Apesar de o transplante de fígado poder ser feito com uma parte do órgão de um doador vivo, esse tipo de doação não é tido como primeira opção para o paciente. Isto porque, segundo Rafael Pecora, professor da disciplina de transplante de fígado e órgãos abdominais da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, este é um procedimento mais complexo para o paciente e põe em risco uma segunda pessoa.

Em 2013 foram feitos no Brasil 1.714 transplantes de fígado, dos quais 136 foram feitos com doador vivo. Pecora diz que mesmo a falta de órgãos de doadores mortos sendo um problema universal, o transplante com doador vivo deve ser visto com prudência.

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”Você está expondo uma pessoa saudável a um procedimento cirúrgico”, diz o especialista. Depois da cirurgia, os principais riscos para os doadores é apresentar sangramento, embolia pulmonar e complicações relacionadas ao corte cirúrgico. Segundo o professor, a situação mais comum é o pai doar uma parte do órgão para o filho.

Tendo este cenário, o número de centros habilitados para fazer a cirurgia com doador vivo é menor que a feita com órgão de doador morto. Mesmo assim, nos centros onde há as duas possibilidades, Pecara diz que o paciente é informado da alternativa de encontrar um doador vivo para que ele possa calcular os riscos, pois os resultados para quem precisa do órgão geralmente são semelhantes nos dois tipos de recepção.

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Na avaliação de Pecora, as políticas públicas do setor devem continuar estimulando as famílias a doarem os órgãos dos parentes mortos. Segundo o Ministério da Saúde, atualmente, 56% das famílias entrevistadas em situações de morte encefálica aceitam e autorizam a retirada de órgãos para a doação. A pasta lançou hoje campanha para aumentar esse número.

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