Realizadores, como Grota e Gerais, querem rodar um filme em Mato Grosso – Foto da assessoria
Realizadores, como Grota e Gerais, querem rodar um filme em Mato Grosso – Foto da assessoria

Rodrigo Grota é um nome conhecido do novo cinema brasileiro. Nos últimos anos, Grota, que realiza curtas e médias metragens no polo cinematográfico de Londrina, acumulou alguns dos principais prêmios da sétima arte, incluindo kikitos no Festival de Gramado. A cada ano, um novo desafio surge na vida deste jornalista que optou em contar suas histórias através da imagem e do cinema-poesia. Após uma série de oficinas ministradas em cidades paulistas e paranaenses, o olhar do cineasta recai para o Centro Oeste brasileiro, mais especificamente, Mato Grosso.

“Uma das coisas mais fascinantes no cinema é o poder que uma paisagem tem de representar um sentimento. Nesse sentido, o Mato Grosso ainda é um cenário consideravelmente novo, repleto de rostos, histórias, sons, imagens que podem gerar muitos e muitos filmes. A nossa intenção, ao promover uma oficina de realização em cinema em Cuiabá, é propiciar uma primeira aproximação a esse universo e tentar encontrar em Mato Grosso pessoas dispostas a ingressar nessa aventura contínua que é fazer um filme”, sintetiza.

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A base de todo este projeto já está praticamente definida: Grota pretende transformar em filme um romance do escritor Romulo Nétto, mineiro radicado em Cuiabá. A obra ‘Sertão de Sangue’, publicada em 2013 pela Editora Carlini & Caniato (de Cuiabá), livro considerado um verdadeiro faroeste sertanejo, já vem sendo estudado por Grota e a equipe técnica que integra o projeto [Guilherme Gerais, especializado em fotografia e projetos gráficos, e Bruno Bergamo, técnico em som e produtor]. “A ideia inicial é, ao final da oficina, termos o curtametragem inspirado na obra de Romulo Nétto, porém, nossa intenção é transformar ‘Sertão de Sangue’ em longametragem, num segundo momento”, avisa.

FAROESTE SERTANEJO

“Não imaginava escrever um romance neste estilo [o faroeste sertanejo]. Tudo começou com ‘Buritis’. É o primeiro da série, e a bem da verdade, foi escrito como dois volumes. Depois de pronto, achei melhor juntá-los num só. A segunda parte, nada mais é do que a continuação da primeira”, explica o romancista Romulo Nétto. O autor ressalta que ‘Sertão de Sangue’, embora tenha sido o primeiro a ser publicado, é o segundo da série de faroeste sertanejo. Na trama, o personagem principal é obrigado a matar 13 pessoas a mando de um coronel. A trama é ágil, tem velocidade, e o leitor encontra um Romulo Nétto mais apurado, com trechos sólidos e muito bem compostos. A cada parágrafo o leitor se depara com uma passagem marcante, lembrando muito o estilo próprio de Guimarães Rosa em ‘Grande Sertão: Veredas’. Aliás, Guimarães é um dos autores que mais influencia a vereda literária de Romulo Nétto, que já lançou mais de 10 livros nos últimos cinco anos. Outra influência de Nétto para a composição de ‘Sertão de Sangue’ foi a cena em ‘Vidas Secas’, de Graciliano Ramos, onde o personagem Fabiano acaba subjugado pelo soldado amarelo. “A cena de Fabiano sendo subjugado pelo soldado amarelo marcou-me profundamente, tanto que ‘Vidas Secas’ é um dos meus romances preferidos. O livro não é bem o gênero do faroeste sertanejo, apenas este pedaço da obra de Graciliano Ramos me remeteu a ele”, contextualiza.

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Inspirações de grandes obras cinematográficas também estão influenciando a equipe técnica do filme baseado em ‘Sertão de Sangue’. Grota revelou que em abril irá ministrar um ciclo de westerns com oito longas dirigidos por John Ford, o maior diretor do gênero de todos os tempos e que revelou o astro John Wayne. “Será um estudo para o nosso filme em Cuiabá”, conclui.

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