É fato: o brasileiro consome o dobro de sódio que deveria. A quantidade máxima recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é de dois gramas por dia. Consumimos quatro. Aparentemente inofensivo, o uso abusivo do saleiro é como uma bomba-relógio – é uma questão de tempo para explodir em um problema de saúde mais sério.

O sódio leva à retenção de líquidos que, mesmo sem causar inchaço, aumenta o volume de sangue no corpo, que pressiona as artérias e eleva a pressão arterial. Com o tempo, quem sofre é o coração. Por ser um músculo, ele pode hipertrofiar e ficar insuficiente. Além disso, a pressão arterial alta pode levar a um acidente vascular cerebral bem como à falência renal.
“Em silêncio, a hipertensão vai lesando alguns órgãos, causa problemas nas artérias coronárias (que pode levar a um infarto), nas artérias renais (que leva à insuficiência) e nas cerebrais (que conduz a um AVC). Ela pode afetar até a retina, causando cegueira”, explica o clínico geral Lucas Zambon, supervisor do pronto socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Molho de soja: 855 mg para 1 colher de sopa.
Ovinhos de amendoim: 687 mg por 45 gramas.
Sopa instantânea de cebola: 899 mg por 11 gramas da mistura (1 colher de sopa).
Sardinhas em lata: 666 mg por 4 unidades.
O mais alarmante é que, se a pessoa não estiver atenta e medir a pressão regularmente, pode demorar muito para saber que está hipertensa. “A pressão alta não gera sintoma. Essa é uma informação que muitas vezes é divulgada errada e gera lendas”, afirma o médico.
Por isso, o mais indicado, até como precaução, é reduzir o sódio. Para quem já é hipertenso, alguns alimentos devem ser colocados na “lista negra”. “O ideal é evitar alimentos em conserva, incluindo o bacalhau, carne seca, alimentos processados e congelados, incluindo enlatados e embutidos”, explica Zambon.

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