Uma carreira vitoriosa: 30 lutas, três disputas de cinturão no UFC, duelos contra alguns dos maiores da história, e o reconhecimento de ter sido um nome notável no MMA brasileiro. Esse é Pedro Rizzo. Mas ele sente que ainda falta alguma coisa. Falta colocar um ponto final nessa história como lutador. Aos 40 anos, “The Rock” pretende fazer um combate de despedida.

– É muito difícil você deixar de ser atleta. É uma emoção muito grande você subir no ringue, a emoção da vitória, a tristeza da derrota. É uma coisa que vicia. Eu fico pensando que queria ter 10 anos a menos para começar tudo de novo. Lutei sem luvas e nunca subi no ringue pensando em dinheiro. Sempre subi por gostar de lutar. Naquela época, nem dinheiro tinha. Você vencia um torneio de três lutas e ganhava R$ 2 mil. Mas essa adrenalina é muito legal, dá muita saudade. É uma coisa da qual a gente sente falta. Estou com 40 anos e gostaria de viver isso mais uma vez. Quero fazer uma última luta – disse, em entrevista ao Combate.com.

Pedro foi parando de lutar aos poucos. Esteve em ação duas vezes nos últimos quatro anos, contra Fedor Emelianenko e Satoshi Ishii. Esta última foi em maio do ano passado, no Japão, onde perdeu por decisão unânime dos jurados. Ele sabe que não está mais no auge da condição física e, por isso, acredita que precisará de cinco meses para voltar:

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– Sei que o nível hoje está muito alto, então para eu treinar tenho que parar minha vida por pelo menos cinco meses. Tenho que preparar meu corpo por dois meses, para aguentar os três meses de treinos. Tenho que me preparar para a preparação. Quero subir no ringue bem, fazer uma boa luta para que todo mundo possa gostar. Ganhar ou perder para mim é indiferente, o que eu quero é mostrar um bom serviço, entrar firme, lutar forte e sair na porrada uma última vez. É bom demais isso. É só para matar essa vontade que fica dentro do nosso coração.

O peso-pesado está treinando cinco atletas no momento: José Aldo, Ronaldo Jacaré, Thales Leites, Léo Santos e Anderson Braddock, todos com luta marcada. Ele também deseja abrir uma academia comercial no Rio de Janeiro ainda este ano e está à procura de um local e de investidores. Só depois desses compromissos é que Pedro Rizzo poderá focar em si próprio.

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– Estou ajeitando minha vida, treinando um monte de gente. Estou mais focado em montar minha academia, meu centro de treinamento. Não tem data, não tem evento, nada. A luta de despedida é uma coisa que eu quero. Assim que eu ajeitar minha vida, vou correr atrás disso. Primeiro tenho que parar de treinar os outros, aí eu poderia entrar num camp de treinos. Vai ser uma despedida mesmo.

Pedro não tem preferência de evento, mas quer que sua despedida seja no Brasil. Se possível este ano, no máximo no ano que vem. O difícil vai ser se convencer da aposentadoria.

– Se eu pudesse eu lutava mais vezes, mas o tempo passa para todo mundo. Tenho 40 anos, 30 lutas. Se eu for juntar minha carreira de kickboxing, tenho 66 lutas. Muita lesão, muito machucado, muito treinamento. O tempo passa para todos e está passando para mim. Quero viver isso mais uma vez. Faço sparring com a rapaziada, e isso vai me dando vontade de subir no ringue de novo. Me conheço e sei que, quando acabar a luta, vou querer fazer mais uma, mas tenho que botar a cabeça no lugar e falar: “Meu irmão, chega. Você fez o que tinha que fazer. Agora é a hora de ajudar os outros também” – declarou.

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E nada de “frango”, como os fãs de MMA chamam os lutadores de qualidade duvidosa. Pedro Rizzo quer enfrentar um grande nome em sua última luta:

– Se me dessem o Cain Velásquez, eu iria querer (risos). Quanto mais dura a luta, mais motivante. Mas ele é impossível. Quero lutar contra o melhor. Quanto melhor, mais motivante. Quero que seja um bom lutador. Não quero luta fácil, contra um cara desqualificado. Quero um cara bom para encerrar minha carreira.
Pedro Rizzo luta MMA desde 1996 e tem um cartel de 19 vitórias, sendo 12 nocautes ou nocautes técnicos, e 11 derrotas. O brasileiro já venceu nomes como Mark Coleman, Dan Severn, Josh Barnett e Andrei Arlovski. Ele esteve perto de ser campeão do UFC em três oportunidades, mas acabou derrotado por Kevin Randleman e Randy Couture (duas vezes).

 

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