Depois de 11 anos, a Fórmula 1 voltou à Áustria. O país que já sediara 26 GPs retornou à categoria em grande estilo. Autódromo totalmente remodelado, torcida muito animada nas arquibancadas e diversos eventos compunham uma atmosfera especial. No sábado, uma pole inesperada de Felipe Massa e um desfile de Niki Lauda e Sesbastian Vettel com carros históricos. No domingo, Spielberg não chegou a ver uma corrida de cinema. Mas não faltaram histórias a destacar. A Mercedes logo acabou com a brincadeira da Williams e rumou para mais uma dobradinha, dessa vez com Nico Rosberg e Lewis Hamilton. Como consolo, a dupla da Williams conseguiu seus melhores resultados do ano: Valtteri Bottas subiu pela primeira vez ao pódio na carreira, e Felipe chegou em quarto. Para ver o resultado do GP da Áustria, clique aqui.

O CARA

Na guerra fria da Mercedes na briga pelo título, Rosberg venceu mais uma batalha contra Hamilton. Depois de ver o companheiro vencer quatro seguidas e assumir a liderança na quinta etapa, o alemão chegou na frente do britânico nas três últimas. Com o triunfo na Áustria, Nico chegou aos 165 pontos, aumentando sua diferença na liderança do campeonato de 22 para 29 pontos. Mais importante do que a vitória e a maior vantagem na tabela, Nico alcançou uma marca de valor pessoal: chegou a seis triunfos na carreira e superou a marca do pai, Keke Rosberg, campeão mundial de 1982.

SAI DA FRENTE

Apesar de ver o rival abrir vantagem na classificação geral, Hamilton tem que comemorar o segundo lugar. Após errar no treino classificatório e amargar a nona posição no grid de largada, o britânico conseguiu minimizar o prejuízo. E isso graças a uma primeira volta fantástica. Logo na largada, Lewis deixou Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat para trás. Após a primeira curva, a vítima foi Daniel Ricciardo. Metros depois, superou Kevin Magnussen. Antes de completar o giro no circuito, ainda superou Fernando Alonso, colando em Rosberg.

MOMENTO-CHAVE

No sábado, Felipe Massa conseguiu uma façanha e tanto. Emplacou uma volta fantástica e conquistou a pole position, pondo fim a invencibilidade da Mercedes em treinos classificatórios em 2014 e quebrando também um jejum pessoal de mais de cinco anos. Mas no domingo, o sonho da Williams em desbancar o time alemão durou apenas até a primeira rodada de pit stops. Na ocasião, o pole position Massa liderava a prova, seguido por Bottas, Rosberg e Hamilton, todos muito próximos. A equipe alemã chamou seus pilotos cedo para os boxes: Nico na 11 (21s474) e Lewis na 13 (22s226). Já Felipe (21s896) fez seu pit na 14 e Valtteri, na 15 (21s133). A estratégia se mostrou acertada. Por causa das poucas voltas virando mais alto devido aos pneus mais desgastados, Massa retornou atrás de Rosberg e ainda foi superado por Hamilton logo que saiu dos boxes. Com Bottas, a Williams fez um bom trabalho (melhor pit stop da corrida) e ele ainda conseguiu voltar entre as duas Flechas de Prata. Mas o finlandês acabou perdendo o segundo lugar para Hamilton na segunda janela de paradas e terminou em terceiro.

ESCALADA

Um dos grandes destaques da corrida foi Sergio Pérez. O mexicano teve que pagar uma punição de cinco posições no grid em razão do acidente com Massa no Canadá e largou em 15º. Começando com pneus macios contra os supermacios dos demais, o mexicano adiou ao máximo o primeiro pit stop e chegou até a liderar. No fim, terminou em sexto, sendo o piloto que mais ganhou posições. De quebra, ainda fez a melhor volta da corrida: 1m12s142, na 59ª volta.

MICO

Já o mico ficou por conta da dona das equipes donas da casa. A empresa de energéticos dona da RBR e STR reformulou o circuito de Spielberg e fez a Áustria voltar à Fórmula 1. Mas a expectativa do primeiro GP em casa se transformou em uma tremenda decepção, ou pior, em um grande mico. Apenas três carros que não completaram a prova, e todos foram da companhia. Sebastian Vettel teve uma pane elétrica na primeira volta, caiu para último e abandonou no meio da prova para poupar equipamento. Jean-Eric Vergne sofreu com problemas no freio se retirou e Daniil Kvyat levou um susto com uma quebra de suspensão que o levou à grama. Dos quatro, só Daniel Ricciardo recebeu a bandeira quadriculada, mas apenas em oitavo, pouco animador para quem surpreendeu ao vencer a corrida anterior, no Canadá. No vídeo acima, acompanhe a via-crúcis de Vettel no domingo.

BULLYING

A vitória da Mercedes e o mico da RBR rendeu ? Funcionários da equipe vencedora publicaram uma imagem da estátua do touro gigante, marca do time rival, com um símbolo da montadora alemã no nariz. Montagem ou não, valeu a provocação. Dá para chamar de bullying – ou seria um caso específico de “red bullying”? Nesta segunda-feira, a Mercedes também publicou anúncios nos jornais tirando onda com a rival.

PARABÉNS

Fora o mico das donas da casa, a Áustria – fora da F-1 desde 2003 – voltou em grande estilo. Se a corrida deixou a desejar em termos de emoção, nas arquibancadas a torcida matou a saudade da categoria fazendo muita festa. O autódromo apresentou uma ótima infraestrutura. O famoso traçado de Spielberg, não tão complicado, mas com variações de altura, agradou aos pilotos que não o conheciam. Além disso, a linda paisagem ao fundo era um espetáculo a parte. E a estátua do touro de ferro gigante completava o belo cenário. O sucesso fez o chefão da F-1, Bernie Ecclestone preparar uma surpresa para o grande responsável pelo retorno do circuito austríaco, Dietrich Mateschitz dono da companhia de energéticos. Na penúltima volta, a transmissão oficial da prova exibiu uma montagem com os dizeres “Parabéns, Sr. Mateschitz. Obrigado, Bernie” e uma bandeira da Áustria.

HOLOFOTES

E os torcedores que compareceram ao autódromo neste fim de semana foram brindados com um momento histórico. Logo após o treino classificatório os austríacos Niki Lauda (presidente não-executivo da Mercedes), Helmut Marko (consultor da RBR), Gerhard Berger (ex-piloto) e o alemão Sebastian Vettel guiaram carros clássicos pelo circuito. Lauda voltou a guiar a Ferrari Ferrari 312T, com a qual sagrou-se campeão em 1975. Berger andou em sua Ferrari de 1988, a F1-87/88C. Já Marko e Vettel deram uma voltinha na BRM que o consultor do time pilotou em 1972.

GATAS

E para completar o espetáculo, diversas modelos com trajes típicos da região deram um toque de beleza a mais no fim de semana da F-1.

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