As pessoas estão acostumadas a escutarem e seguirem dietas milagrosas que prometem a perda de peso rapidamente. A todo o momento surgem novas dietas como: dieta da sopa, do suco, do abacaxi, do limão, da lua, da bruxa, do tipo sanguíneo, de Jesus, do shake, do Dr. Atkins, de South Beach, de Beverly Hills, de Ducan, da USP que diga de passagem não saiu da USP.
Segundo a professora de Nutrição Patricia Ceolin Grassi, da disciplina Avaliação Nutricional, estas dietas são muitos divulgadas na mídia e amplamente seguidas nas redes sociais. Portanto, são dietas restritivas de calorias, onde privam as pessoas de ingerirem nutrientes fundamentais ao organismo e o resultado pode causar algumas doenças como a osteoporose, fragilidade imunológica, anemia e doenças cardíacas.
Patrícia informa que essas dietas podem representar um incentivo para a pessoa começar a perder peso, porém ninguém aguenta isso por muito tempo. “Estudos científicos relatam que a taxa de abandono destas dietas chegam a 100%, por isso muitas pessoas voltam a engordar depois que param de seguir os cardápios. Para reverter o processo de ter engordado novamente, começam outra dieta para voltar a perder peso. É o que chamamos de efeito sanfona, aonde vai acumulando danos ao organismo com o passar do tempo”, destaca.
A eliminação de peso rápida prometida por esse tipo de dieta, não representa necessariamente uma redução de gordura corporal, uma vez que com as alterações na alimentação a perda de água e massa muscular é uma consequência. Outro fator importante é que durante o período em que as dietas são adotadas, seus seguidores podem apresentar desde fraqueza, tonturas, dores de cabeça, cansaço, mau-humor, indisposição, dificuldade de concentração até prejuízos na função cognitiva e desmaios. Sintomas estes característicos da hipoglicemia (redução nos níveis de açúcar no sangue), ocasionada entre outros fatores pela baixa ingestão de carboidratos, principal fonte de energia do organismo, presentes em pães, biscoitos, macarrão, cereais, bolos, entre outros.
Patricia ressalta que dietas restritivas estimulam também a limitação do consumo de outros grupos de alimentos essenciais ao organismo como leguminosas, leite e derivados, carnes e ovos. “Restringir o consumo destes alimentos de forma drástica como defendido pelos criadores das dietas, podem deixar essas pessoas expostas ao risco de carências nutricionais importantes, em especial no que diz respeito ao consumo de proteínas e minerais como ferro, cálcio e zinco, todos fundamentais para o adequado funcionamento do organismo”.
Se estes seguidores mantêm fora do cardápio, por exemplo, os leites e derivados, por um longo período, podem contribuir com o aumento das chances de desenvolvimento da osteoporose. Já a restrição de leguminosas e carnes pode afetar o fornecimento de proteínas ao corpo, bem com comprometer a adequada ingestão de ferro, nutriente essencial para o transporte de oxigênio, encontrado em grãos como o feijão, ervilha, lentilha e em altas concentrações nas carnes.
Outro exemplo de prejuízo à saúde é o impacto da restrição do consumo de óleos e gorduras, sobretudo quando contemplam a exclusão de óleos vegetais, castanhas e nozes. Esses alimentos são ricos em gorduras benéficas ao corpo que participam da formação dos neurônios e ainda ajudam na prevenção de doenças cardiovasculares. A retirada radical de todas as gorduras pode interferir na formação de hormônios e nas vitaminas lipossolúveis, como a vitamina K, importante para a coagulação do sangue.
Patricia diz que a monotonia e falta de opções do cardápio proposto pelas dietas da moda representam um obstáculo que normalmente compromete a adesão à dieta. “Por existir restrições e obrigação de mudar os hábitos alimentares, é realmente muito difícil de seguir esse tipo de dieta. Por isso, antes de se aventurar em uma nova dieta da moda, pare e pense: Estou disposto a levar uma vida de restrições alimentares? Ao buscar o emagrecimento é preciso antes de tudo, promover mudanças no hábito e comportamento alimentar, como sempre propomos na reeducação. E se puder contar com o apoio profissional, essa tarefa será ainda mais fácil de cumprir, sem falar que será possível avaliar se está eliminando peso da maneira correta, sem comprometer a saúde”, finalizou.

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