O caminho da Spodek Arena até o hospital parecia longo demais. Naquela noite de quarta-feira, a cabeça teimava em pensar o pior. A dor era tão grande, que Bruninho não conseguia sequer dar um aperto de mão. Pensava que o Mundial da Polônia tivesse terminado ali, no segundo jogo, depois de ter batido o dedo indicador no pé de Maurício, na tentativa de salvar uma bola após um ataque da Tunísia. Só respirou aliviado ao saber que o resultado do exame não havia apontado nenhuma fratura. A corrida contra o tempo começava ali. Muito gelo, tratamento intensivo de fisioterapia, remédios, e uma ajuda providencial oferecida pelo técnico sul-coreano: acupuntura. No domingo, a volta à quadra foi abreviada. Não apenas porque as dores diminuíram, mas por necessidade. O Brasil precisava de uma postura mais agressiva para sair de uma situação delicada contra o jovem time de Cuba. O capitão, Lipe e Vissotto foram escalados. Deu certo.

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Com sorriso no rosto e um saco de gelo no local machucado após a vitória por 3 sets a 1, o levantador deixava para trás a angústia de só poder ajudar a equipe com palavras. Foi assim contra a Finlândia e contra a Coreia do Sul.

– Deu um pouco de medo ali no começo, porque eu estava com muita bandagem e com pouca sensibilidade. E o toque não flui. Tive que começar a tirar um pouco daquele esparadrapo. A velocidade não fica a mesma, mas era mais para fazer o arroz com feijão. Eu pensei mais em dar um choque na galera do que ser tecnicamente perfeito. Faltava uma agressividade, estávamos nos encolhendo. Aí paramos de errar. Deu mais ânimo. O Brasil é isso, são 14 jogadores que podem entrar e fazer a diferença. Só chegaremos lá na frente sendo um time. Não foi sacrifício, não. E, se precisar, tem que trincar os dentes mesmo e ir para cima – disse.

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Poder estar ali, regendo o grupo novamente, foi um presente. E Bruninho não esquece de agradecer a quem, além da equipe médica da seleção, também deu uma parcela de contribuição para que isso acontecesse.

– Fiquei bastante surpreso e admirado pela generosidade dos sul-coreanos. Antes do jogo, o técnico deles falou com o Fiapo (o fisioterapeuta Guilherme Tenius), que sabia da minha lesão e que, se eu quisesse, poderia ser atendido no quarto pelo médico deles. Eu nunca tinha feito acupuntura e ele não deixa a agulha. Fura e tira. Acho que as duas sessões aceleraram a recuperação. Só tenho a agradecer. Fizemos a tentativa e deu certo. Um gesto assim mostra o que é o esporte.
A campanha invicta do Brasil, levando para a próxima fase o número máximo de pontos, é comemorada pelo levantador. Mas também deixou uma lição importante.

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– Fomos muito bem contra Alemanha, Tunísia e Finlândia. Contra a Coreia do Sul e Cuba nós oscilamos muito. E isso não vai poder acontecer em nenhum momento. Daqui para frente, vamos precisar de ainda mais concentração. Sabemos das dificuldades que teremos e que não podemos vacilar. Não contra Bulgária, China e a Rússia, atual campeã olímpica. As partidas do Grupo F serão disputadas a partir de quarta-feira, na Spodek Arena, em Katowice.

 

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