Com a bandeja na mão, Alessandro Nogueira da Silva passa despercebido. Ninguém imagina que por trás do garçom uniformizado, que distribui sorrisos e simpatia, existe um rapaz de 41 anos disposto a socar e chutar os adversários nas horas vagas.

Funcionário de uma famosa choperia de Ribeirão Preto, “Flor” começou cedo no esporte. Aos 12 anos, entrou para o mundo do boxe e, de cara, ganhou o famoso apelido dos amigos.

– Eu vendia rosas na rua para ganhar dinheiro e ajudar em casa. Certa vez fui ao treino com um balde cheio de flores e meus amigos viram. Começaram a me chamar de “Flor”. Eu não gostei, apelei, mas não adiantou. Pegou e carrego comigo até hoje – comentou o lutador, que tem em seu cartel 15 vitórias (em 20 lutas) no boxe e outras oito no MMA (em dez lutas).

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No dia 4 de outubro, “Flor” deve subir ao octógono pela última vez em sua carreira. Com uma idade avançada para o esporte, Alessandro pensa em abandonar os ringues e se dedicar apenas ao trabalho de personal trainner e garçom. Seu adversário no Brazilian Fighting Championship, competição que será realizada em Ribeirão Preto, ainda não está definido, mas deve ser o araraquarense Felipe Magrão.

– Vou tentar lutar pela última vez. O MMA é um esporte que exige muita dedicação e estou numa idade um pouco avançada. Preciso me cuidar. Quero fazer essa luta e, quem sabe, me despedir. Só se aparecer algo muito rentável mais pra frente, mas minha ideia é mesmo parar – disse Alessandro, que atendeu à equipe do GloboEsporte.com durante o expediente.

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Durante a sessão de fotos, nas breves pausas do serviço, os troféus chamavam a atenção dos clientes, que chegaram a brincar com a situação.

– Rapaz, estava pensando em sair sem pagar a conta. Acho melhor eu desistir – disse um dos clientes, que observava as poses do garçom-lutador.

As brincadeiras, segundo “Flor”, são normais e até ousadas. Alguns o reconhecem dos combates transmitidos na televisão ou de reportagens que saem na mídia. A fama fez o garçom atender a pedidos como aguentar um soco na barriga e disputar “braço de ferro”, mas também recebe os pedidos de fotos e autógrafos. Para os menos informados, Alessandro Flor carrega vídeos no celular.

– Os clientes gostam de assistir e sempre brincam depois. Muitos dizem que vão pagar os 10%. Tenho que dar risada. Jamais tive que cobrar 10% ou brigar com alguém – explicou “Flor”, que uma vez se dispôs a separar uma briga entre clientes, mas foi impedido pelos próprios colegas de profissão.

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– Quando você treina, aprende técnicas de imobilização. Os clientes começaram a brigar e fui intervir. Só que me seguraram. Acharam que eu fosse bater em todo mundo, mas sou da paz.

Para ficar em forma e aguentar as pancadas dos adversários e a correria na choperia, Flor treina seis vezes por semana, sendo duas horas pela manhã e mais duas depois do expediente, sem falar na corrida diária de 8 km.

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