A Autoridade Palestina e o movimento islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, obtiveram progressos em sua reconciliação, no momento em que as negociações de paz com Israel estão bloqueadas e o prazo previsto para alcançar um acordo está prestes a expirar.

Na madrugada desta quarta-feira (23), se obteve um compromisso interno durante a reunião na Faixa de Gaza entre a delegação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e dirigentes do Hamas para a formação de um governo de união nacional no prazo de cinco semanas, informou um destacado dirigente do grupo que governa a Faixa de Gaza.
A delegação da Autoridade Palestina é liderada por Azam al-Ahmad, um dirigente do Fatah, movimento nacionalista do presidente palestino, Mahmud Abbas, e que governa as zonas autônomas de Cisjordânia.

As negociações envolvem ainda o chefe de governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, e o número dois do movimento islâmico, Musa Abu Marzuq, que chegou na segunda do Cairo para participar do encontro.

O alto responsável do Hamas, Halil al Haya, disse aos meios de comunicação em Gaza que representantes de ambas as facções resolveram, após uma reunião realizada durante a madrugada, formar um governo de união nacional, que deverá ser apresentado em 1º de junho.

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No encontro realizado no domicílio de Ismail Haniyeh, que foi classificado como “positivo”, foi acertado colocar em prática um mecanismo para implementar os acordos assinados no Cairo em 2011 e no Catar em 2012, que tinham o objetivo de alcançar a reconciliação.

Haya explicou que o Executivo de unidade terá duração de seis semanas e deverá preparar a realização de eleições gerais, previstas para janeiro de 2015.

As reuniões a portas fechadas devem prosseguir até o final de semana.

“Peço que todos trabalhemos pela reconciliação palestina para conseguirmos criar um governo único, um sistema político único e um programa nacional único”, pediu Haniyeh, que recebeu os delegados da OLP em sua casa.

O chefe da delegação, Azam al-Ahmad, se disse “feliz de chegar ao momento de acabar com a divisão”.

O Fatah, principal partido da OLP, e o Hamas assinaram um acordo de reconciliação para acabar com a divisão entre Cisjordânia e Gaza em 2011, mas a maioria das cláusulas nunca foram aplicadas.

A fratura entre Fatah e Hamas se remonta a 2007, quando após meses de desencontros e atos violentos, os islamitas assumiram o controle da Faixa de Gaza após enfrentar as forças leais ao presidente palestino, Mahmoud Abbas.

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Desde então, o Hamas governa em Gaza e um Executivo leal à Abbas e à Autoridade Nacional Palestina (ANP) controla a Cisjordânia.

Apesar de ambas as partes terem feitos movimentos para pôr fim à divisão, todos fracassaram.

No final de março, Abbas ordenou que se redobrassem os esforços neste sentido, que em algumas ocasiões anteriores foram bloqueados pela negativa do Hamas de um dirigente ligado ao Fatah ou ao presidente da ANP dirigir o futuro gabinete de transição.

O Hamas se opõe categoricamente às atuais negociações da Autoridade Palestina com Israel.

No entanto, estas negociações estão completamente bloqueadas desde que Israel se negou a libertar, no dia 29 de março, segundo o previsto, um último contingente de prisioneiros e exigiu uma prolongação das negociações de paz para além de 29 de abril, a data limite decidida inicialmente.

Os Estados Unidos tentam fazer com que as duas partes alcancem um acordo que permita prolongar as negociações, mas até o momento isso não ocorreu.

Neste contexto, líderes palestinos indicaram nesta terça-feira que não têm a intenção de dissolver a Autoridade Palestina.

“Nenhum palestino fala de uma iniciativa de desmantelar a Autoridade Palestina”, afirmou nesta terça-feira à AFP o chefe dos negociadores da Autoridade com Israel, Saeb Erakat.

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“Mas as iniciativas israelenses anularam o alcance legal, político, de segurança, econômico e operacional das prerrogativas da Autoridade Palestina”, acrescentou.

A equipe de negociadores havia informado na semana passada ao mediador americano, Martin Indyk, que os palestinos poderiam decidir desmantelar o governo dirigido por Abbas para fazer com que recaísse sobre Israel a responsabilidade pela gestão do território como potência ocupante.

Os Estados Unidos advertiram na segunda-feira que este tipo de medida extrema teria graves consequências.

Esta foi a primeira vez em que foi levantada a ameaça de dissolver a Autoridade desde a retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos sob os auspícios do secretário americano de Estado, John Kerry, em julho.

Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, minimizou a importância das ameaças de dissolução da Autoridade Palestina caso o processo de paz fracasse.

“A Autoridade Palestina, que ameaçava ontem se dissolver, fala hoje de reunificação com o Hamas. Devem decidir se querem se dissolver ou se reunificar com o Hamas, e quando quiserem a paz nos digam”, declarou Netanyahu na noite de segunda-feira em um discurso por ocasião do fim da Páscoa judaica.

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