O Brasil fechou a sua participação no Mundial em pista coberta de Sopot com exatamente o mesmo número de medalhas da última edição, em 2012, em Istambul. Apenas o saltador Mauro Vinicius da Silva, o Duda, subiu ao pódio, numa delegação de sete atletas. Além do ouro solitário, o país sentiu o gostinho de bater na trave duas vezes neste Mundial, já que Thiago Braz e Fabiana Murer ficaram em quarto nas suas provas, muito próximos de uma medalha de bronze.
– Gostei da minha participação, só que é ruim ser o primeiro dos últimos – disse Thiago, após a final do salto com vara masculino.

Fabiana Murer, por sua vez, teve uma reação diferente com a “quase medalha”, já que a sua marca em Sopot foi a mesma que a campeã, Yarisley Silva, de Cuba, que levou o título por ter tido menos erros.

– Fiquei contente com a marca que eu fiz. O 4,70m foi a minha melhor marca da temporada. Foi a mesma marca que a primeira colocada, mas, infelizmente tive alguns erros, que acabaram me tirando a medalha – disse Fabiana.

Duda e a classificação no sufoco

O primeiro dia de competições reservou altas doses de emoção. Cotado para uma medalha no salto em distância, Duda por muito pouco não passou da qualificação. Depois de saltar apenas 7,64m e 7,58m, o brasileiro tinha só mais uma tentativa para passar de fase. Ele precisava saltar pelo menos 8,00m. Tirando forças de onde parecia não haver, ele conseguiu um 8,02m, que o levou à final.

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– Foi uma classificação com emoção. Eu estava muito mal, porque estou sem ritmo por conta das lesões que tive. Mas nessa hora, num Mundial, tem que ir para cima. E no último salto eu me encontrei – disse Mauro.

Ainda na sexta-feira, competiram Anderson Henriques, nos 400m rasos e Keila Costa, no salto triplo. Keila conseguiu apenas 13,64m na qualificatória e encerrou ali a sua participação no Mundial. O gaúcho Anderson também não conseguiu passar no seu primeiro teste. Com um 46s82, ele ficou em quarto na bateria 3 e em 14º na classificação geral.

– É uma prova diferente do que estou acostumado. No outdoor, é cada um na sua raia. Acabei pegando uma série mais forte, com o atual campeão mundial em pista coberta (Nery Brenes) – comentou Anderson Henriques.

Consagração de Duda e briga boa no salto triplo

O segundo dia de competições em Sopot foi o mais movimentado para a delegação brasileira, que teve quatro atletas em ação nos dois turnos de provas. Pela manhã, Franciela Krasucki conseguiu passar à semifinal dos 60m rasos, com um terceiro lugar da bateria 6 da eliminatória, com um tempo de 7s25. À noite, veio o momento mais esperado da participação do Brasil neste Mundial: o ouro de Duda no salto em distância, com um 8,28m na sua última tentativa. Era o bicampeonato do saltador nascido em Presidente Prudente (SP).

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– Eu e o Tornéus, o sueco que é meu amigo, ficamos esperando. O chinês foi para uns 8,50m, mas queimou. Sabia que o potencial dele é grande, ele é muito técnico. Sabia que todos na final poderiam vencer. Passei em sétimo e venci. O Tornéus que me disse que eu ganhei, não tinha visto que o chinês queimou – disse Duda, logo após a prova.

Naquele mesmo instante, outros dois atletas brasileiros lutavam por medalha na final do salto triplo. Com uma torção no tornozelo, Augusto Dutra foi até onde aguentou e acabou ficando em sétimo, com 5,65m. Restava Thiago Braz, campeão mundial juvenil. Ele conseguiu um 5,75m, que estava lhe dando um bronze até o tcheco Jan Kudlicka saltar 5,80m e abocanhar o terceiro lugar.

– Eu estava me sentindo bem. Infelizmente não deu. Foi meu primeiro Mundial e fico feliz. Agora vou me preparar para temporada outdoor. Quero chegar no próximo ano entre os três primeiros. Tenho vontade de ser um dos três primeiros – disse Thiago.

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Fabiana Murer fica em quarto; Franciela para na semi

Neste domingo, último dia de provas, o Brasil foi representado por Franciela Krasucki, nos 60m, e Fabiana Murer, no salto com vara. A velocista não passou da semifinal, com 7s31, enquanto a saltadora ficou muito perto da medalha, mas os 4,70m saltados não foram suficientes para deixa-la no pódio, já que as três primeiras obtiveram a mesma marca, mas com menos erros. O título da prova foi para a cubana Yarisley Silva, seguida pela russa Anzhelika Sidorova e pela tcheca Jirina Svobodová.

– Foram adaptações, detalhes, como acertar a distância do sarrafo e qual vara. Cheguei bem ao Mundial. A programação foi cumprida. Vim para saltar alto. Consegui uma boa marca, era suficiente para a medalha, até para o ouro se eu tivesse acertado de primeira – comentou Fabiana.

Franciela também avaliou como positiva a sua participação em Sopot, principalmente por ter participado de uma prova com as melhores velocistas do mundo, como a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce, que ficou com o título.

– Tem de ser perfeita nos 60m rasos. Fiz o que eu podia. Tudo foi muito novo. Estou muito feliz com a minha participação aqui. Foi o meu primeiro mundial indoor e competir contra as melhores do mundo é bem complicado, mas uma experiência válida – afirmou a paulista.

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