O plano de governo apresentado por Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, plagiou trechos inteiros do Plano Nacional de Direitos Humanos lançado e publicado em decreto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em maio de 2002.

A cópia está no capítulo dedicado ao tema. Dos dez itens defendidos pela campanha da pessebista, quatro foram integralmente copiados da proposta tucana.

A reprodução foi revelada nesta terça-feira (2) por Aécio Neves, que disputa o Planalto pelo PSDB, e marcou a mudança de tom do candidato em relação à adversária.

Ele divulgou o plágio em entrevista coletiva, na qual fez as mais duras críticas a Marina desde que ela despontou nas pesquisas eleitorais, deixando-o isolado na terceira colocação, com 15%.

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Procurada, a campanha de Marina emitiu nota em que chama de “maliciosas” as acusações do tucano e diz que seguiu diretrizes do Movimento Nacional de Direitos Humanos, que serviram para elaborar as versões do plano em 1996, 2002 e 2010. “Nosso programa naturalmente incorpora essas conquistas”, diz o texto.

A reportagem comparou os trechos do plano de governo de Marina apresentados como cópia pelo candidato tucano com o decreto de FHC de 2002. Os quatro parágrafos são idênticos -três são reproduções integrais e, em um, há a troca de dois termos.

A proposta de Marina não incorporou trechos idênticos das versões de 1996 e 2010.

Aécio falou sobre o caso ao lado de FHC. Além de chamuscar Marina, o ato foi uma tentativa de encerrar a agenda negativa do tucano desde a sua queda nas pesquisas.

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“Talvez o senhor não saiba, presidente, que o capítulo dos direitos humanos do programa da candidata Marina é uma cópia fiel do PNDH apresentado pelo seu governo, em 2002”, disse Aécio.

Ele intercalou as críticas à ex-senadora a reparos ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Disse que a petista “fracassou” na gestão, enquanto Marina seria “uma metamorfose ambulante”.

O tucano explorou “incoerências” da adversária e fez menção velada ao recuo de Marina na defesa dos direitos de homossexuais. “Não é possível saber se amanhã [ela] terá o mesmo pensamento de ontem ou anteontem.”

Ele ressaltou o elo da ex-senadora com o PT, partido no qual ela militou por anos. “O brasileiro precisa saber em qual Marina vai votar. Na que condena a corrupção hoje, ou na que, ministra, se calou durante o mensalão?”, indagou.

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ESTRATÉGIA

Aécio vai ampliar as críticas a Marina em seu programa eleitoral. Ele quer primeiro reconquistar o eleitor simpático ao PSDB. Convenceu candidatos a deputado de São Paulo a cederem espaço no programa eleitoral.

O tucano gravou nesta terça-feira novos trechos de sua propaganda. Ele vai atacar as inconsistências de Marina e evidenciar as posições que a ex-senadora teve quando militante do PT, numa tentativa de aproximá-la de Dilma.

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