Vitor Belfort se emocionou durante a audiência desta quarta-feira na Comissão Atlética de Nevada, que lhe garantiu a licença para lutar no Estado no dia 06 de dezembro contra o campeão peso-médio do UFC, Chris Weidman. Durante vários momentos, o lutador falou com voz embargada e, conforme explicou ao Combate.com, as lágrimas foram alívio, mas também de felicidade:
– É o meu trabalho todo, de ver o que você conquistou, o sacrifício da Joana e dos meus filhos. A gente está nessa estrada junto e eu estou muito feliz por essa luta no dia 06 de dezembro aqui em Las Vegas.

Passou um filme na minha cabeça ali naquele momento, mas foi um choro mais de emoção e alegria. O importante é continuar o nosso trabalho, ter paz no processo e alegria na jornada. É muito bom, me sinto como uma criança. Sempre fui transparente e falei a verdade para todo mundo, esses últimos meses têm sido uma montanha russa, mas você só vence se for verdadeiro consigo mesmo. Ninguém é perfeito, como a Comissão mesmo disse, todos nós cometemos erros. Mas quando você é verdadeiro consigo mesmo e com suas convicções, as coisas acontecem a seu favor. Agora podemos falar sobre o dia 06 de dezembro. O dia está fechado, fizemos esse acordo ontem, a luta será aqui em Las Vegas e é muito bom ter o que eu trabalhei duro para conquistar. O cinturão com certeza vai estar na minha cintura e vou levá-lo para o Brasil de braço levantado – declarou o lutador assim que se retirou da audiência.

O “Fenômeno” também explicou que era desejo seu conseguir a licença para lutar em Las Vegas, principalmente para por um fim às especulações de que só lutava no Brasil porque somente o país lhe concederia permissão para uso da terapia de reposição de testosterona (TRT), da qual era adepto por questões de saúde. Durante muito tempo, críticos e especialistas questionaram as performances e nocautes do lutador pelo fato de ele fazer uso do tratamento. Quando a isenção para TRT foi proibida, em fevereiro passado, Belfort teve que se retirar do duelo pelo cinturão de Chris Weidman, agendado para maio, a fim de readaptar o seu organismo às novas regras e acabou sendo substituído por Lyoto Machida. Readaptado e sem TRT, o lutador afirma que as pessoas não terão mais desculpa para não lhe darem o reconhecimento que merece:

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– Eu pedi essa condição. Quero acabar com esse falatório, quero lutar aqui em Las Vegas para acabar com esses questionamentos. Eu estou preparado, venho me testando e acho que isso é bom. Quando o TRT acabou, todo mundo estava especulando coisas e agora vários caras estão sendo flagrados com substâncias ilegais. Eu estou limpo e tudo o que está na lista da WADA não está no meu corpo. Eu venho sido muito testado. Ninguém tem sido mais testado no UFC do que eu. Eu acho que é bom eles terem esse novo tipo de testes hoje. Quanto ao fato de dizerem que eu melhorei com TRT, a minha performance sempre foi igual. Antes de enfretar o Anderson Silva eu estava nocauteando vários caras. Se você checar as minhas lutas, os únicos caras para os quais perdi no octógono foram o Anderson e o Jon Jones. Antes disso, eu estava vencendo de forma devastadora. Eu só acho que as pessoas ficam procurando o segredo, querem saber que tipo de movimento eu faço, que tipo de coisas eu tomo, quem é meu médico, que tipo de tênis eu uso para correr. O tênis não faz ninguém correr mais rápido, eu acho que o que acontece é que eu tenho habilidades dentro do octógono. Não quero mais falar de TRT, acho que nós não temos mais que mencionar isso. TRT não te dá vantagem, te deixa no mesmo nível que os demais. É um tratamento que ainda existe na NFL e em outros esportes. Mas agora vai ser bom, porque eu vou lutar com baixa testosterona e ninguém vai ter mais desculpa.

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Belfort também falou sobre o resultado do exame antidoping surpresa a que se submeteu em fevereiro e no qual registrou nível de testosterona acima do permitido. Como tinha feito o exame de forma espontânea e ainda não tinha aplicado por uma licença para lutar no estado de Nevada, a divulgação dos resultados era opcional. Porém, em junho, Wanderlei Silva se recusou a fazer um teste antidoping surpresa e foi retirado do duelo contra Chael Sonnen, previsto para o UFC 175, em julho. Para resolver a situação, o Ultimate ofereceu o combate a Vitor, que enfim deu entrada nos documentos para obtenção da licença, divulgando posteriormente o resultado das análises. A luta acabou sendo novamente cancelada porque Sonnen foi pego em dois testes antidoping, mas o pedido de licença do “Fenômeto” foi julgado e liberado nesta quarta-feira sob algumas condições: de que ele não lute em qualquer outra jurisdição antes do dia 06 de dezembro e que se submeta a testes antidoping surpresa solicitados pela comissão quando e onde o órgão solicitar, se responsabilizando pelos custos:

– Eu mostrei meus testes, o único que tinha dado alguma alteração foi aquele feito em fevereiro. Estava um pouco acima, mas se você falar com um especialista em TIU, ele vai explicar que é perfeitamente normal, pelo fato de eu ter tomado a injeção um dia antes. Enfim…o que eu fiz foi abrir a minha privacidade. Vocês tiveram acesso aos testes, viram meus níveis. Eu fui aberto com vocês. Vocês viram tudo. Como falei, eu mesmo já venho me testando e acho que vai ser muito bacana para a minha carreira. Deixei claro para a comissão que vou cooperar no que for preciso. Venho de uma era em que nós lutávamos sem luvas, sem divisão de peso…as pessoas procuram desculpas, os perdedores procuram por desculpas, mas os vencedores não. Eu apoio o que a comissão está fazendo agora e vou cooperar com o que precisar.

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Questionado sobre como foi o período de readaptação após o fim do TRT, Vitor explicou que foi difícil, mas que conseguiu se readaptar sem maiores problemas:

– Só a Joana e os meus filhos sabem. Mas eu eu tenho muita fé em Deus. A nossa mente é sensacional. A gente usa tão pouco a nossa mente e a fé é algo que está lá dentro. Difícil eu explicar para você como foi ou o que aconteceu. Às vezes uma coisa que é tão pequena para mim, para alguém é muito grande e vice-versa. O importante é você ser forte e lutar pelo seu objetivo. Hoje a minha forma física esta ótima, pergunte para os meus treinadores, estou muito bem. Estou tomando um remédio todo dia chamado Espírito Santo.

Orando e treinando. Isso se chama ética de trabalho. É algo que eu não posso ensiná-lo. Ou você tem ou não tem.

Sobre a disputa de cinturão, no dia 06 de dezembro em Las Vegas, o brasileiro só quer saber de comemorar:

– O foco agora não é o Chris Weidman, é o cinturão. Ele tem o cinturão, então é pegar o que é meu. O foco é em mim no que eu posso fazer para melhorar e para vencê-lo. Meu foco nunca está em quem em vou competir e sim em mim, em como eu posso crescer, como posso melhorar. Ser brasileiro, conquistar algo para o Brasil é algo que se inicia dentro de cada brasileiro. Ali dentro é um esporte e eu só posso prometer que vou dar o meu melhor. A vitória no dia 06 de dezembro começou hoje, ou melhor, começou lá no início. É um compromisso que eu tenho comigo – finalizou.

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