Ao longo de seis meses de investigação comandada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), em Várzea Grande, a Polícia Judiciária Civil identificou que a quadrilha investigada na operação “Clone”, desarticulada nesta quinta-feira (19.03), é composta de pelo menos 29 membros, três deles comandavam de dentro de presídios de Cuiabá o esquema de roubo/furto, adulteração e clonagem de veículos roubados e furtados na região metropolitana de Mato Grosso.

De acordo com o delegado Wagner Bassi, que junto com o delegado titular da Derf, Francisco Kunze, coordenou a operação, durante as investigações 12 membros foram presos e outros 14 serão indiciados nos crimes de roubos, falsificação de documento público, adulteração de sinal identificador de veículo, quadrilha ou bando e associação ou bando. Cinco dos 14 foram presos por crimes diversos flagrados durante as busca.

Conforme os delegados, entre os envolvidos estão um servidor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e um servidor da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), que faziam todo o trabalho de pesquisa para localizar veículos com as mesmas características de carros roubados para serem clonados.

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O delegado Wagner Bassi explicou que a senha do servidores permitiam acesso a informações de taxas e dados cadastrais do Detran, que eram repassados a quadrilha.

Na operação realizada em conjunto com a Polícia Militar, por meio do Comando Regional II, foram presas cinco pessoas em flagrante, entre elas um analista da Sefaz, encontrado com um revólver calibre 38 e 1 documento de registro de veículo em branco para ser falsificado. Ele foi autuado por crime de receptação e porte ilegal de arma de fogo, cuja pena dos crimes juntos não permite aplicação de fiança na delegacia.

Em um dos pontos, na casa de um pessoa investigada, a Polícia apreendeu documentos como CRLV em branco e outros falsificados, cédulas de RG em branco, CNH falsa, além de 2 notebook, 1 computador, e 2 impressoras matriciais semelhante a usada pelo Detran, sendo uma colorida onde era impresso a chancela da assinatura do documento. Os equipamentos eram usados para adulteração e falsificação de documentos.

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O delegado disse que o resultado da operação foi positivo e agora vai trabalhar para pedir a prisão de todos os envolvidos.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou mudança no destino dos veículos subtraídos, que historicamente a maioria dos veículos roubados/furtados eram levados para países vizinhos, como o Paraguai e a Bolívia, onde eram trocados por entorpecentes, sendo este, em seguida, introduzido no Brasil alimentando assim o comércio ilícito de entorpecentes. “Todavia, as investigações apontaram que os veículos, em grande parte, são ‘clonados’ e permanecem no Brasil”, finalizou o delegado Wagner Bassi.

A Justiça não concedeu ordem de prisão para os suspeitos, mas todos serão indiciados no inquérito policial.

O esquema

O esquema funcionava da seguinte forma: o veículo é roubado ou furtado. A quadrilha entra em contato com o articulador do esquema e informa os dados do veículo roubado. Em seguida o articulador, com informações privilegiadas dentro do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), obtinha dados de veículos idênticos e com situação de regular.

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Na sequência, o articulador entrava em contato com despachantes que providenciavam documentos dos veículos, através de falsificação ou segunda via junto ao Detran. O articulador também providenciava a adulteração do chassi com criminosos especializados e encomendava placas do veículo lícito e uma vez instalado, o veículo era vendido como se fosse regular ou “finan” – quando o veículo é vendido como se tivesse apenas restrição financeira e o comprador circula livremente.

Participaram da operação 10 delegados, 30 investigadores, 4 escrivães e 60 policiais militares, sendo 10 oficiais da PM.

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