); e Melhor Filme no Festival de Tróia, em Portugal (1986).

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RETOMADA

O Festival não era realizado havia dois anos por conta de insuficiência de recursos. A retomada só ocorreu graças à Secretaria de Estado de Cultura que se mobilizou para viabilizar a nova edição.

“O 19º edição do Cinemato devolve a Mato Grosso o prazer das salas de exibição, do cinema de arte, do cinema crítico, da beleza e das agruras de realidades vistas através de outros olhares. Para a Secretaria de Cultura de Mato Grosso foi fundamental o convênio que devolve aos nossos artistas e produtores de audiovisual, o instrumento que melhor os representa: o Festival. Não queremos ficar, nem tampouco deixar que fiquem nossos produtores, na contramão da história, da cultura e da arte”, aponta a secretária de cultura, Janete Riva.

 

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