No mundo, há atualmente 2,1 bilhões de pessoas obesas ou com sobrepeso, o que representa quase 30% da população mundial. De 1980 a 2013, obesidade e sobrepeso, em conjunto, aumentaram 27,5% entre os adultos e 47,1% entre as crianças. As conclusões são de uma pesquisa internacional que levou em conta dados de 188 países, incluindo o Brasil. O estudo foi conduzido pelo Instituto de Métrica e Avaliação para a Saúde (IHME) da Universidade de Washington e publicado na edição da revista científica “The Lancet” de quinta-feira (29).

Para a obtenção dos dados, foram avaliados 1769 estudos e relatórios anteriores. Entre os homens adultos, a obesidade e o sobrepeso subiram de 29%, em 1980, para 37%, em 2013. No mesmo período, os índices cresceram de 30% para 38% entre as mulheres.

A obesidade e o sobrepeso também aumentaram entre crianças e adolescentes, especialmente nos países desenvolvidos onde, em 2013, 23,8% dos meninos e 22,6% das meninas tinham sobrepeso ou obesidade. Nos países em desenvolvimento, esse índice é de 12,9% entre os meninos e 13,4% entre as meninas.

Nenhum país teve um declínio significativo da obesidade nos últimos 33 anos, o que representa um motivo de preocupação, segundo os autores. “A expectativa é que a obesidade cresça de forma constante à medida que aumentem as rendas nos países de baixa e média renda, em particular, a não ser que medidas urgentes sejam adotadas para resolver essa crise de saúde pública”, diz o pesquisador Christopher Murray, diretor do IHME.

O sobrepeso é caracterizado por um índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 25 e menor que 30. Já a obesidade caracteriza-se por IMC maior ou igual a 30.

BRASIL
No Brasil, segundo o estudo, 52,5% dos homens com mais de 20 anos e 58,4% das mulheres da mesma faixa etária apresentam sobrepeso ou obesidade. Entre os garotos com menos de 20 anos, essa parcela é de 22,1%. Entre as garotas, o índice é de 24,3%. O Brasil fica acima da média global de obesidade, mas abaixo de países como Estados Unidos, Reino Unido, México e Bolívia.

Para a obtenção dos dados brasileiros, foram levados em conta diversas pesquisas, entre elas o Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico), feito anualmente pelo Ministério da Saúde desde 2006.

Um dos colaboradores da pesquisa, o brasileiro Jorge Gustavo Velásquez Meléndez, professor de epidemiologia da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que a pesquisa internacional reuniu vários tipos de levantamentos anteriores, tanto os de abrangência nacional quanto os locais. “Existem vários modelos estatísticos que contemplam a variabilidade dessas pesquisas.”

Para Meléndez, a pesquisa é importante para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde. “A obesidade aumenta o risco de vários tipos de doença, como as cardiovasculares e alguns tipos de câncer. A pesquisa é importante para que gestores da saúde pública percebam qual o nível de obesidade de cada país e como isso está evoluindo.”

RECORDISTAS
Os países com os índices mais altos de obesidade e sobrepeso, segundo o estudo, são os do Oriente Médio e Norte da África. Na região, 58% dos homens e 65% das mulheres com 20 anos ou mais apresentam sobrepeso ou obesidade.

Existem seis países em que mais da metade das mulheres são obesas, todos no Oriente Médio e na Oceania. A pior situação é observada em Tonga, país que fica na Polinésia, onde homens e mulheres têm prevalência de obesidade superior a 50%.

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