Primeiro produtor brasileiro de grãos, algodão e gado de corte, Mato Grosso ainda ocupa, por enquanto, a terceira posição na criação de peixes nativos. Embora engatinhando, quando inserida no mercado global, a piscicultura estadual tem um grande potencial pela frente – e vamos transformá-lo em realidade.

Produzimos as principais matérias primas (soja e milho) para a fabricação da ração necessária para a geração de um dos alimentos mais comercializados em todo o mundo (já responde por quase 17% do consumo global de proteínas) e estamos situados na maior bacia de água doce do planeta, a Amazônica.

O consumo brasileiro de peixe quase dobrou nos últimos anos. Segundo a FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura, passou de 6 kg em 2000 para 10,6 kg por pessoa em 2011, embora a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomende 12 kg.

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A pesca extrativa está estagnada em escala mundial e vem perdendo força cada vez mais no Brasil, apesar de ainda responder por mais da metade do pescado nacional. Já em Mato Grosso, há mais de uma década a piscicultura supera a pesca extrativa – atualmente, para cada 10 kg consumidos, 8,5 kg são produzidos em cativeiro.

Por outro lado, a balança comercial brasileira do pescado registrou um déficit de US$ 1,2 bilhão em 2013 – até julho deste ano, já havia chegado a US$ 736 milhões -, conforme dados do Sistema de Análise de Informações do Comércio Exterior (Aliceweb), divulgados pelo Conselho Nacional da Pesca e Aqüicultura (Conepe).

Ou seja, são positivas as perspectivas para a piscicultura brasileira e mato-grossense. No entanto, quem investir no setor deve ficar atento às suas nuances. Além de dominar o processo de produção, o que é fundamental, é preciso conhecer o mercado e ficar de olho nas oportunidades. Para isso, é preciso correr atrás de informações e capacitação.

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Como empreendedor sem tradição na atividade, pude notar, no entanto, que o acesso às informações não é tão fácil como pode parecer à primeira vista. Elas existem, naturalmente, porém, ou estão dispersas ou são intermitentes. Em minha opinião, faltava centralizá-las em um único canal de comunicação.

Esta foi a razão da criação do site Canal do Piscicultor, a ser lançado durante a Feira Nacional de Peixes Nativos de Água Doce, organizada pelo Sebrae e uma rede de parceiro, no Centro de Eventos do Pantanal, entre 16 e 18 de outubro.

O site Canal do Piscicultor é uma plataforma de conhecimento cuja proposta é atender toda a cadeia produtiva do peixe, com notícias, entrevistas, vídeos, cursos, artigos técnicos, etc. Um espaço, na Internet, aberto a todos que estiverem ligados, direta ou indiretamente, à atividade – piscicultores já estabelecidos, quem estiver ingressando ou interessado em ingressar no ramo, técnicos, fabricantes de equipamentos e de ração, frigoríficos e órgãos ambientais, entre outros.

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Esta é a meta do site Canal do Piscicultor. Com imparcialidade, transparência e não exclusividade a uma única fonte, contribuir para a profissionalização da piscicultura mato-grossense. A exemplo da soja, do milho e do algodão, em breve a produção de peixe será mais uma fonte de riqueza para Mato Grosso. Com certeza!

Alan Barros

Administrador de empresas com pós-graduação em marketing.

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