Um acordo judicial, firmado nos autos de uma ação civil pública proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa da Infância de Juventude de Cuiabá, garante a realização do exame denominado “Doppler Transcraniano” em crianças e adolescentes portadoras de doença falciforme. Os serviços serão realizados no Hospital Universitário Júlio Muller. Esta semana, o presidente da Associação dos Falcêmicos e Talassêmicos de Mato Grosso, Rosalino de Oliveira, irá ao hospital para verificar quais serão os horários e os dias da semana em que os atendimentos serão prestados.

De acordo com o promotor de Justiça, José Antonio Borges Pereira, no acordo judicial foi estabelecido que o Estado de Mato Grosso disponibilizará um pediatra para o Pronto Socorro Municipal de Cuiabá e, em contrapartida, o município verificará a possibilidade de ceder um profissional ao HUJM para realização dos exames de ultrassonografia.

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“Quando a ação foi proposta, no ano de 2010, 169 crianças e adolescentes aguardavam a realização do exame. Hoje, o número de pacientes deve girar em torno de 350. O presidente da Associação fará a lista atualizada e a demanda será encaminhada ao HUJM”, destacou o promotor de Justiça.

Conforme laudos de médicos especialistas em hematologia, incluídos na ação, o exame “doppler transcraniano” tem sido extremamente útil no acompanhamento de pacientes falciformes e tem como aplicação médica avaliar os riscos para acidentes vasculares cerebrais isquêmicos (AVC ou derrame). Através desse exame, é possível avaliar os vasos cerebrais e a velocidade do fluxo de sangue.

A doença falciforme, segundo os especialistas, pode causar diversas complicações para seus portadores, incluindo sequelas neurológicas graves decorrentes do AVC. “A anemia falciforme, atualmente abordada como doença falciforme, é uma doença de origem hereditária; inicialmente associada a afrodescendentes e apresenta quadro de anemia hemolítica e sintomatologia de diversos órgãos, razão pela qual foi mudado sua nomenclatura. É uma doença que afeta principalmente uma parte da sociedade não privilegiada socialmente, motivo pelo qual ficou durante anos em segundo plano nas políticas de saúde de vários governos”, diz um dos laudos.

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