Em uma pista tão estreita como as ruas do Principado de Mônaco, largar na frente é um grande passo para a vitória. E a polêmica pole position que Nico Rosberg conquistou no treino de sábado, sob a suspeita de que teria errado propositalmente no fim para atrapalhar Lewis Hamilton, acabou sendo vital. Era grande a expectativa para saber como iam se comportar os amigos (ou seriam desafetos?) da Mercedes. Mas o alemão não deu chances para qualquer aproximação. Manteve a primeira posição na primeira curva e administrou o britânico pelos retrovisores ao longo de toda a prova para vencer de ponta a ponta.

Seu trabalho ficou ainda mais fácil no fim, quando Hamilton alegou um problema no olho esquerdo, perdeu rendimento e foi se preocupar em segurar Daniel Ricciardo, da RBR, para manter a segunda posição. Foi a quinta dobradinha das “Flechas de Prata” em seis etapas, consolidando o melhor início de temporada de uma equipe na história da F-1, superando a McLaren de 1988 de Ayrton Senna e Alain Prost.

Com sua segunda vitória na temporada, Rosberg quebrou a série invicta de quatro provas de Hamilton, subiu para os 122 pontos e retomou a liderança do campeonato, quatro pontos à frente do parceiro de time. Criado em Monte Carlo, Nico chegou também ao segundo triunfo consecutivo na mais charmosa prova do calendário. Um feito com sabor especial para o alemão de 28 anos, que com cinco vitórias na carreira, igualou o pai – e ídolo – Keke Rosberg, campeão mundial de 1982.

Já Felipe Massa fez uma bela corrida de recuperação. Após o azar de ter sido tirado do treino classificatório, o brasileiro da Williams largou em 16º, foi galgando posições e cruzou a linha de chegada em sétimo. Com os seis pontos marcados, Massa subiu para a 11ª colocação no Mundial, com 18, deixando para trás Kimi Raikkonen, seu substituto na Ferrari, com 17. À frente de Massa chegaram Fernando Alonso (Ferrari), em quinto, seguido por Nico Hulkenberg (Force India) e Jenson Button (McLaren).

Com Bianchi, Marussia marca seus primeiros pontos na história

Mas a grande surpresa da prova ficou por conta de Jules Bianchi. No melhor estilo “come-quieto”, o promissor francês largou em 21º (havia perdido cinco posições por trocar o câmbio), foi ganhando posições com abandonos e ultrapassagens e levou a “nanica” Marussia, pela primeira vez na história, à zona de pontuação. Bianchi havia cruzado em oitavo, mas teve 5s acrescidos em seu tempo em razão de uma punição. Mesmo perdendo uma posição para Romain Grosjean, o francês deixou sua marca na história. Kevin Magnussen (McLaren) fechou o top 10. Bem mais atrás, em 14º, o companheiro de Bianchi na Marussia, Max Chilton, completou sua 25ª corrida consecutiva, quarta maior marca da categoria.

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Prova recheada de abandonos e acidentes

Como de costume, os guard rails de Monte Carlo não passaram impunes. Batidas foram “estreladas” por Esteban Gutiérrez (Sauber), Adrian Sutil (Force India) e Sergio Pérez (Force India). Vários pilotos também abandonaram, mas com problemas: Pastor Maldonado (Lotus) sequer largou; Sebastian Vettel – em sua 100ª corrida na RBR – voltou ver o motor de seu carro falhar; Bottas deixou a prova com problemas na Williams, assim como a dupla da STR, Jean-Eric Vergne e Daniil Kvyat. Quem não chegou a abandonar por batida mas teve um dia complicado foi Kimi Raikkonen. O finlandês da Ferrari tinha boas chances de subir ao pódio, mas foi tocado por Max Chilton (Marussia) durante um período de Safety Car e furou um pneu. Já no meio do pelotão, faltou frieza para o “Homem de Gelo”, que se enroscou com Marcus Ericsson (Caterham) e Magnussen, e terminou apenas em 12º. Como consolo, anotou a melhor volta da prova: 1m18s479, na 75ª das 78 voltas. A Fórmula 1 dá uma pausa na “temporada europeia” para dar um pulo na América do Norte para o GP do Canadá, de 6 a 8 de junho, válido pela sétima etapa do campeonato.

A corrida

Apesar de toda tensão, Hamilton e Rosberg não se estranharam na curva St. Devote. Vettel passou Ricciardo e subiu para terceiro. Quem largou bem foi Raikkonen, que deu o bote em Alonso e Ricciardo e subiu para quarto. Partindo de 16º, Massa ganhou três posições e pulou para 13º. Pérez e Button ressuscitaram a rivalidade de 2013 e se estranharam, pior para o mexicano da Force India, que bateu e abandonou. O acidente provocou a entrada do Safety Car por três voltas. Com problemas na Lotus durante a volta de aquecimento, Maldonado sequer largou.

Vettel volta a ter problemas

Na relargada, Rosberg manteve a ponta à frente de Hamilton. Vettel, mais uma vez, enfrentou problemas de potência do motor e foi ultrapassado por diversos carros, seguindo para os boxes e voltando em último. Poucas voltas depois, o alemão teve mais problemas: seu câmbio ficou travado na primeira marcha. Mesmo recuperando a potência, o tetracampeão foi ordenado pela RBR a recolher o carro para a garagem. Com isso, Raikkonen passou para terceiro, seguido por Ricciardo, Alonso, Magnussen. Massa já era o 12º, logo atrás do companheiro de Williams, Bottas.
Com 15 das 78 voltas completadas, Rosberg administrava a liderança, com pouco menos de 2s de vantagem para Hamilton. A dupla da Mercedes já tinha colocado 6s de diferença para o terceiro, Kimi. Com problemas em sua STR, Kvyat foi mais um a abandonar. Assim, Massa subiu para 11º.

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Massa é único a não parar no Safety Car

Na volta 25, Sutil – que vinha fazendo belas ultrapassagens na curva do Grand Hotel – perdeu o controle de sua Sauber na saída do túnel e bateu sozinho, na parte interna do guard rail. A batida do alemão provocou a segunda entrada do carro de segurança.
A maioria dos competidores aproveitara o período de bandeira amarela para fazer seus pit stops. Exceto Felipe Massa, que preferiu arriscar e optou por seguir na pista, subindo para a sexta colocação, atrás de Rosberg, Hamilton, Raikkonen, Ricciardo e Alonso. O finlandês da Ferrari, no entanto, foi tocado pela Marussia de Chilton, teve um pneu furado e precisou voltar aos boxes, prejudicando totalmente sua corrida. Com isso, o brasileiro da Williams passou para quinto.
Com 45 voltas, Hamilton seguia acompanhando de perto o líder Rosberg. Dez segundos depois vinha Ricciardo, logo à frente de Alonso. Em quinto, Massa resistia bravamente com os pneus supermacios, com os quais havia largado. Ele foi para os boxes no giro seguinte, e retornou à pista na 11ª posição, três atrás de Bottas, o oitavo.

Bottas comanda “trenzinho”, mas quebra

Com poucas disputas no pelotão da frente, a grande atração da prova passou a ser o “trenzinho” comandado por Bottas. O finlandês da Williams era acompanhado de perto por Gutiérrez, Raikkonen e Massa. Mas a “cabine do maquinista” Bottas acabou “fumando”. Com o motor estourado, o companheiro do brasileiro ficou parado na curva do Grand Hotel. Assim, Gutiérrez passou para oitavo, Kimi para nono e Massa voltou à zona de pontuação. Os fiscais agiram rápido e o guindaste estrategicamente colocado atrás dos guard rails retirou rapidamente a Williams da pista evitando mais uma entrada do Safety Car.

A 16 voltas do fim, Gutiérrez – sozinho – esbarrou com a roda traseira direita no guard rail na Rascasse, furou o pneu e ficou virado na pista. Raikkonen e Massa, que vinham logo atrás, tiveram que ter o reflexo apurado para desviar da Sauber do mexicano. Os comissários, novamente, agiram com eficácia e impediram a paralisação da prova.
Com isso, Bianchi passou para décimo colocando a Marussia, pela primeira vez, com chances reais de pontuação. O francês, porém, teria que chegar mais de 5s à frente do 11º para assegurar o ponto, já que carregava um acréscimo de tempo em seu resultado final em razão de uma punição.

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Cisco no olho atrapalha Hamilton

Em segundo, Hamilton disse para seu engenheiro que não queria saber de Ricciardo, mas sim de Rosberg, quem desejava superar. Ironicamente, pouco tempo depois, o britânico reportou que uma sujeira entrou em seu olho esquerdo e começou a andar mais lento. Rosberg, então, abriu cinco segundos na liderança, enquanto o australiano da RBR, o terceiro, reduziu parte da desvantagem. A Mercedes chegou a se aprontar nos boxes, mas o britânico decidiu seguir na pista e levar o carro até o final.
Com dificuldades para enxergar, Hamilton foi alcançado por Ricciardo nas voltas finais. Mais à frente, Rosberg recebia a bandeira quadriculada com quase dez segundos de vantagem. O britânico conseguiu resistir à pressão do australiano da RBR e completou a quinta dobradinha da Mercedes em seis etapas. Alonso completou em quarto. Com uma volta a menos, Hulk foi o quinto, seguido por Button e Massa. A surpresa ficou por conta de Bianchi, que cruzou em oitavo, e mesmo perdendo a posição para Grosjean por causa da punição, marcou os primeiros pontos da história da Marussia. Magnussen completou os dez primeiros.

Confira o resultado final do GP de Mônaco, sexta etapa da temporada 2014:

1) Nico Rosberg (ALE/Mercedes) 78 voltas, em 1h49m27s661
2) Lewis Hamilton (ING/Mercedes) + 9s210
3) Daniel Ricciardo (AUS/Red Bull-Renault) + 9s614
4) Fernando Alonso (ESP/Ferrari) + 32s452
5) Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes) – 1 volta
6) Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) – 1 volta
7) Felipe Massa (BRA/Williams-Mercedes) – 1 volta
8) Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault) – 1 volta
9) Jules Bianchi (FRA/Marussia-Ferrari) – 1 volta
10) Kevin Magnussen (DIN/McLaren-Mercedes) – 1 volta
11) Marcus Ericsson (SUE/Caterham-Renault) – 1 volta
12) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) – 1 volta
13) Kamui Kobayashi (JAP/Caterham-Renault) – 3 voltas
14) Max Chilton (ING/Marussia-Ferrari) – 3 voltas

Abandonos:

Esteban Gutiérrez (MEX/Sauber-Ferrari) 59 voltas
Valtteri Bottas (FIN/Williams-Mercedes)55 voltas
Jean-Eric Vergne (FRA/STR-Renault) 50 voltas
Adrian Sutil (ALE/Sauber-Ferrari) 23 voltas
Daniil Kvyat (RUS/STR-Renault) 10 voltas
Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) 5 voltas
Sergio Pérez (MEX/Force India-Mercedes) 0 voltas
Pastor Maldonado (VEN/Lotus-Renault) 0 voltas
Melhor volta: Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) – 1m18s479, na 75ª volta

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