A Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Amparo à Criança, ao Adolescente e ao Idoso da Assembleia Legislativa concedeu parecer favorável ao projeto de lei que institui no calendário oficial de Mato Grosso, em 14 de maio o Dia do Povo Paraguaio.

De autoria da deputada Teté Bezerra (PMDB), a proposta é uma homenagem à luta da população paraguaia. A parlamentar destaca a relação entre o país vizinho Paraguai e o estado de Mato Grosso que remonta à ocupação da América Latina pelos colonizadores espanhóis e portugueses. Reconhece os diferentes aspectos da história, da cultura, da música, da dança e da culinária desses dois povos.

Tanto que no projeto de lei, cita que antes da definição dos estados independentes, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul eram considerados como terras paraguaias, diante da existência de vários povoamentos e vilas originadas pela ação de paraguaios, que pretendiam dominar todo o vale do Rio Paraguai.

Antes mesmo da ocupação da América, várias nações indígenas ocupavam esse território, como os Guatós, Paiaguás, Guaicurus, Terenas, Guanás e Guaranis, que ensinaram aos colonizadores o cultivo da mandioca, do milho e do amendoim. Hoje, muitas dessas nações continuam a dividir a língua e os costumes, independentemente da divisão territorial que colocou, de um lado, o Paraguai, e do outro, o Brasil.

Leia também:  Dilma depõe como testemunha de defesa da senadora Gleisi Hoffmann

“Após a formação dos estados independentes, a convivência entre paraguaios e brasileiros continuou pacífica e a resultar na formação de uma cultura que mescla ritmos, como a polca, que deu origem ao Rasqueado, a dança que deu origem ao Siriri e Cururu, a culinária e os costumes, como o consumo do Tereré e a adoção da chipa e da sopa paraguaia como pratos comuns nas mesas dos brasileiros”, destaca Teté.

Ressalta, ainda, o marco na história com a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) que envolveu Brasil, Argentina e o Uruguai contra o Paraguai. Entre os resultados dessa guerra está o surgimento de Várzea Grande, fundada em 15 de maio de 1867 pelo presidente da Província de Mato Grosso, brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães. Antes da fundação, o local havia sido transformado em um acampamento de prisioneiros paraguaios, localizado na margem direita do Rio Cuiabá. Terminada a guerra, os prisioneiros permaneceram no local, ensinando sua técnica no corte e secagem da carne bovina, além da fabricação de arreios e curtume de couro aos moradores da região.

Leia também:  Vereadores buscam articulações para conquistar vagas na Assembleia em 2018

Com o fim da Guerra da Tríplice Aliança, houve uma constante migração de paraguaios para o Brasil, colaborando para o desenvolvimento econômico e social desta porção do País. Muitos paraguaios vieram atraídos pela empresa Mate Laranjeira, que plantava e industrializava a erva mate. Outros, pela atividade pecuária. Por isso, essa porção do espaço foi ganhando uma feição mais paraguaia do que outras regiões do país.

As relações entre o Brasil e Paraguaia sempre foram fortes. Durante muito tempo, Assunção (a capital paraguaia) estava mais acessível do que os centros econômicos localizados no Sul e Sudeste do Brasil. E o rio Paraguai, que nasce em Mato Grosso, mais especificamente no município de Alto Paraguai, foi usado como principal ligação.

A formação cultural de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registra a presença do povo paraguaio, com uma participação ativa que pode ser exemplificada no nome dado a objetos, animais e cidades, como é o caso de Jaciara que, em guarani, significa “tempo de luar”, ou na piraputanga, ou “peixe vermelho”, em guarani.

Leia também:  OAB/MT quer auditar sistema de escutas no Estado

Novo fluxo migratório foi registrado a partir da década de 1960, quando muitos paraguaios “fugiram” da ditadura de Alfredo Stroessner e buscaram refúgio no Brasil.

Hoje, milhares de famílias moram em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e é incalculável o número de descendentes dessas famílias, formando um contingente populacional que mantém profundas ligações com o seu país de origem e que vivem plenamente inseridos na cultura, na economia e na sociedade mato-grossense.

“Por todos esses fatos é que estamos propondo a criação do dia do povo Paraguai, que será comemorado em 14 de maio, data que coincide com a comemoração da independência do país vizinho. A finalidade é homenagear a comunidade de imigrantes paraguaios e seus descendentes em Mato Grosso”, justifica a deputada.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.