Foram três recordes mundiais batidos em apenas 13 dias, no início deste ano. Aos 23 anos de idade, a etíope Genzebe Dibaba desponta como nova rainha das provas de longa distância.

Neste domingo, ela confirmou o favoritismo ao vencer com facilidade os 3.000 rasos do Mundial em pista coberta de Sopot, na Polônia. Genzebe faz parte de uma família com grande tradição no atletismo. Suas irmãs mais velhas, Tirunesh e Ejegayehu, são medalhistas olímpicas e mundiais. A jovem também é prima de Derartu Tulu, outra campeã olímpica. Com tantos talentos na família, o caminho das pistas era inevitável. Entretanto, ele surgiu apenas após o conselho de uma professora, quando cursava o ensino fundamental.

A caçula nunca foi forçada a entrar no atletismo. Mesmo sempre acompanhando as irmãs em provas e competições, Genzebe precisou de um aviso de fora do clã Dibaba para descobrir a sua verdadeira vocação. Ao começar a destacar-se em provas escolares da sua cidade, Bekoji, ela ouviu de uma professora a frase que mudaria a sua vida:

– Por que você não passa a ser corredora que nem as suas irmãs? – indagou a educadora.
Genzebe voltou para casa pensativa. Mesmo admirando Tirunesh e Ejegayehu, ela nunca havia pensado em seguir a carreira das irmãs. A menina conversou com a família e decidiu tentar a sorte no atletismo. Para isso, procurou o técnico Seantayehu Eshetu, o mesmo que treinou suas irmãs no início de suas carreiras.

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– Na primeira conversa, ele me disse: “Seja forte como as suas irmãs e treine firme” – contou.
A partir de então, ela passou a representar Bekoji em campeonatos regionais na Etiópia. Sua primeira competição foi em 2005. Com marcas impressionantes para a idade, dois anos depois, ela já estava correndo em eventos internacionais da categoria júnior. Em 2008, com 17 anos, a atleta venceu o World Cross Country, em Mombaça, no Quênia. O título se repetiu no ano seguinte, em Edinburgo, na Escócia.

Em 2010, foi campeã mundial júnior nos 5.000m, em Moncton, Canadá. Já na categoria adulta, competiu no Mundial de Daegu, em 2011, ficando em oitavo. A consagração definitiva veio em 2012, com o título mundial em pista coberta nos 3.000m do Mundial de Istambul.

Recordes e mais recordes

No ano passado, Genzebe Dibaba esteve no Mundial de Moscou, onde disputou a prova dos 1.500m. Com o tempo de 4m05s99, ela ficou em oitavo. O melhor, porém, estaria por vir. No início deste ano, foram três recordes quebrados em sequência, o que fez o mundo passar a olhar com outros olhos para a etíope, simpática com os fãs, mas ao mesmo tempo dona de poucas palavras em entrevistas.

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Todas as marcas foram obtidas em provas em pista coberta, o que aumentou a expectativa de um novo recorde seu em Sopot, o que acabou não acontecendo. No dia 2 de fevereiro, em Karlshrue, na Alemanha, a etíope derrubou marca de 2008 da russa Yelena Soboleva, que estabelecera 3m58s28 como recorde dos 1.500m. Com um 3m55s17, Genzebe mostrou ao mundo o que estaria por vir.

Três dias depois, ela correu em Estocolmo, onde bateu o recorde dos 3.000m com o tempo de 08m16s60. O melhor tempo da prova anterior era da compatriota Mereset Defar, um 8m23s32, em 2007.

Rival de Tirunish, Mereset sofreu outro “golpe” da caçula dos Dibaba no dia 15 de fevereiro, em Birmingam, Reino Unido. A prova era um 3.200m, cujo recorde de Mereset (9m06s26) perdurava desde 2009. Como uma vitória em 09m00s48, Genzebe provou mais uma vez que ela é capaz de derrubar qualquer prognóstico. Foram marcas históricas em um curto período de 13 dias.

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Marca modesta em Sopot

Em Sopot, Genzebe cruzou a linha de chegada dos 3.000m em 08m55s04, marca bem abaixo da obtida em Estocolmo. Questionada sobre o tempo deste domingo, ela foi objetiva.

– Estou feliz pela prova. Não é todo dia que se quebra um recorde. Foi uma prova difícil, com competidoras de alto nível e uma pressão muito grande. Meu plano era me poupar um pouco nas voltas iniciais, para forçar o ritmo nas voltas finais. Deu certo estou aqui com a minha segunda medalha em um Mundial Indoor – destacou.

Mantendo os pés no chão, Genzebe Diaba ainda desconversa a respeito do seu favoritismo para o Mundial de Pequim, no ano que vem, e para as Olimpíadas do Rio, em 2016. Centrada, ela diz que é preciso caminhar passo a passo no atletismo.

– Não dá para falar em competições que estão lá na frente. Tenho muitas coisas pela frente, mas seria uma honra estar no Rio, daqui a dois anos representando a minha pátria – finalizou.

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