A escolha de jogar com Larissa não envolveu apenas uma mudança de parceria para Talita, que precisou abandonar Taiana, com quem conquistou o título da última temporada do Circuito Mundial. Natural de Aquidauana (MS) e radicada no Rio de Janeiro há 12 anos, a atleta deixou a casa e o marido, o técnico Renato França, em busca do sonho do ouro olímpico nas Olimpíadas do Rio, em 2016. A sul-matogrossense aceitou as condições de treinar em Fortaleza com a equipe que sempre acompanhou a hexacampeã mundial, liderada pelo técnico Reis Castro. Desde cedo, a jogadora aprendeu a lidar com mudanças. Hoje, Talita vive em um dos apartamentos que Larissa aluga na Praia do Futuro, a preferida dos banhistas e uma das mais conhecidas do Nordeste, com águas limpas, areia branca e dunas em seus 8 km de extensão.

– Não foi uma decisão fácil, mas me acostumei com mudanças. Nasci em uma cidade pequena no Mato Grosso do Sul e fui bem nova para Campo Grande jogar vôlei, apoiada pelo meu tio. Depois, morei em Maceió, a maior mudança da minha vida. Veio o convite da Jackie para jogar no Rio e novamente criei coragem. Essa foi mais uma, mas o importante é que, assim como as outras, fiz porque acredito que é o melhor caminho. O Renato me apoiou e isso ajudou. Morar em Fortaleza está sendo uma novidade, ainda estou conhecendo tudo e o trabalho tem sido intenso. A Larissa tem me ajudado muito. Fui muito bem recebida por ela e por toda a comissão técnica, e isso ajuda a fazer uma mudança tão grande ser algo muito mais fácil. Estou muito feliz com a minha escolha – disse Talita, atual campeã do Circuito Mundial, ao lado da ex-parceira Taiana.

Leia também:  Colorado vence fora de casa e ganha moral na Copinha

Por conta da rotina intensa de treinos, o casal tem se desdobrado para matar as saudades nos finais de semana, quando não estão viajando, seja para competir no país ou no exterior. Para Renato França, a distância é algo natural no vôlei de praia.

– A distância é uma coisa que faz parte da profissão, apesar de ser difícil. Sou técnico do Pedro (Solberg) e quando ele jogou com o Ricardo, eu fui para João Pessoa, e também fui para Fortaleza na época que ele jogou com o Márcio. Era oportunidade única para a Talita. Ela já disputou duas Olimpíadas e tem a chance de ganhar uma medalha com a volta da Larissa. Estamos tentando nos encontrar nos finais de semana – disse Renato França.
Com duas Olimpíadas na bagagem, Talita renovou as esperanças do ouro olímpico depois de um início promissor. Juntas há menos de dois meses, a sul-matogrossense e a capixaba precisaram de apenas três etapas para subir ao topo do pódio no Circuito Mundial. Após ficarem em nono nos Grands Slams de Haia, na Holanda, e Long Beach, nos Estados Unidos, elas conquistaram o título em Stare Jablonki, na Polônia, e Klagenfurt, na Áustria. A estreia no Circuito Brasileiro também não poderia ter sido melhor, com um ouro na etapa de abertura, em Vitória.

Leia também:  Público reage e evita prejuízo para o União

– Meu objetivo maior é ganhar a medalha olímpica. Na minha primeira experiência em Jogos Olímpicos, em Pequim, cheguei muito perto e isso me deixou ainda com mais vontade de ganhar. Quero muito, e conquistá-la no Brasil seria mais especial ainda. O atleta é movido por esse sonho, é para isso treinamos todos os dias. Me juntei com a Larissa é porque sei que este será o meu último ciclo olímpico e quero muito essa medalha. Sonho com isso praticamente todos os dias, e uso isso como motivação. Estou bem focada e sei que preciso me dedicar a cada dia para conquistar essa medalha que eu desejo tanto – disse a jogadora de 32 anos, que disputou os Jogos de Pequim 2008 e Londres 2012, terminando em quarto e nono lugares, respectivamente.

Leia também:  Copa Federação pode ter jogos às segundas

Em 2017, Talita irá se despedir das areias. Após as Olimpíadas, ela planeja a primeira gravidez e irá voltar a morar no Rio de Janeiro com o marido para se dedicar à família. Se voltar ao esporte, será apenas para competir no Brasil, nada de Circuito Mundial. O ano de 2013 foi um dos mais especiais em sua carreira. Eleita a melhor do vôlei de praia pelo Prêmio Brasil Olímpico, foi premiada pela Federação Internacional de Vôlei em quatro categorias: melhor bloqueadora, melhor atacante, melhor jogadora ofensiva e dupla do ano.

 

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.