O aumento do consumo de carne em países em desenvolvimento, principalmente no continente asiático, aliado também à reabertura da Rússia na compra da carne brasileira devem marcar uma mudança estrutural neste mercado em todo o mundo, segundo especialistas.

Enquanto nossos principais concorrentes na pecuária passam por dificuldades, o Brasil se consolida como o maior exportador mundial de carne. Somente em 2013, por exemplo, a receita chegou a US$ 6,6 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). A expectativa para este ano é alcançar US$ 8 bilhões. Neste cenário, Mato Grosso, Estado que detém o maior rebanho bovino do Brasil (28 milhões de cabeças), além de se destacar na produção de carnes de aves e suínos, deverá ocupar posição estratégica.

A China, principal destino da soja mato-grossense, responsável por 67% das exportações da safra 2013/2014 (dados referentes ao período entre janeiro e junho de 2014), passa a ser vista como um grande mercado também para a pecuária. O fim do embargo à carne brasileira, anunciado no mês de julho, deve causar um incremento de 30% nas exportações do produto mato-grossense ao país, segundo estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

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“Levando-se em consideração o aumento da população chinesa, a melhora na renda das famílias e o crescimento do consumo de carne bovina no país, a China deve consumir muita carne nos próximos anos e estamos preparados para acompanhar o aumento desta demanda. Temos em mãos a oportunidade de expandir nossa participação neste mercado tão promissor”, avalia o diretor de Relações Institucionais da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rogério Romanini.

Estudos apontam que somente na China, 700 milhões de pessoas melhorarão de classe social nos próximos anos. “Isso significa que milhões de pessoas sairão de um padrão de consumo de vegetais para uma dieta baseada em proteína animal, ou seja, um aumento substancial da demanda do tripé: leite, ovos e carne. E neste contexto, em especial do setor carnes, temos uma grande oportunidade”, acrescenta Romanini.

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Outro fator que deve influenciar este cenário é a crise no setor que afeta os principais concorrentes do Brasil no mercado de carnes. “A Argentina passa por dificuldades econômicas. A Austrália, tradicional mercado fornecedor da Ásia, não consegue há alguns anos aumentar sua produção devido à seca. Nos Estados Unidos o rebanho é o menor desde 1951 e o custo de produção aumentou muito, já que mais de 90% do rebanho para engorda é criado em regime de confinamento e a alimentação está mais cara”, explica Romanini.

Mercado russo – Recentemente, a Rússia anunciou que irá voltar a importar carne de 91 frigoríficos brasileiros, incluindo sete plantas de Mato Grosso. O Estado sofre com embargos do país há cerca de três anos e desde novembro do ano passado a Rússia vem liberando gradativamente. “Se analisarmos que já chegamos a embarcar 22 mil tonelada de equivalente carcaça (TEC) para o país antes do embargo e que hoje estamos exportando 6 mil TEC, podemos dizer que com esta reabertura do mercado russo poderemos voltar, em breve, a tê-los como nosso principal destino”, avalia Romanini.

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