Atual número três no ranking da divisão feminina peso-galo do UFC, Miesha Tate espera retomar neste sábado o caminho das vitórias. Com duelo marcado contra Liz Carmouche, pelo “UFC: Werdum x Browne”, que acontece em Orlando, na Flórida, EUA, a lutadora não vence desde seu último duelo pelo Strikeforce, em agosto de 2012. É claro que, nesse meio tempo, ela foi treinadora do TUF 18, fazendo crescer ainda mais a inimizade e a rivalidade com Ronda Rousey. Mas “Cupcake” se diz pronta para seguir em frente e pretende esquecer, pelo menos por enquanto, a relação com a atual campeã:

– Eu odeio ficar sentada sobre derrotas, isso me deixa maluca. Se eu tivesse que tirar férias, eu queria que fosse porque eu mereço, de preferência vindo de uma vitória. Eu não quero ficar com aquela derrota contra a Ronda em mente, então eu pedi para voltar a lutar o mais rápido possível e para eles me darem alguém de credibilidade, assim, quando eu vencer, eu volto a brigar para chegar mais perto do título. Eu estou aliviada de poder enfrentar a Liz, porque não há aquele drama todo. Eu me dou bem com a Liz, com o time dela, ela é uma atleta com respeito pelos demais competidores, é bom não ter que focar em drama – disse ao Combate.com.

Aos 27 anos, Miesha sabe que terá que começar praticamente do zero a sua escalada rumo ao título da divisão e tem o objetivo de vencer lutadoras mais conhecidas do público para facilitar essa escalada. Nesse contexto, sobrou até para a brasileira Jéssica “Bate-Estaca”, apontada pela musa como desconhecida:

– Eu tive que fechar a porta desse capítulo Ronda por enquanto e focar em seguir em frente. Liz é uma excelente luta de retorno para mim, primeiro porque ela está no top 10, e eu queria alguém que fosse legítima e que as pessoas reconhecessem como tal. Uma vitória sobre alguém como ela conta muito mais do que vencer alguém que está chegando, como a Jéssica Andrade. Nada contra ela, mas Jéssica não é tão conhecida como a Liz. A Carmoche é uma lutadora mais consagrada, então eu estou muito empolgada para essa luta. Fora que ela também tem uma base grande de fãs. Nós temos as nossas diferenças, até mesmo entre os nossos fãs, e isso é muito bom. Ela é muito amigável, sociável e é uma lutadora empolgante. Para mim, como um todo, é bom para a promoção da luta e para o duelo em si, pois eu acho que nós faremos uma luta muito interessante para os fãs.

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Tate ainda falou sobre planos para o futuro, uma possível trilogia com Ronda e, é claro, sobre as polêmicas envolvendo ela e a campeã peso-galo do UFC. Confira o restante do bate-papo com a musa, dividido por tópicos:

Duelo contra Liz Carmouche

“Eu me sinto muito relaxada indo para essa luta e eu, sinceramente, acredito que ela possa acontecer de várias maneiras. Eu acho que a Liz é uma garota muito dura e eu não espero que esse duelo seja fácil. Eu ficaria muito surpresa se eu conseguir a vitória no primeiro round. Eu adoraria fazer isso, vou fazer tudo o que puder para conseguir, mas eu não espero que isso aconteça, pois eu já a vi lutando, e a Liz tem um coração de guerreira e eu tenho certeza de que ela está faminta pela vitória a essa altura. Então, eu acho que vai durar alguns rounds e que vai ser uma luta bem competitiva, vai ser uma guerra e eu espero que nós façamos a luta da noite”.

“Eu estou empolgada para essa luta por causa do estilo da Liz, vamos ser duas lutadoras caindo para a luta e isso por si só já é empolgante. Contanto que seja uma boa luta, eu não vou colocar nenhuma limitação sobre mim dessa vez. Eu acho que tenho um wrestling um pouco melhor do que o dela e não tenho medo de trocar, sinto que ela vai preferir ficar em uma área só, provavelmente deve querer manter a luta em pé, talvez não, mas eu me sinto confortável em qualquer lugar. Eu só estou animada de voltar a lutar”.

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Pressão extra para vencer Ronda

“Eu não sinto como se tivesse colocado toda a pressão em cima de mim, foi uma combinação da pressão de todo o mundo (risos). Todo mundo, menos a mãe da Ronda, queria que eu tivesse vencido aquela luta e, com esse peso extra nos meus ombros, isso se tornou mais estressante para mim, pois eu não desapontei apenas a mim mesma, todo mundo ficou tão triste que eu perdi e aquilo doeu muito mais. Quando os seus amigos, família e os seus fãs se envolvem tanto com a sua luta, isso definitivamente adiciona uma pressão extra. Isso é diferente de se lidar”.

O que aprendeu com o segundo duelo contra Ronda Rousey

“É frustrante e eu acho que eu posso fazer melhor. Eu aprendi algumas coisas também…eu não sabia que estava indo tão bem na trocação e parte daquilo foi que eu meio que perdi a minha consciência na luta. Você se envolve tanto emocionalmente, e eu estava dando o meu melhor para suprimir isso, mas é algo duro de fazer e aí quando você consegue, você quase se sente plana. Então é aquele equilíbrio. Da primeira vez que a enfrentei, eu acho que estava tão envolvida emocionalmente, que eu estava fora de controle. Da segunda vez, eu estava usando toda a minha energia para suprimir qualquer emoção, então me senti vazia. A questão é entender isso e eu achei que tinha conseguido, mas obviamente eu não venci. É um aprendizado. Se eu conseguir uma sequência sólida de vitórias sobre pessoas de credibilidade e Ronda ainda for a campeã, talvez a gente possa se enfrentar de novo um dia. Acho que podemos nos enfrentar quantas vezes forem necessárias, se ela permitir”

“Eu assisti aquela luta algumas vezes, mas não assisti recentemente. Para mim eu fui ok, não fiquei feliz, claro, mas eu tento ser o mais otimista possível em qualquer situação e eu tentei tirar como algo positivo. Eu me sai melhor em pé do que eu achei, muitas defesas de chave de braço funcionaram por quatro ou cinco vezes, achei que me saí melhor do que quando a enfrentei pela primeira vez, cheguei até o terceiro round. Porém, eu não fiz o que eu queria fazer, então é frustrante. Mas eu tenho que, obviamente, lhe dar os créditos. Ronda foi para as Olimpíadas por uma razão, ela tem uma habilidade muito boa”.

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Caminho para vencer Ronda

“Eu não queria fugir, mas não queria um combate típico de luta agarrada. Eu queria derrubá-la e consegui quedá-la uma vez, mas ainda assim, ela treina judô desde que tinha cinco anos de idade, eu comecei a treinar wrestling quando tinha 15 anos, ela é melhor do que eu nessa parte e eu aceito isso. Porém, ainda acho que há outros caminhos, se eu tivesse sido mais clara e cautelosa eu poderia ter explorado esse caminho e vencido a luta, mas é difícil quando você tem essa mentalidade de ir lá e apenas lutar e é por isso que Georges St-Pierre é um dos meus lutadores favoritos, porque ele consegue executar uma estratégia de forma perfeita, sendo empolgante ou não, ele faz isso de forma excepcional todas as vezes. Como ele faz isso? É algo muito difícil para mim. Quando eu entro para lutar eu só quero arrancar a cabeça de alguém (risos)”.

Algum dia vocês deixarão de ser rivais?

“Provavelmente não. Eu dei a oportunidade a ela de passar por cima disso, mas ela não quis apertar a minha mão e eu estou completamente ok com isso, eu não queria ser amiga dela de forma alguma (risos). Mas eu estendi a minha mão para cumprimentá-la e, ali, basicamente significava: você venceu esta noite, parabéns, eu te respeito”. E ela nem quis me devolver o respeito mútuo entre dois lutadores. Então, não foi nada pessoal naquele momento. Foi um símbolo de respeito”.

O “UFC: Werdum x Browne” será realizado em Orlando (EUA), neste sábado. O canal Combate fará a transmissão ao vivo do evento, a partir das 16h20 (de Brasília), e o Combate.com acompanha tudo em Tempo Real. A pesagem ocorre na sexta-feira, com transmissão do canal Combate e do Combate.com a partir das 17h.

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