O deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) destacou na Câmara o investimento de cerca de R$2,5 bilhões que o setor privado do agronegócio deverá fazer nos próximos anos em instalações hidroviárias de transporte na região Centro-Oeste.

Os recursos serão aplicados em instalações de terminais, comboios de barcaças e empurradores para o transporte no rio Tapajós, cujo potencial de escoamento é de 40 milhões de toneladas/ano de grãos do Centro-Oeste, até 2020, com redução de até 34% no custo do frete.

A previsão do investimento, disse o deputado, é do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, formado por representantes de produtores rurais, indústrias e comércio, como a Aprosoja e Acrimat, além de parlamentares que vêm trabalhando desde 2010 para encontrar saídas para resolver os problemas de logística no Estado.

A empresa que está mais avançada em seu projeto é a Bunge, que investe R$ 700 milhões, em projeto recentemente inaugurado, – o maior em seis anos no portfólio de agronegócio e logística no Brasil. A Bunge dará mais fôlego ao que o mercado chama de “matriz amazônica” de transporte.

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“Na prática, isso significa a criação de um dos mais importantes corredores logísticos intermodais do País, formado pela BR-163 e pela hidrovia Tapajós-Amazonas”, disse Bezerra. A alternativa é defendida há muitos anos pelos ruralistas, que veem na rota ganhos de frete, tempo e eficiência de transporte ante as opções atuais.

Ainda, conforme o deputado, espera-se a instalação de quase uma dezena de terminais fluviais em Miritituba (PA), estrategicamente localizado à beira de um trecho do Tapajós. Além da Bunge, estão se posicionando a Cargill, Hidrovias do Brasil, Cianport, Unirios, Chibatão Navegações e Reicon.

“Sou um otimista por natureza. Espero, portanto, que a esperança dos produtores rurais do meu Estado se concretize com as soluções que a iniciativa privada tem emprestado para transpor os graves obstáculos que se antepõem à nossa infraestrutura de transporte. O Mato Grosso precisa desses investimentos! O Centro-Oeste e o Norte precisam desses investimentos! O Brasil precisa desses investimentos!”, ressaltou Bezerra.

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Posição vexatória

O deputado Bezerra citou Relatório Global de Competitividade 2013/2014, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, onde se constata que, devido à deficitária infraestrutura de transporte, o Brasil ocupa hoje uma das piores posições no ranking de 148 países avaliados: o Brasil está na vexatória 122ª posição.

“Como podemos querer alçar posições no ranking das maiores economias do mundo, como queremos desenvolvimento para nossa gente, se estamos subutilizando o potencial de uma das maiores redes hidrográficas do Planeta?”, questionou Bezerra.

Segundo o deputado, a navegação, um dos modais mais eficientes para o transporte de cargas em longas distâncias pelo interior, está sendo absolutamente desperdiçada, transportando apenas 7% das cargas nacionais. Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) 2013 da Navegação Interior (realizada em rios, canais e áreas marítimas abrigadas) mostra que apenas 50% das vias navegáveis brasileiras são utilizadas economicamente.

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Quando comparada a outros modais, a navegação interior possui inúmeras vantagens: capacidade de grande carregamento e menor custo de frete por tonelada/km; consumo de combustível; e emissão de gases do efeito estufa.

A CNT estima que seriam necessários pelo menos 50 bilhões de reais em investimentos na melhoria da infraestrutura das hidrovias, com abertura de canais e construção de terminais.

Os investimentos públicos destinados ao setor não têm sido suficientes para solucionar os gargalos. No acumulado entre 2002 e 2013, apenas 2,4 bilhões de reais foram aplicados pelo Governo, segundo a pesquisa CNT.

 

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