Com o início da safra 2014/2015, todas as usinas sucroalcooleiras de Mato Grosso já podem gerar energia elétrica a partir da biomassa (queima do bagaço da cana-de-açúcar). Porém, apenas duas comercializam a produção excedente, de acordo com o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindálcool/MT). “Nós temos capacidade de colocar em funcionamento em um ano. Se essa política pública fosse definida, uma Itaipu estaria à disposição do mercado no Centro-Sul, ou seja, onde está o consumo e sem qualquer impacto ambiental, e melhor, usando um produto (bagaço de cana) que deixa de impactar o meio ambiente”, avalia o diretor-executivo da entidade, Jorge dos Santos.

Uma usina de Barra do Bugres tem capacidade para abastecer toda a cidade e  o mesmo poderia ocorrer em outros municípios, onde outras indústrias estão instaladas como Nova Olímpia, Cáceres e Jaciara. No entanto, conforme Santos, a baixa remuneração pela energia de biomassa “afugenta” os empresários. “Alguém colocou na cabeça que a energia de biomassa tem que ser mais barata que a eólica, por exemplo. O que não se considerou é que a eólica está no Nordeste ou no Rio Grande do Sul e o consumo está no Centro-Sul (São Paulo, Minas Gerais). Então, o custo da transmissão, mais as perdas que existem nessas grandes linhas de transmissão, acaba sendo maior que a energia de biomassa, se ela estivesse sendo fornecida aqui do lado”.

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Este assunto foi debatido por entidades públicas e privadas durante audiência pública sobre a crise no sistema energético brasileiro e as consequências para o desenvolvimento nacional. Convidado pela Comissão de Energia da Câmara dos Deputados, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, pediu calma à população, dizendo que o Brasil enfrenta a pior estiagem da história, muito pior que aquela enfrentada em 2001. Porém, conforme o presidente da EPE, “é uma questão que merece atenção, mas que não merece desespero”. Isso porque a situação estrutural, de oferta e demanda, está diferente daquele ano. Segundo ele, a capacidade de geração de energia cresceu 43% acima do aumento de consumo no mesmo período.

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“O Tolmasquim tentou nos “tranquilizar”. Informou que em 2019 vai ter um novo modelo. Até lá nós estamos perdendo uma usina por semana, que deixa de entrar em operação porque não compensa produzir no Brasil, nem energia, nem etanol”, avalia Santos, que participou da audiência.

Safra – Esta semana 3 usinas iniciaram a moagem da cana no Estado. De acordo com Jorge dos Santos, até o fim de abril, praticamente, todas estarão operando. A única exceção é a usina Pantanal, que passou por um processo de recuperação judicial e foi vendida. A unidade está pronta, com a cana para ser colhida, com previsão de moer em maio.

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