Assim como a soja e o milho, que antes de começarem a ser plantados em Mato Grosso eram vistos com certa desconfiança sobre a viabilidade econômica, existia a dúvida quanto ao plantio do trigo no estado.

Mato Grosso atualmente é um dos maiores produtores de soja e milho do mundo. Durante audiência pública realizada nessa quinta-feira (20) em Primavera do Leste para debater a viabilidade técnica e econômica da produção de trigo, pesquisadores garantiram que o estado pode ser a médio prazo um dos maiores produtores desta cultura no país.

“Precisamos novamente, quebrar paradigmas. Antigamente, diziam que Mato Grosso não podia plantar uva e posteriormente, Primavera do Leste e outros municípios começaram a cultivar e mostraram que existia a viabilidade. Lembro bem de quando falavam que o estado não tinha condições de produzir soja e milho, hoje somos um dos maiores do mundo. Por isso, Mato Grosso pode sim, ser um dos grandes produtores de trigo do Brasil”, afirmou o deputado José Riva (PSD), que solicitou o encontro juntamente com Neldo Weirich (PR).

Diante da viabilidade, Riva incentiva o aprofundamento dos estudos pelos técnicos da Empaer e Embrapa para que em breve, o estado comece a produzir trigo e consequentemente, diminua as importações do produto. Inclusive, o novo ministro da Agricultura, Neri Gueller, que é de Mato Grosso, deve ser procurado para apoiar a iniciativa.

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O objetivo é viabilizar recursos para continuar as pesquisas sobre o trigo, de acordo com Neldo Weirich, ex-secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf), que reativou o projeto Pró-Trigo em 2008. “É uma cultura viável, o trigo está na mesa do brasileiro diariamente. Por isso, acreditamos que o estado pode ser um dos grandes produtores do Brasil e experimentos já comprovaram a viabilidade em função da extensão das áreas e irrigação favorável. A grande dificuldade sempre foram os recursos para pesquisa, mas, isso será superado agora”, argumentou.

VIABILIDADE – Durante a audiência pública, o coordenador da Câmara Técnica do Trigo e pesquisador da Empaer, Hortêncio Paro, apresentou dados que comprovam o potencial técnico para o trigo ser plantado em Mato Grosso e a sua viabilidade comercial.

“Nos últimos dez anos, consumimos mais trigo do que produzimos e Mato Grosso possui condições para o plantio, em função do solo. Experimentos já foram feitos e está comprovado que podemos plantar trigo. Será bom para o produtor que terá o seu lucro e para o estado, que vai reduzir as importações, diminuindo no preço final do produto para o consumidor, pois não teremos os custos da logística trazendo os produtos de fora”, avaliou.

Com 35 anos de experiência no estudo do trigo, Hortêncio Paro mostrou que a produção mundial de trigo atualmente é de 662 milhões de toneladas anualmente. Entre os maiores cultivadores, estão a China, Índia, Rússia e Estados Unidos.

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No Brasil, os principais produtores são o Rio Grande do Sul e o Paraná, responsáveis por 90% da safra nacional. Em 2013, foram colhidas 5,3 toneladas de trigo no país e foi necessário importar aproximadamente 2 milhões de toneladas.

“Para 70 sacas por hectare, o valor da produção é de R$ 3,5 mil, enquanto o custo da produção é de R$ 2,5 mil. Então, o retorno é de mil reais apenas nesse cenário, comprovando a viabilidade”, explicou.

O pesquisador disse que a audiência pública era a realização de um sonho. “Estou realizando o maior sonho da minha vida, pois o poder público acreditou através desse encontro que a cultura do trigo é viável”.

Secretário da Sedraf, Luiz Alécio, disse durante o encontro que será criada a Superintendência de Irrigação. “Em Mato Grosso, são seis meses de chuva e de seca. Estamos engatinhando ainda na irrigação e com os avanços, poderemos ter a terceira e até a quarta safra no Estado. Com isso, teremos benefício também na produção de trigo”.

FACTRIGO – Já tramita na Assembleia Legislativa, projeto de lei (455/2013) de autoria do deputado José Riva, que institui o Fundo de Apoio à Cultura do Trigo (FACTRIGO), com o objetivo de viabilizar a pesquisa, a produção e industrialização do trigo, a exemplo do que ocorreu com outras culturas como soja, algodão e milho.

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O fundo terá como receita principal a contribuição no valor de 0,1 (um décimo) da UPF/MT por tonelada de farinha de trigo comercializada aqui e que tenha origem fora do estado, além de doações, auxílios oriundos de convênios com instituições públicas e privadas e créditos consignados no orçamento estadual.

“Todos os estudos confirmam a viabilidade do trigo em Mato Grosso, que tem apresentado uma qualidade acima da média nacional e melhor até que o similar argentino. O plantio já é feito de forma experimental e com a criação do fundo será possível investir em pesquisa, assegurando a efetividade do trigo como nova e rentável opção, consorciada com a soja, alavancando mais um setor da economia do Estado”, explicou Xisto Bueno, assessor especial da Assembleia Legislativa.

Também participaram da audiência pública o vice-governador Chico Daltro, o deputado federal Eliene Lima, o estadual Airton Português, o suplente Luizinho Magalhães, todos do PSD, além do prefeito de Primavera do Leste, Érico Piana (DEM), o presidente da Empaer, Valdizete Nogueira, o secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf), Luiz Alécio e o presidente da Câmara Municipal de Primavera do Leste, Estaniel Pascoal (Pros).

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