Após identificar a presença de álcool etílico em amostras de leite cru refrigerado usado por uma empresa gaúcha na produção de leite longa vida (UHT) e de requeijão, fiscais da superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Rio Grande do Sul recomendaram que os lotes irregulares dos produtos sejam recolhidos das prateleiras dos supermercados, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor. Segundo o ministério, a presença de álcool etílico no leite cru refrigerado pode mascarar a adição irregular de água no produto.

Embora o problema tenha sido constatado na primeira quinzena de julho, a recomendação de recall feita pelo Ministério da Agricultura ainda não foi julgada pelo Ministério da Justiça, a quem compete julgar o processo e determinar que a Cooperativa Agropecuária Petrópolis, fabricante dos produtos Piá, recolha a mercadoria. Além disso, o fato só se tornou público nesta segunda-feira (4), quando o Ministério da Agricultura divulgou uma nota em seu site.

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“A divulgação disso após tantos dias nos causou muita surpresa, pois já adotamos todos os procedimentos recomendados, tendo inclusive recolhido quase todo o lote dos produtos”, declarou à Agência Brasil o gerente de Marketing da cooperativa, Tiago Haugg. Segundo o executivo, análises feitas por laboratórios credenciados no Ministério da Agricultura em amostras dos produtos que estariam irregulares não apontaram quaisquer problemas, mas, mesmo assim, a cooperativa optou por recolher os lotes de leite e requeijão sob suspeita.

“Tratamos do assunto tão logo fomos notificados, no dia 18 de julho. Como sempre, atuamos em conjunto com o ministério. Daí termos estranhado a divulgação tardia desse fato, que, a meu ver, não serviu para alertar os consumidores – já que a maior parte dos produtos já foi recolhida – e não contribuiu em nada”, acrescentou Haugg.

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Segundo o Ministério da Agricultura, com a aprovação do recall pelo Ministério da Justiça, a cooperativa teria que recolher, cautelarmente, os lotes de leite integral Piá fabricados em 26/06/2014 e com data de validade até 26/10/2014 (lotes L02/2 e L2-3) e do lote de requeijão light (200g) fabricado em 30/06/2014 e com data de validade até 30/09/2014 (lote L2).

O Ministério da Agricultura chegou a fechar o posto de refrigeração da cooperativa que fica em Vila Flores (RS) entre os dias 15 e 21 de julho. Segundo o ministério, o local só foi liberado após a empresa implementar ações corretivas que restabeleceram as condições de controle.

Além das medidas administrativas já adotadas, na última sexta-feira (1º) o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa-RS) encaminhou ao Ministério Público (MP) Estadual documentos que confirmam a necessidade de investigar as irregularidades com o apoio de outros órgãos. Procurado, o MP informou, por meio de sua assessoria, que a Promotoria do Consumidor vai solicitar à cooperativa e ao Ministério da Agricultura mais informações sobre o caso a fim de verificar se houve ou não fraude.

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