montagemAs irmãs gêmeas Potiara e Potiguara viveram o sonho do sucesso meteórico do dia para a noite. De origem humilde, Pepê e Neném, como ficaram conhecidas, emplacaram o hit Mania de Você em 1999, até hoje a música mais marcante delas.

Tão rápido quanto veio a fama se foi, e em pouco tempo as duas desapareceram da mídia. Simpáticas, extrovertidas e de sorriso marcante, o fim do sucesso delas não foi por desinteresse do público – era nos bastidores que as irmãs enfrentavam uma guerra particular, com um empresário que superfaturava shows e chegava a marcar apresentações das quais elas sequer ficavam sabendo.

A confusão queimou as cantoras no mercado e na mídia, principalmente depois de a história vir a público e Pepê e Neném, antes famosas pelo alto astral, ficarem marcadas pelas constantes entrevistas expondo o drama que enfrentavam.

Entretanto, mesmo longe da TV e sem nenhuma música nas paradas há mais de dez anos, o carinho do público com as duas continua o mesmo. E o bom humor delas está de volta. As irmãs seguem batalhando na carreira artística, e ainda são a dupla barulhenta e divertida, uma completando o que a outra diz. Já o visual e a postura mudaram muito. Antes magrinhas, agora exibem braços musculosos, cabelos estilizados e roupas masculinas – as irmãs assumiram publicamente serem homossexuais. E se dizem mais espertas: não entram mais na conversa de oportunista e respeitam o que são.

Pepê e Neném receberam a QUEM na academia em que malham, a Spah Esportes, em Itaquera, bairro da Zona Leste de São Paulo, onde também moram. Cada uma agora tem a sua casa, como sua mulher, experimentando a vida de casada. Na entrevista a seguir, as irmãs falam da vida, do sucesso do passado, e dos sonhos para o futuro.

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QUEM: O que todo mundo quer sempre saber é: Por onde vocês andam?
Neném: A gente tem feito participações em músicas de outros artistas, estamos preparando músicas novas…Vai ter até uma com um cantor que eu não posso dizer quem é, mas ele é o rei. Fechamos essa parceria faz quatro anos e ainda está de pé. Estamos querendo lançar um CD menor, com seis músicas, porque CD não vende mais, é show que conta. Todo mundo pede pra gente gravar Mania de Você. Nos shows a gente começa e termina com Mania de Você

FOTO: FRED CHALUB
FOTO: FRED CHALUB

QUEM: Em Algum momento vocês se sentiram por baixo?
Pepê: Nunca nos sentimos por baixo, cada um tem o seu momento. O sol brilha para todos.
Neném: A gente fez uma história. Não era pra ter sido passageiro, foi o nosso empresário que passou a perna na gente e por isso sumimos da mídia. Se não fosse por ele ainda estaríamos lá.

QUEM: Essa história ficou bem famosa, a do golpe do empresário…
Pepê: Sim, porque contamos pra todo mundo. Na época a gravadora nos orientou a não expor o nosso problema, mas estávamos com raiva e queríamos queimar ele.
Neném: Ele roubava nos shows. Alguém comprava dez shows e dava pra ele 50% do valor, ele assinava tudo e a gente não ficava sabendo de nada, ficava em casa. Ele sumia com o dinheiro e queimava o nosso filme.
Pepê: Ele também vendia um show por R$70 mil e dizia que tinha sido outro valor. Ele forjava o contrato, fazia uma cópia falsa.
Neném: Conhecemos ele quando ainda não eramos ninguém. Eramos a Potiara e Potiguara. Ele tinha um grupo de pagode e aí alguém disse pra ele que íamos estourar. Ele tinha olho grande e contratou a gente, mesmo sem acreditar no nosso trabalho.

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QUEM: Fazer sucesso muito rápido foi assustador?
Pepé: Foi. Quando você vem de baixo Você fica perdido, não tivemos nenhuma orientação. Hoje a gente é bem diferente. Tudo o que aconteceu acabou sendo uma lição de vida, porque aprendemos a dar valor a nós mesmas. Tinhamos muitos amigos, éramos convidadas para as festas e agora vemos que não eram amigos de verdade. Cadê o cara agora?
Neném: A gente não pensava em nada, nem no dinheiro. Aceitávamos qualquer coisa. Por isso que fomos passadas pra trás.

QUEM: Que orientação vocês dariam para um artista que está começando agora?
Pepê: Muitas pessoas que querem ser alguma coisa, seja cantor ou médico, ou o que for, não tem alguém ao lado pra dizer as coisas certas quando a pessoa mesma não sabe dizer. Então se você não entende algo, mostra para alguém que entenda.
Neném: A gente estava na rua, não tinha onde ficar, ele disse “eu dou uma casa, pago o aluguel” e a gente não pensou duas vezes e assinou contrato sem ler. Até ele ficou espantado. A gente vendeu a alma pensando só no sucesso, e muita gente está fazendo isso hoje em dia. Mas na hora que você vê o que fez, vem como uma bomba. Então leia o contrato. Se não souber ler, dê para alguém que saiba. E não desista nunca, a gente nunca desistiu, ainda mais agora, não estamos no auge e mesmo assim não desistimos. Muita gente pergunta “vocês não pensam em trabalhar com outra coisa?”, a gente não consegue. Já fizemos outras coisas antes do sucesso, a Pepê foi empregada, eu trabalhei numa padaria, mas não vamos desistir porque as vezes são provas de Deus pra você chegar lá.

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QUEM: Vocês se sentiram, em algum momento, rejeitadas por outros artistas?
Pepé: Não, até porque o que aconteceu com a gente pode acontecer com qualquer um. E ninguém é obrigado a ajudar ninguém.
Neném: Foi um buraco mesmo que se abriu e a gente caiu. Alguns artistas ajudaram a gente, procuravam a gente, parecia mentira, mas são alguns poucos, bem pingado, mas esses poucos pareceram milhares, porque você não pensa que alguém vai te ligar.

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