Dentre os jornalistas existe uma máxima: converse com Flavio Briatore e você terá notícia. O polêmico italiano fala o que pensa e não se importa com as consequências de suas declarações.

Nesta quinta-feira o chefe de equipe campeão do mundo com a Benetton e Michael Schumacher, em 1994 e 1995, e Fernando Alonso e a Renault, em 2005 e 2006, soltou o verbo no paddock de Monza, enquanto Nico Rosberg e Lewis Hamilton, a dupla da Mercedes, líder e vice-líder do Mundial, mostrava sua força no segundo treino livre do GP da Itália.

“Não tenho como gostar dessa F1”, afirma, sem hesitar. “A referência para você entender a qualidade de um produto é a sua aceitação no mercado. No caso da F1, o interesse do público”, disse Briatore. “E tanto os índices de audiência de TV quanto o número de espectadores nos autódromos vêm caindo. E rápido. Isso responde sua pergunta?”, perguntou aos repórteres, dentre eles o do UOL Esporte.

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A aceitação do atual modelo da F1 pelos fãs de automobilismo é menor do que antes. “Ok, a F1 oferece um espetáculo tecnológico com esses carros. Mas será que é isso que o público gosta, é isso que leva gente para as corridas?” O italiano insiste: “Se o produto fosse bom não apresentaria a preocupante redução de interessados que vemos hoje”.

Para o dirigente que foi expulso da F1, em 2009, por fazer parte da fabricação de resultado no GP de Cingapura de 2008, a F1 ignorou aspectos fundamentais de sua história e que são, em essência, a razão de ter chegado tão longe. “Esse barulho não é de carro de corrida, em especial de F1. Quem manda hoje, quem define os resultados não são mais os pilotos, mas os engenheiros.”

Bernie Ecclestone, promotor da F1, tem boa relação com Briatore. Tanto que o convidou a participar do grupo liderado por Luca do Montezemolo, presidente da Ferrari, para estudar que medidas, técnicas e esportivas, podem ser adotadas na F1 para torná-la mais atrativa para o público. “O que está errado é a distância que existe entre o que os fãs gostam e o que existe hoje.”

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Garantiu não ter se reunido com Montezemolo para falar dessas questões relativas às mudanças da F1. E foi contundente, para não se afirmar presunçoso, embora depois tenha tentado atenuar as palavras ao dizer que brincava: “A F1 não me merece”.

Houve resistência de alguns chefes de equipe quanto à aceitação de Briatore no grupo de estudos de Montezemolo. O diretor da Mercedes, Toto Wolff, afirmou: “Temos pessoas capazes, não precisamos dele”.

O momento da equipe Mercedes também foi abordado por Briatore. Não deixa de criticar a gestão do time. “Considero um erro deixar os dois pilotos lutarem e, como aconteceu na Bélgica, se chocarem. Quando eu comandava uma escuderia estabelecia um piloto para lutar pelo título e o outro para ajudar a conquistar o campeonato de construtores.”

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Briatore não se preocupa com a imagem antipática de sua posição enquanto líder de equipe. “Eu sempre defini piloto número 1 e número 2. E sempre disse a eles que antes de sentarem no carro mil profissionais, altamente especializados, trabalharam duro. E muito dinheiro foi investido.”

O italiano prossegue com o seu discurso a favor das ordens de equipe. “Eu dizia a meus pilotos, o carro não é seu, mas do time. Nós o emprestamos por duas horas e você faz o que nós mandamos.”

Aos 64 anos, milionário, Briatore vive em Mônaco. “A F1 para mim é boa assim. Venho aqui, passeio por um dia e depois volto para casa.”

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