Nesta quarta-feira a brasileira Cláudia Gadelha tornou-se a primeira atleta da divisão peso-palha feminino (até 52 kg) a vencer uma luta do UFC. A brasileira derrotou a finlandesa Tina Lahdemaki na decisão unânime dos juízes e conquistou a sua 12ª vitória na carreira. Apesar de ter se credenciado para disputar o cinturão da divisão, Claudinha contou ao Combate.com que não quer ficar parada até a definição da campeã da categoria. A dona do título só será conhecida em dezembro, na final da 20ª edição do reality show “The Ultimate Fighter”, que começou a ser gravado no início do mês em Las Vegas, EUA, e que tem 16 lutadoras sendo treinadas por Anthony Pettis e Gilbert Melendez.

– Eu era uma das desafiantes top do Invicta, fui escolhida duas vezes para disputar o cinturão da divisão e não consegui disputar o título porque quebrei o nariz na primeira vez e, na segunda, peguei uma infecção intestinal e fui parar no hospital. Pelo meu recorde e pelas lutas que eu venho fazendo, eu acho que tenho condições de disputar o cinturão do UFC, mas todas as garotas estão dentro da casa do TUF 20 e a campeã só vai sair em dezembro ou janeiro. Por isso, eu gostaria de ter uma nova oportunidade de lutar, para não ficar muito tempo parada. Quero lutar o quanto antes. Porém, sou funcionária do UFC e o que eles decidirem eu vou cumprir – declarou a atleta.

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No duelo desta quarta, Gadelha conseguiu levar a melhor tanto em pé quanto no chão. Ela até chegou a encaixar um mata-leão no final do primeiro round, mas não conseguiu a finalização. Lahdemaki foi dura e ofereceu resistência até o final do combate, mas a brasileira respirou aliviada ao final do duelo e acha que conseguiu mostrar a que veio:

– O Dedé Pederneiras e o Jair Lourenço fizeram uma estratégia para eu levar a luta para o chão, porque ela é uma lutadora boa no chão também, mas eles achavam que o meu jogo era melhor do que o dela. Então, o plano era derrubar e ficar por cima batendo e tentar pegar, mas acabou que, no decorrer da luta eu me senti muito bem em pé. Já tive outras lutas que troquei bem, mas essa foi a que me senti melhor. Estou me sentindo cada vez mais confiante. Quando se fala em Cláudia Gadelha, todo mundo pensa que vai ser aquela luta agarrada ali no chão, porque eu lutei muito jiu-jítsu, fiz 43 lutas na arte suave só na faixa-branca, depois migrei para o MMA e fiquei fazendo aquele jogo do chão. Mas, hoje em dia ,eu não sou uma lutadora de jiu-jítsu, sou uma lutadora de MMA. Venho treinando na Nova União, que tem um nível altíssimo de trocação, e venho me desenvolvendo muito em pé. Eu tenho muito mais para mostrar, mas preciso de mais tempo e de oportunidade.

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Depois de passar pelos três rounds e de ter o braço erguido no final de sua esteia no octógono, a brasileira não conseguia esconder a emoção da primeira vitória e falou com voz embargada sobre o momento da estreia:

– Quem conhece a minha história sabe o quanto eu ralei para ser uma lutadora de MMA no Brasil. Se já é complicado para um atleta masculino, imagine para uma mulher. Eu ralei mesmo, fiquei ali dentro da Nova União e, às vezes, nem tinha treino, não tinha ninguém do meu peso e eu tinha que treinar com atletas maiores. Era complicado conseguir patrocínio para me manter, me alimentar, ou mesmo para morar no Rio, que é uma cidade muito cara de se viver. Mas eu queria fazer parte da Nova União, me mudei para o Rio com esse objetivo, então eu persisti. Fiquei 10 anos lá lutando por um sonho e cheguei no lugar mais alto da minha carreira, né? E vim para ficar, estreei com vitória, graças a Deus, e estou muito feliz. Foi um momento muito importante, ainda mais porque estou fazendo história e ninguém vai tirar isso de mim. Eu fui a primeira peso-palha a vencer no octógono do UFC. Eu e a Tina fizemos a estreia da categoria e é uma divisão que veio para ficar, de garotas super talentosas. Entrar ali, passar por aquela galera, sentir aquela energia , ouvir o Bruce Buffer falando o meu nome e ver que eu realmente estava no UFC foi uma sensação incrível. Quero voltar muitas vezes – finalizou.

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