Daniel Cormier sempre teve uma relação conturbada com o campeão Jon Jones. Os dois já trocaram ofensas e provocações no Twitter, muito antes de se tornarem rivais na mesma divisão de peso, mas nunca se soube ao certo o que provocou a inimizade entre os atletas. Em entrevista por telefone ao Combate.com, “DC” explicou que a rivalidade surgiu no primeiro dia em que os dois se conheceram:

– Conheci o Jones em uma luta do Cain Velásquez, em Anaheim, na Califórnia. Naquele dia, ele olhou para mim e disse: “Você acha que tem um bom wrestling, mas você precisa conquistar uma ‘couve-flor’ na sua orelha para tentar me derrubar”. Naquela época, ele estava começando a deslanchar. Jones não sabia quem eu era e eu não esperava que ele me conhecesse. Iniciei minha carreira no wrestling, ninguém sabia quem eu era. Mas não gostei da forma como ele me insultou para iniciar uma conversa. Nós começamos a nossa relação com o pé esquerdo – contou.

No próximo dia 27 de setembro, os dois lutadores terão a oportunidade de resolver as diferenças dentro do octógono, em duelo válido pelo cinturão peso-meio-pesado do UFC, que acontecerá na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, EUA. Isso porque Cormier aceitou substituir Alexander Gustafsson, que originalmente disputaria o título de “Bones”, mas que precisou se retirar do combate devido a uma lesão no joelho. A notícia, aliás, pegou o atleta de Louisiana desprevenido:

– Eu fiquei muito surpreso. Achei que o Gustafsson ia fazer tudo o que estivesse em seu poder para continuar nessa luta. Mas, quando você se machuca, não tem muita coisa para ser feita. Então, quando eu ouvi que ele estava machucado, tive certeza de que iria receber uma ligação. Claro que eu iria enfrentar o vencedor de Jones x Gustafsson, mas com ele se machucando havia a possibilidade de essa luta cair no meu colo. Na minha cabeça, eu iria enfrentar o Jones em janeiro ou fevereiro, porque, na minha opinião, ele venceria essa revanche contra o Gustafsson. Agora a minha luta contra o Jones foi “antecipada”, mas eu não vou perder a chance de conquistar o cinturão.
Cormier estava curtindo suas férias em família quando recebeu a ligação do UFC oferecendo o combate. Desde a confirmação da chance ao título, ele teve pouco tempo para assimilar o duelo e diz que pouca coisa mudou até agora em sua rotina:

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– Eu acordei hoje de manhã e fui correr, em vez de ficar jogando videogame, que era o que eu vinha fazendo no último mês e meio. Eu levantava, jogava videogame ou deixava as crianças prontas para a escola, e quando elas saiam, eu ficava curtindo a minha folga. Era legal, mas agora eu estou levantando cedo e indo correr. Tive que cortar os donuts da minha dieta também (risos). Ainda não voltei a treinar pesado. Estava indo para a academia de vez em quando, mas só para não perder o ritmo. Hoje eu corri e, mais tarde, tenho que distribuir alguns autógrafos, mas depois eu vou encontrar o meu treinador de boxe para fazer um treino. Vou estar a ponto de bala logo.
Assim que foi confirmado como novo desafiante de Jones, DC passou a ser alvo das provocações do campeão. Primeiro, recebeu uma mensagem privada no Twitter, na qual Jones dizia que esperava que ele estivesse pronto para “o papai”. O lutador até tentou responder, mas não conseguiu porque não era seguido por Jones. Mais tarde, “Bones” gravou um vídeo no qual uma de suas filhas dizia; “DC, meu pai vai bater em você, garanto!”, mas Cormier afirma que as iniciativas não atrapalharam o seu bom-humor:
– O jogo mental já começou faz tempo, sempre existiu. Nós nunca nos demos bem e sempre quisemos enfrentar um ao outro. Agora isso finalmente vai acontecer. Eu achei que o vídeo com a filha dele foi bastante fofo, para falar a verdade. Foi uma coisa bacana. Palmas para vocês Jones, isso foi muito criativo. Bom trabalho! – respondeu o lutador.

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Conhecido pelo bom-humor e por gostar de fazer brincadeiras com seus companheiros de treino, o ex-campeão do Strikeforce diz que nada é capaz de irá-lo do sério:

– Eles podem tentar me irritar, mas se vão conseguir é outra história. Quando chega a hora de entrar no octógono, eu não fico bravo, triste ou nada disso, eu tento me manter igual, entro lá para competir, para vencer e, por isso, não importa o tipo de mensagens que nós trocamos nas redes sociais ou nas coletivas de imprensa. Quando eu entro no octógono, vou tratar de negócios. Não acho que o Jones vai conseguir me irritar até o dia da luta. Ele pode tentar, mas vai perder o seu precioso tempo.

DC também garante que já se acostumou com a ideia de ter menos tempo do que gostaria para se preparar para a luta mais importante da sua vida:

– Eu tenho 9 semanas até o duelo, terei 8 semanas de treino, acho que é tempo suficiente. O lado negativo é que, quando você tem uma luta pelo título, você espera ter mais tempo, cerca de 12 semanas, para poder fazer um camp de treinamento mais lento no começo e aumentando o ritmo conforme as semanas forem passando. Infelizmente eu não tenho isso. Tenho oito semanas para bater no Jones, então vou trabalhar com o que tenho. Pelo lado positivo, estou mais velho e, se eu tivesse mais tempo, eu usaria tudo. Às vezes eu exagero no treino porque levo muito a sério e tenho um ritmo muito duro, então eu posso dizer que isso foi uma bênção. Eu vou ter tempo suficiente, sem precisar correr risco de treinar exageradamente. Estou muito familiarizado com o Jon Jones, não sei quanto mais eu poderia aprender ou me preparar para ele, se eu tivesse mais tempo.

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Atual segundo colocado no ranking peso-meio-médio do UFC, Cormier está invicto na carreira há 15 lutas. O duelo contra Jones será o terceiro na divisão até 93 kg, mas ele acredita que a sua mudança de categoria possibilitou um amadurecimento ainda maior como lutador:

– Eu acho quer estou mais rápido e atlético, sou mais eu mesmo. Consigo me movimentar melhor e fazer uma série de coisas que eu podia fazer antes de ter ficado tão pesado. Quanto à preparação, a parte mais difícil é que você não consegue encontrar um cara tão alto que seja tão atlético quanto o Jones para te ajudar nos treinos. O Jon é alto, mas é bem atlético, é rápido e muito criativo na trocação . Vai ser difícil me preparar para enfrentar essa coisa que faz do Jon Jones o que ele é. Ele é único e você não vai se familiarizar com o estilo dele na academia, porque não há outro igual. Mas os fãs podem esperar o melhor Daniel Cormier que eles já viram. Eu vou entrar lá, dar 110%, vou fazer o Jones lutar por 25 minutos e vou fazer as pessoas verem que ele é o melhor lutador do mundo, mas que há uma pessoa nessa divisão que pode sim vencê-lo e essa pessoa sou eu – finalizou

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