Um cenário paradisíaco, que se mistura com a história de Natal (RN), promete inspirar os jogadores na sétima etapa do Circuito Brasileiro 2013/2014, de sexta-feira a domingo. A arena será montada em um dos cartões-postais da capital potiguar, o Forte dos Reis Magos, construído no dia 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis pelo calendário católico. A fortaleza centenária demorou 30 para ser erguida e remonta ao tempo em que Portugal ainda fazia parte do reinado da Espanha. Sofreu a invasão de holandeses, com uma tropa de 800 soldados e 15 navios vindos do Recife, virou prisão política durante a Revolução Pernambucana de 1817 e foi palco de disputas entre luso-brasileiros e indígenas até Portugal retomar o seu domínio.

Mais de 400 anos depois, a imagem dos Magos Gaspar, Belquior e Baltasar na entrada do forte será ofuscada pela presença dos reis de uma outra praia. Referências nas areias, Alison, Emanuel e Ricardo vão guiar seus parceiros em busca do título no lugar que, apesar de abandonado, conserva o charme e a tradição do estado. Nas margens do rio Potengi, a fortaleza tem a Praia do Forte e a Ponte Newton Navarro como pano de fundo. O local abriga ainda o Marco de Touros, de 1501, o mais antigo monumento do país. A peça com a cruz-de-malta esculpida em mármore foi trazida por navegadores portugueses.

Até o momento, quem tem o reinado na temporada do Circuito Brasileiro é Ricardo/Márcio. Após conquistar o título da última etapa, em São Luís (MA), a dupla assumiu a liderança do ranking nacional, com 1.960 pontos. Em segundo lugar, está Alison/Emanuel (1.880), que rompeu a parceria, seguida por Hevaldo/Bruno (1.560). Apesar da posição confortável, Ricardo, conhecido como “Muralha” no Brasil e “Block Machine” (na tradução, “Máquina de Bloqueio”) no exterior, ressaltou que a responsabilidade é ainda maior, e prometeu fazer jogo duro com os rivais.

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– A responsabilidade é maior, já que, hoje, estamos na liderança do ranking, vindo de uma conquista muito importante para o nosso time, importantíssima para os nossos objetivos nesta temporada. Temos conseguido excelentes resultados. Acho que a regularidade tem sido nossa maior conquista. O objetivo em Natal é fazer um bom torneio e lutar por mais um título. Trabalhamos forte para isso. O Circuito está muito equilibrado e as mudanças de duplas fizeram o campeonato ficar ainda mais igual. Natal será ainda mais duro – contou Ricardo, dono Dono de três medalhas olímpicas, ouro em Atenas 2004, prata em Sidney 2000 e bronze em Pequim 2008.

Em meados de dezembro, um troca-troca entre as equipes mudou o panorama do Brasileiro, beneficiando Ricardo/Márcio, principalmente, pelo fim da parceria de Emanuel e Alison, que ainda ocupam a vice-liderança. Juntos, eles conquistaram a prata nos Jogos de Londres, dois títulos mundiais, 51 pódios e 349 vitórias. Enquanto o primeiro acertou com o Pedro Solberg, o outro optou por retormar a dupla com Bruno Schmidt, após oito anos de rivalidade.

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Maior vencedor da história do vôlei de praia, com 150 títulos, Emanuel acredita que encontrar a química é tão importante quando formar uma dupla. Com cinco Olimpíadas na bagagem e três medalhas olímpicas, uma de cada cor, o atleta de 40 anos destaca que o trabalho nesta temporada será fundamental para determinar o futuro da parceria.

– Estou pensando em etapa por etapa, um torneio de cada vez. Hoje, meu objetivo é Natal, é que minha parceria com o Pedro fique forte, esteja forte e seja forte. Temos mais três etapas do Circuito Brasileiro, além do Super Praia, e nossa meta é essa, chegar bem nos campeonatos. Estamos melhorando a cada dia. Uma parceria precisa de um tempo para maturação, para ter sintonia e entrosamento. Acredito muito na nossa dupla, estamos evoluindo a cada treinamento, mas precisamos ter paciência e os resultados virão. Fizemos um bom torneio de estreia, já melhoramos em alguns pontos desde lá e vamos seguir crescendo. Estamos alcançando essa química, é questão de tempo, treinando duro e com muita qualidade. Estamos muito motivados para Natal.

Para Alison, a receita para o sucesso é sinônimo de trabalho, comprometimento e dedicação. O “Mamute” de 2,03m destacou o equilíbrio na disputa na capital potiguar.

– Não existe uma receita pronta. Existe trabalho, comprometimento e dedicação. Esses seriam os ingredientes mais importantes. Sem isso, não se pode pensar em resultados. O fato de nos conhecermos bem e de já termos jogado juntos ajuda muito, mas os resultados, as conquistas e alcançar os nossos objetivos leva tempo e exige muito suor. É difícil apontar favoritos, o equilíbrio do circuito já mostrou que há muitas duplas em condições de brigar por pódio, de disputar o título. Espero que nós possamos fazer um grande torneio. Estamos no início de um trabalho e sabemos que precisamos ter paciência até que o jogo flua de maneira mais consistente e que tenhamos uma sintonia mais fina. Estamos trabalhando, ajustando e melhorando – analisou o capixaba.

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Natal volta a receber uma etapa do Circuito Brasileiro após nove anos. A última foi em 2005, com os títulos de Juliana/Larissa e Murilo/Fabinho. Campeões em São Luís, os medalhistas olímpicos Ricardo e Márcio assumiram a liderança, com 1.960 pontos, e ainda abriram boa vantagem sobre os segundos colocados, Bruno e Hevaldo, que têm 1.560. Diferença de 400 pontos, que representa a pontuação do vencedor de uma etapa. Entre as mulheres, a luta pelo título, a três etapas do fim ainda passará por João Pessoa (PB) e Maceió (AL). No topo, estão as atuais campeãs brasileiras, Ágatha e Bárbara, com 2.080 pontos. Juliana e Maria Elisa aparecem na cola, apenas 40 pontos atrás, seguidas pelas atuais campeãs do Circuito Mundial, Talita e Taiana, com 1.880. O SporTV transmite as semifinais e a decisão ao vivo.

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