O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), solicitou à Justiça Federal do Paraná cópia dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera Paulo Roberto Costa.

Desde 29 de agosto, Costa está depondo à Polícia Federal (PF) em regime de delação premiada, espécie de acordo para tentar obter redução de pena. O ex-diretor foi preso na operação Lava Jato, da PF, acusado de ter recebido propina em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A suspeita é de que o crime envolva R$ 10 bilhões.

Os pedidos da CPMI foram formalizados em dois ofícios, o primeiro direcionado à Justiça paranaense e o segundo ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os documentos foram feitos a partir de requerimentos já aprovados na comissão para os parlamentares terem acesso aos dados da operação Lava Jato.

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De acordo com o relator na comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), com os depoimentos de Costa, a CPMI poderá traçar novos rumos para as apurações. “Com essas informações, poderemos pensar de forma mais clara e objetiva as direções que a investigação tomará nos próximos dias”, declarou.

Reunião de líderes
Os líderes partidários da comissão vão se reunir às 10 horas da quarta-feira (10) para decidir sobre o acesso às informações da delação de Costa. O encontro foi pedido pelo líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), que apresentou hoje requerimento à comissão pedindo acesso ao conteúdo dos depoimentos do ex-diretor à Polícia Federal. A reunião será a portas fechadas, no gabinete de Vital do Rêgo.

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Para Maia, a ocasião será importante para saber a vontade de cada um dos líderes e definir os processos de investigação da CPMI a partir das denúncias feitas pelo ex-diretor da estatal.

Já há requerimentos aprovados para ouvir Costa, mas a vinda dele à comissão deve ocorrer apenas após os depoimentos à PF chegarem ao Congresso. “Se ele está negociando a delação premiada, vamos aguardar o encaminhamento da Justiça neste caso”, disse Vital do Rêgo.

Para Rubens Bueno, a CPMI precisa dar uma resposta rápida sobre as denúncias. “Quando há gravidade de uma situação como esta, o Parlamento tem de dar pronta resposta.”

Denúncia
Segundo a revista Veja desta semana, o ex-diretor da Petrobras teria apontado à PF o envolvimento de pelo menos 31 parlamentares no esquema, além de ministro, ex-ministro, governadores e ex-governador. A reportagem afirma que partidos políticos aliados ao governo, como PT, PMDB e PP, teriam recebido comissão sobre contratos fechados pela Petrobras com empreiteiras.

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Os depoimentos de Costa ainda estão na PF e só depois serão encaminhados para a Justiça e, então, para o STF. De acordo com a revista, o ex-diretor de Abastecimento ainda estaria prestando depoimentos e isso levaria mais três semanas.

Antes de ser preso pela segunda vez, Paulo Roberto Costa falou à CPI da Petrobras no Senado e negou ter superfaturado contratos e desviado recursos.

Cerveró
A CPMI já tem reunião marcada nesta quarta, às 14h30, para ouvir o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Ele ocupava o cargo à época da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

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