Só os sorrisos se destacam no rosto de Fabiana Murer depois de conquistar o bicampeonato da Diamond League, na última quinta-feira. A campeã mundial do salto com vara, que chorou ao ser eliminada das Olimpíadas de Londres e ao ficar fora do pódio no Mundial de 2013, agora esbanja confiança nas pistas de atletismo. Líder do ranking mundial de 2014 ela se firmou como a número 1 da prova nesta temporada e deu a maior prova disso em Zurique, sem cometer sequer uma falha até ter o título da etapa e do circuito nas mãos.

– Estou muito contente com esse título da Diamond League. Isso prova que estou consistente durante o ano todo, que sou a melhor do ano. Estou contente com a minha técnica estou voltando a ter confiança e a saltar alto, com a melhor marca do mundo no ano (4,80m). Fiz boas tentativas para os 4,82m em Zurique. É possível melhorar. Agora eu estou evoluindo novamente. Tive dois anos que não foram tão bons por causa de lesões. Sinto que estou voltando a saltar bem. Tenho dois anos para continuar crescendo até 2016 – disse Fabiana.

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A boa temporada da saltadora tem como base uma boa preparação, que a livrou de lesões no ano. Depois de ficar na quarta posição no Mundial em pista coberta de Sopot, em março, com a mesma marca da cubana campeã Yarisley Silva (4,70m), Fabiana teve poucos dias de folga antes de se despedir do Brasil. Desde o fim de maio, ela está Europa para aprimorar seu treinamento – a base da brasileira fica em Fórmia, na Itália, onde recebe orientação do ucraniano Vitaly Petrov, ex-treinador de lendas como Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva. O marido a acompanhou, já que também é seu técnico, Elson Miranda. O resultado: hoje Fabiana tem as quatro melhores marcas do mundo em 2014.

Dona do único ouro brasileiro em um Mundial, Fabiana também é campeã indoor e única atleta do país a vencer uma temporada da Diamond League. A conquista que lhe falta é tão desejada medalha olímpica. Em Pequim 2008, o desaparecimento das varas da saltadora comprometeu seu desempenho. Em Londres 2012, o vilão foi o vento inconstante. Agora, ela terá a última chance em casa. Apesar do bom ano, a brasileira reafirma o desejo dar adeus às pistas em 2016.

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– Por enquanto eu penso mesmo em me despedir em 2016. Pode ser que eu faça alguma competição depois das Olimpíadas, mas minha ideia continua sendo parar em 2016.

Duas das principais adversárias ficaram para trás na disputa da Diamond League: a campeã mundial indoor Yarisley e a americana campeã olímpica Jennifer Suhr. Outro grande nome da prova, a russa Yelena Isinbayeva deu à luz uma menina há dois meses e não confirmou se voltará às competições, apesar de já ter manifestado o desejo de ir aos Jogos do Rio 2016.

– Não olho para as outras adversárias. Não é porque a Yarisley Silva não estava em Zurique que foi mais fácil. A campeã olímpica estava lá, a Jennifer Suhr. As gregas também estão melhorando bastante este ano (Katerina Stefanidi e Nikoleta Kyriakopoulou). Sabia que teria de passar sem erros para ganhar. Fizemos uma boa estratégia de passar uma altura para chegar mais descansada nas outras. Deu tudo certo – disse Fabiana.

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Com a conquista da Diamond League, a brasileira embolsará US$ 40 mil (pouco mais de R$ 90 mil), Ela conta que não sabe como gastará a bolada, mas terá tempo para decidir durante os treinos. Fabiana não descansará ainda. Ela disputará a Copa Continental em Marrakech, entre 13 e 14 de setembro.

– Ainda não sei o que vou fazer com o dinheiro. Estava preocupada em ganhar. Vou ter um tempo para pensar sobre isso agora. Por enquanto eu só ganhei o troféu. O prêmio vem depois. Não paro os treinos agora. Tenho que me manter em forma para a Copa Continental. Vai ser uma boa competição lá também. Vai ser bem disputada. A Jennifer Suhr estará lá novamente. Vi que a pista é nova, e minha meta é fazer uma boa marca. Primeiro é ganhar, mas dá para melhorar a marca de 4,80m. Fiquei um período grande em Fórmia, treinado, e agora estou bem preparada. Acredita que posso fazer a melhor marca do ano de novo.

 

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