Chegar a ser piloto de Fórmula 1 exige sacrifícios. Por exemplo, disputar a etapa de abertura do campeonato da GP2, a antessala da F1, e no mesmo fim de semana aproveitar a oportunidade rara que uma equipe da própria F1 oferece para realizar uma sessão de treino livre.

Foi por o que passou, nesta sexta-feira, o brasiliense Felipe Nasr, titular da Carlin na GP2 e piloto de testes da Williams na F1. Acompanhar sua agenda de compromissos revelou-se uma atração à parte dos eventos no circuito de Sakhir, no Bahrein, cenário também da terceira etapa do calendário da F1.

O UOL seguiu de perto o desafio de Nasr de acelerar carros distintos, reunir-se com os engenheiros das duas competições e ainda cuidar da preparação física e psicológica. Todos os horários são os de Bahrein, seis horas adiante em relação a Brasília.

A atribulada agenda de Felipe Nasr

7h30
Nasr desperta e realiza 20 minutos de atividades com bicicleta do hotel onde está hospedado em Manama, capital de Bahrein. “É para dar aquela acordada e avisar o corpo o que o aguarda durante o dia”, diz o piloto de 21 anos.

8h30
Café da manhã reforçado. Horário livre para a primeira refeição iria demorar bastante para surgir. “Pelas minhas contas não seria antes das 16h.”

9h30
Piloto chega ao circuito, localizado no deserto de Sakhir, 30 km ao sul de Manama. De imediato entra em reunião com seu engenheiro e outros técnicos a fim de decidir o que fazer no carro da Carlin para o início do treino livre da GP2, às 12h.

Leia também:  Futebol em luto: morre Gilson Lira

12h
Início do treino livre da GP2, de 45 minutos de duração. Nasr registra 1min42s707, 16º lugar. “A organização da GP2 distribuiu aos times um novo disco de freio e tivemos alguma dificuldade para acertá-lo”, explica. “E na melhor volta do pneu errei na freada da curva 11, perdendo algum tempo.” O primeiro é o neozelandês Mitch Evans, da Russian Time, com 1min42s062, 0s645 melhor que Nasr.

12h45
Deixa o carro e corre para os boxes da Williams, a 300 metros dali. “Me reuni com Jonathan Eddolls, engenheiro do Bottas.” O objetivo é preparar o carro, o mesmo de Bottas, para o treino. Discute com Eddolls e outros técnicos como começar o treino, come uma salada de frutas, toma um iogurte e muita água. Troca o uniforme; sapatilha e macacão, dos patrocinadores da Williams, são distintos.

14h
Deixa os boxes quase ao mesmo tempo do sinal verde liberando a entrada dos carros na pista. Dá uma única volta para os técnicos verificarem se todos os sistemas do carro estão funcionando, a chamada “installation lap”.
O comportamento dos carros da GP2 e da F1 é bastante distinto. “Você tem de dizer para sua cabeça para esquecer tudo o que fez até entrar no cockpit do F1. E como fazia dois meses que testei pela primeira vez o carro da Williams, nesta pista mesmo, já esperava estranhar o FW36-Mercedes no começo. Foi o que aconteceu.”

Leia também:  Luverdense fica no empate com o Paraná

Nasr dá mais detalhes: “A velocidade do F1 é maior, na reta, nas curvas, os freios são muito eficientes, o motor tem bem mais potência (750 cv contra 620 na GP2), interagimos bem mais com os comandos no volante, o comportamento dos pneus também é outro; enfim, o desafio é outro.” Melhor tempo da F1 nos 5.412 metros: 1min34s325, à média de 206,5 km/h, de Lewis Hamilton, da Mercedes.

Já o tempo da pole position da GP2, de hoje também, foi 1min38s865, média de 197,0 km/h, obtida pelo inglês Jolyon Palmer, da DAMS. Ou seja, a F1 foi somente 4 segundos e 540 milésimos mais rápida que a GP2. É certo que amanhã, na classificação da F1, essa diferença crescerá.

Havia limitações para o treino de Nasr, conforme ficou comprovado nas 9 voltas completadas, apenas, por Bottas, com o mesmo carro, na segunda sessão livre, à noite. O regulamento da F1 impõe o limite de 5 motores por piloto por temporada. E a unidade do V-6 turbo Mercedes no carro de Bottas provavelmente está com elevada milhagem já.

Mas ainda foi possível a Nasr dar 14 voltas no total, simular uma largada e aprender como interagir com tantos recursos disponibilizados. Na melhor passagem marcou 1min40s078, ou 2,5 segundos mais lento que Hamilton e a meio segundo de Felipe Massa, com a outra Williams, 11º. “Segunda-feira estive na sede da equipe para sessões no simulador”, explica o piloto, que foi o 13º.

Leia também:  Luverdense deixa a zona de rebaixamento

15h30
No fim do treino livre da F1 Nasr entra em reunião com os técnicos da Williams, a fim de entender como explicar aquele resultado e melhorar o carro para a sessão seguinte, à noite, quando Bottas o assumiria. “Dei algumas entrevistas logo em seguida também”, lembra o piloto.

16h
Almoço.

18h
Segunda reunião preparatória para a classificação da GP2.

20h
Definição do grid da GP2.

20h30
Fim da classificação. Nasr obtém o nono tempo, a 436 milésimos do pole position, Palmer. O outro brasileiro na GP2, o estreante André Negrão, da Arden, fica em 14º, a 782 milésimos da pole. A largada da primeira corrida, amanhã, será às 8h10, de Brasília.

21h
Reunião com a equipe Carlin para estudar o desempenho na definição do grid e já começar a trabalhar o carro para as 32 voltas da primeira corrida.

22h
Fim da reunião na Carlin. “Hora de regressar ao hotel, descansar e me preparar para a corrida, amanhã”, diz. Cansado? “Claro que essas atividades todas te desgastam, mas é para isso que aqui estamos. Você tem é de aproveitar e bem as oportunidades.” No seu terceiro ano na GP2, Nasr sabe que o meio automobilístico exige resultados para pensar em se tornar piloto titular da F1 em 2015.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.