Um dos investigados está preso na Mata Grande - Foto: Arquivo / AGORA MT
Um dos investigados está preso na Mata Grande – Foto: Arquivo / AGORA MT

Quarenta e três membros da facção criminosa denominada “Comando Vermelho Mato Grosso” (CV-MT), que controla presídios no Estado de Mato Grosso, são alvos da operação “Grená”, deflagrada pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, nesta quarta-feira (30). Os criminosos são investigados em diversos crimes como o tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios, latrocínio e formação de quadrilha, cometidos de dentro do presídio com apoio de membros do lado de fora.

A operação é comandada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Diretoria de Inteligência, com apoio das inteligências da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

A operação cumpre, ao todo, 55 ordens judiciais, sendo 43 mandados de prisão preventiva e 12 buscas e apreensão. Terão mandados cumpridos 31 membros da facção que estão dentro de presídios e 12 integrantes e colaboradores do CV-MT que estão do lado de fora das cadeias, em Cuiabá e Várzea Grande. A operação ainda realiza buscas em 12 endereços de pessoas ligadas à organização criminosa.

Na operação, oito internos da Penitenciária Central do Estado, sendo sete ligados ao alto escalão da facção “Comando Vermelho de Mato Grosso” (CV-MT), e o líder de outra facção foram transferidos para um presídio federal no Estado do Rio Grande do Norte.

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Equipes policiais começaram nesta manhã a cumprir as ordens judiciais dentro das seguintes unidades prisionais: Penitenciária Central do Estado (18 membros), Centro de Ressocialização de Cuiabá (8 membros), Ana Maria do Couto May (2 membro), Cadeia Pública do Capão Grande (2), em Várzea Grande, Major Eldo Sá Correa (Mata Grande) (1), em Rondonópolis.

O  CV-MT é uma filial independente da facção Comando Vermelho do Rio de Janeiro, que na década de 90 foi uma das organizações mais poderosas do Rio e que mesmo seus líderes estando presos ou mortos ainda domina pontos de drogas em favelas e morros, onde muitos muros das ruas são pinchados com as iniciais “CV”.

A facção do CV-MT foi criada no começo de 2013 e fortalecida a partir de 1º de julho do mesmo ano. De acordo com os delegados do GCCO, Flávio Henrique Stringueta e Cleibe Aparecida de Paula, com a explosão do muro da penitenciária Central do Estado (PCE), em 20 de agosto de 2012, a Gerência de Combate ao Crime Organizado passou a investigar, com o auxílio da Diretoria de Inteligência, as ações de dentro de presídio.

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Após esse acompanhamento, a Polícia Civil conseguiu constatar pela primeira vez a existência do Comando Vermelho em Mato Grosso e decifrou toda a estrutura organizacional da quadrilha, identificando os principais líderes e membros que vêm financiando diversos crimes e mantendo controle sobre o tráfico de drogas no Estado de Mato Grosso, sobretudo, o tráfico doméstico na região metropolitana.

O CV-MT nasceu dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), idealizado pelo detento Sandro da Silva Rabelo, conhecido também por “Sandro Louco”, “Bile ou Bili”, considerado um dos organizadores da facção mato-grossense, juntamente com Renato Sigarini, conhecido por “Vermelhão”, Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus, o “Miro Louco” ou “Gentil”, e Renildo Silva Rios, conhecido por “Nego”, “Negão” ou “Liberdade”.

Os quatro pertencem ao alto escalão da facção, com altíssima liderança dentro da unidade prisional e exigem o cumprimento rigoroso do estatuto que rege os princípios da organização, principalmente no que tange o respeito entre os “irmãos”. Os criminosos possuem extensa ficha criminal e condenações que somadas ultrapassam 365 anos. Dentre os crimes cometidos estão furtos, roubos, extorsão mediante sequestro, tráfico de entorpecentes, associação criminosa, tentativas de homicídios e homicídios.

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O nome da operação “Grená” é alusivo à cor utilizada no próprio nome da facção criminosa investigada, denominada “Comando Vermelho”, ou como popularmente é conhecida “CV-MT”.

Participam da operação mais de 100 policiais civis, entre delegados, investigadores e escrivães, lotados na Diretoria de Inteligência, Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Gerência de Operações Especiais (GOE), Delegacia Especializada de Entorpecentes (DRE), Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), Delegacia do Meio Ambiente (Dema), Delegacia de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá e Delegacia de Roubos e Furtos (Derf) de Várzea Grande, Delegacia do Adolescente (Dea), Delegacia do Consumidor (Decon) e da Delegacia Fazendária.

Detalhes da investigação serão repassados às 14 horas, no auditório da sede da Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil, na Avenida Coronel Escolástico, em Cuiabá, com presença dos delegados da operação, delegado geral, Anderson Garcia, e representantes da Sesp e Sejudh.

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