Sentado na cadeira do ônibus, enquanto aguardava a chegada dos jogadores, Bernardinho ainda lembrava das oportunidades perdidas durante a final do Mundial contra a Polônia. Apesar do começo animador, o Brasil passou a errar mais do que podia diante de um adversário que sabe muito bem como matar um jogo. A volta para casa não vai ser com o troféu que sonhava. O que o técnico leva de Katowice é uma interrogação: o que fazer para que a seleção volte ao alto do pódio?

– Tivemos a oportunidade e não soubemos aproveitar e isso começou a gerar ansiedade. A diferença é pequena, existem dez equipes com essa diferença pequena. A questão é qual a diferença pequena? Sacar melhor, o que fazer com o Brasil? Temos que pensar. Temos que trabalhar para a última bola ser decidida a nosso favor e não do adversário. Nós temos que nos questionar. De que forma fazer e que maneira conseguir o algo mais? A vida dá lições e foi uma lição neste domingo. Um time acuado no primeiro set, que não teve ansiedade. Tiveram uma técnica apurada para colocar tudo em prática. Erramos uma bola, eles não fizeram e jogaram bola. Com 20/17 no quarto set, voltamos a incomodá-los, mas não conseguimos fechar. É uma partida que deixa um gosto amargo. Foi um bom campeonato, uma pena sair dessa maneira. Poderíamos fazer um pouco mais – lamentou.

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Bernardinho diz que o momento é de reconhecer o mérito dos poloneses e pensar seriamente no que fazer. Não somente a comissão técnica, mas também os jogadores. Com lucidez e tranquilidade, porque não há culpados individuais. Será preciso evoluir em 2015 para chegar bem aos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

– Será uma etapa de construção e evolução. Se fizer um somatório de 2014, infelizmente não chegamos lá, mas fomos eficientes. Fomos segundo na Liga Mundial e segundo no Mundial. Longe do que a gente queria, nada de estamos muito bem. Mas continuamos no bolo e competitivos. Fica o aprendizado e que as pessoas se incomodem e queiram o algo a mais.

Se neste caminho chamará de volta velhos conhecidos, ele ainda não sabe. Perguntado sobre a possibilidade de convocar novamente Dante, o treinador disse que não tem portas fechadas para ninguém na seleção.

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– É difícil dizer. Tem que ver como ele vai estar. Se estiver bem, com certeza. Ninguém está fora dos planos. Na minha opinião, nós perdemos uma Olimpíada no vigor físico. Perdemos da Rússia por falta de vigor físico, principalmente. Se ele estiver muito bem, com muita disposição, pode estar nos planos. Ele e quem mais surgir. Não achei que estava bem para essa competição. Vamos dar uma avaliada com calma. Não dá pra dizer vou chamar esse ou aquele.

O que ele pode responder, no momento, é sobre quem não poderá faltar. Bernardinho acredita que Murilo poderá estar melhor do ombro direito, que foi operado no ano passado. Aos 33 anos, o experiente ponteiro chegou ao Mundial com um papel diferente do que teve até as Olimpíadas de Londres 2012. Deixou de ser o grande pontuador, para dar segurança à linha de passe da seleção. Com um estiramento na coxa direita, esqueceu as dores e foi decisivo para que a equipe chegasse à decisão. Terminou o campeonato como segundo melhor ponteiro do time ideal.

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– Se conseguir ter Murilo ainda melhor, ele vai nos dar o algo mais. É um jogador muito importante neste ciclo de dois anos. Lucarelli fez um belo Mundial, mas pode fazer mais porque tem um potencial espetacular. Wallace tem apenas um ano a mais de seleção do que ele. Muitos ainda podem dar algo a mais. Bruno amadureceu, fez um excelente campeonato, assim como Lucão. Quem fez um mau campeonato? Dói, é difícil, mas a equipe como um todo teve uma postura louvável.

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