Aldemir Gomes Jr. tinha apenas 20 anos e disputava sua segunda competição de nível internacional quando foi escalado para correr na mesma bateria que Usain Bolt em Londres. Nas eliminatórias olímpicas dos 200m, o jovem brasileiro ficou atrás apenas do recordista mundial. Nas semifinais, foi eliminado ao terminar na quinta colocação, mas recebeu do jamaicano um tapinha nas costas e palavras de incentivo que o estimulariam a cada treino dali em diante. Neste domingo, os dois podem novamente se enfrentar, desta vez em uma disputa de 100m. Inscrito na eliminatória de brasileiros do desafio Bolt Contra o Tempo, Aldemir quer entrar na pista confiante de que pode voltar a impressionar e surpreender o ídolo.

– Ele já é uma lenda, um mito que fez o que ninguém antes conseguiu. Vejo tanta gente que gostaria de conhecê-lo, e eu já tive algumas oportunidades. Admiro demais ele, mas na pista é cada um por si e Deus por todos. Tenho que torcer por mim. Se eu passar nas eliminatórias, não adianta pensar que vou correr contra outros dois e que o Bolt já ganhou. Como atleta ele fez algo excepcional, mas não posso tratá-lo como invencível sendo meu adversário. Tenho que acreditar no meu potencial sempre e procurar correr atrás, fazer o meu melhor.

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O primeiro contato de Aldemir com Bolt foi nas eliminatórias dos 200m em Londres. Naquela tomada de tempo, o jamaicano correu solto e passou em primeiro com 20s39, com o brasileiro em segundo com 20s53. Nas semifinais, os dois voltaram a participar da mesma bateria. Desta vez, o recordista mundial foi ainda mais veloz (20s01), enquanto o carioca, mais lento do que em sua primeira apresentação (20s63), foi apenas o quinto colocado.

Mesmo eliminado da competição, ele deixou alguns colegas com inveja. O homem mais rápido do mundo o cumprimentou e disse que ele estava no caminho certo. Aquelas palavras mexeram com Aldemir. No ano passado, quando Bolt veio ao Rio de Janeiro para a primeira edição do desafio que leva seu nome, os dois voltaram a se encontrar. A conversa novamente foi breve, mas o jamaicano mostrou interesse na evolução do carioca.

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– Ele perguntou se eu estava treinando forte, me preparando para o Mundial. Não dá para ter uma conversa muito extensa porque ele está sempre na correria dos compromissos e também falo o básico só. Se falasse um pouco mais de inglês talvez desse, mas aí falamos mais se está tudo bem, como estão os treinos, essas coisas. Ele também me convidou para uma festa que teve, fiquei muito feliz.
Para poder correr com Bolt desta vez, Aldemir terá que vencer os compatriotas Jefferson Lucindo, Jorge Vides e José Carlos Moreira em uma eliminatória disputada na manhã de sábado. Ao contrário dos colegas, especialistas nos 100m, o jovem atleta tem os 200m como prova mais forte. Para compensar esta desvantagem, ele aposta em uma boa largada na pista montada na Praia do Leme.

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– Se a pista fosse de 150m como no ano passado eu teria mais facilidade. Sendo só 100m, tenho que encaixar bem o tiro e não posso dar mole. Tenho que ir para dentro. Não dá para apostar muito porque é em um ambiente em que não corremos normalmente, mas estou fazendo uma boa preparação e pensando em dar o meu melhor sempre. Tenho que estar confiante.

De acordo com a organização do evento, a eliminatória masculina brasileira será às 11h (de Brasília) de sábado. No domingo, a final masculina será a última. Após a disputa de atletas paralímpicos e da prova feminina, Bolt, o vencedor da bateria brasileira, o britânico Mark Lewis-Francis e o americano Wallace Spearmon disputam o título do desafio entre os homens.

 

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