Várias pessoas acompanharam a sessão que terminou com o arquivamento do processo - Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT
Várias pessoas acompanharam a sessão que terminou com o arquivamento do processo – Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT

Por seis votos a três, o processo que investiga a compra irregular de uma cascalheira em Guiratinga, feita de maneira sem licitação e utilizada em benefício próprio do prefeito Hélio Goulart (DEM), foi arquivado durante sessão extraordinária da Câmara Municipal nesta quinta-feira (28). O clima na Casa de Leis foi tenso até o fim, e muitos vereadores que votaram a favor do arquivamento foram vaiados pela população local.

Com o plenário lotado, a sessão teve início às 14h. O vereador e relator da Comissão Processante de Inquérito (CPI), José Serafim (PR), leu seu relatório final com parecer favorável para o arquivamento do processo, não atribuindo a perda do mandato do prefeito.

“Por mais justa que seja a denúncia, vejo a possibilidade de usar o cascalho em demais necessidades do município, além de rua e avenidas do município. E no que diz respeito ao uso de cascalho no interior da fazenda do prefeito não ficou evidenciado tal prática”, relatou.

Após o depoimento do vereador Serafim foi a vez do presidente da CPI, vereador Marcílio Porto (SDD), narrar seu relatório final.

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“Constatamos que não houve se quer o licenciamento ambiental, nem mesmo o licenciamento para o uso solo, assim carecendo a ilegalidade, fora isso, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), havia apontado que a compra não poderia ter sido feita sem licitação. É isso que nos leva relatar a favor da cassação do prefeito”, destaca Marcílio.

TROCA DE CADEIRA

Por ser irmão do vice prefeito, o vereador Francelino Pedro Filho, popular Francinha, pediu licença apenas desta sessão e acompanhou os trabalhos do lado de fora do plenário. Quem assumiu seu lugar foi a suplente Maria das Graças Bicalho, mais conhecida como Nininha. Mesmo tendo lido a carta de exoneração e o ofício do prefeito, a presidência não apresentou a cópia do Diário Oficial comprovando a exoneração de Nininha, ainda assim, ela participou e votou.

Vereador Francinha - Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT
Vereador Francinha – Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT

PLENÁRIO LIVRE

Depois da leitura dos relatórios acima descritos, cada vereador teve a oportunidade de explanar suas opiniões sobre os pareceres.

O 1º a contribuir com a sessão foi o vereador Marcelo Neves (SDD). Ele considerou que a CPI mudou o foco, já que as discussões tinha tido início devido a denúncia feita pelos moradores da região da Tapera, que reclamaram do não uso do cascalho para beneficia-los e não por causa do modo que o cascalho foi adquirido. “Estou sendo imparcial”, comentou.

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Adjaine Guimarães (PMDB), acrescentou que respeita a opinião dos colegas, mas ressalta que a ilegalidade foi comprovada. “No decorrer da CPI é normal nos depararmos com várias irregularidades” disse.

Já Serafim acredita que a denúncia dos moradores da região da Tapera foi articulada por outros vereadores da oposição. “Quando tivermos que denunciar, vamos tomar coragem e denunciar, não vamos colocar pessoas por trás disso”, disparou Serafim.

Em sua fala, Marcílio Porto respondeu a crítica feita pelo colega.

“Não sei porque vim a esta Casa hoje, nada começa do zero e termina no zero. Ninguém aqui é inocente. Diante disto só me resta oferecer a denúncia ao Ministério Público Estadual”, respondeu sob aplausos dos presentes no local.

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Luiz Mário (PMDB) fez seus pronunciamentos com base no texto do TCE. “Gente ninguém está inventando nada, é o TCE que descobriu a irregularidade. Se o TCE está errado quem está certo então? O prefeito que usou material a benefício próprio? A população está certa em denunciar”, complementou.

E por fim, o presidente Adão do Gás (PT) fez suas explanações referentes a CPI. Em um trecho ele chegou questionar como a reportagem do Site AGORA MT, ficou sabendo de um encontro entre ele, Serafim, e o prefeito Hélio Goulart, no intuito de tentar coagir o trabalho da reportagem feito na região.

Adão ainda se negou a ler em plenário a matéria completa veiculada neste mês , (Veja Aqui).

DEFESA DE HÉLIO

Foi dado um tempo para que o advogado Marcio Garcia narrasse seu relatório em defesa do prefeito. Em um trecho, Marcio cita a CPI como sendo articulação política da oposição.

Advogado Marcio Garcia - Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT
Advogado Marcio Garcia – Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT

VOTOS
Veja nas fotos abaixo quais foram os vereadores que votaram contra e a favor da cassação do prefeito.

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