O dólar acelerou a queda ante o real nesta segunda-feira (7), fechando no menor nível desde o fim de outubro passado, rompendo o patamar de R$ 2,30. A perspectiva de fluxo positivo para o Brasil, com o ingresso de recursos de captações de empresas brasileiras no exterior e para investimento em portfólio, e o cenário de menor aversão a risco sustentaram a queda do dólar.

A moeda norte-americana recuou 1,06%, cotada a R$ 2,22 na venda. É o nível mais baixo no fechamento desde 30 de outubro, quando terminou o dia a R$ 2,192.

Na mínima deste pregão, o dólar chegou a R$ 2,2125. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,4 bilhão.

É o segundo dia consecutivo em que o tombo da moeda supera 1%, levando os agentes do mercado a acreditar que o patamar de R$ 2,20 reais pode ser furado, tornando-se um aliado ainda maior no combate à inflação elevada. Mas, acrescentam, é cedo para afirmar que o dólar se firmaria neste nível, destaca a Reuters.

Leia também:  Aumenta consumo de combustíveis em MT

No ano, o dólar já acumula desvalorização de quase 6%.

Além das captações de empresas brasileiras no exterior continuarem aquecidas, o apetite maior por ativos de risco na cena externa suporta o ingresso de recursos no Brasil, destaca o Valor Online. Com uma taxa de juros de 11%, o Brasil também tem atraído capital para renda fixa, concentrado principalmente em operações de curto prazo (carry trade), que buscam ganhar com a arbitragem de juros.

Outro fator que tem influenciado no mercado local é a especulação em relação às pesquisas eleitorais. No fim de semana, a pesquisa realizada pelo Datafolha mostrou uma queda de seis pontos percentuais da presidente Dilma Rousseff (PT), para 38% das intenções de voto. Mesmo assim, esse número garantiria a reeleição da presidente no primeiro turno. A possibilidade de uma mudança na corrida eleitoral tem levado os investidores a apostar em uma troca de comando no próximo governo, o que tem contribuído para a queda do dólar e alta da bolsa.

Leia também:  Gastos de brasileiros no exterior aumentam 32,6% em setembro

As notícias vêm num momento em que os mercados financeiros mostram-se céticos em relação à condução da política econômica no país. “Daqui em diante, espere uma reação ‘más notícias são boas notícias’ dos mercados”, escreveu em relatório o chefe de pesquisa para mercados emergentes do banco Nomura, Tony Volpon.

Atuação do Banco Central

O Banco Central deu continuidade às intervenções diárias nesta segunda, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Todos os novos contratos vendidos vencem em 1º de dezembro deste ano e têm volume correspondente a US$ 198,3 milhões.

A autoridade monetária também ofertou swaps para 2 de março de 2015, mas não vendeu nenhum. Além disso, também vendeu a oferta total de até 10 mil swaps em leilão para rolagem dos contratos que vencem em 2 de maio. No total, já rolou cerca de 11% do lote total, que corresponde a US$ 8,733 bilhões.

Leia também:  PIB cresce 0,1% no 3º trimestre e chega a R$ 1,641 trilhão

“Se o BC continua vendendo dólares nesse patamar, o mercado interpreta que ele ainda está confortável com essa taxa de câmbio e abre espaço para que o mercado continue testando novos pisos”, afirmou à Reuters o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Alguns no mercado avaliam que o dólar mais barato, apesar de ajudar no combate a inflação, desagradaria o governo pois prejudica as exportações.

“Se o BC continua vendendo dólares nesse patamar, o mercado interpreta que ele ainda está confortável com essa taxa de câmbio e abre espaço para que o mercado continue testando novos pisos”, afirmou à Reuters o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.