Ser bicampeão mundial de marcha atlética e recordista sul-americano nos 800m rasos seria motivo de orgulho para qualquer atleta, certo? Imagine então contabilizar todas essas conquistas aos 100 anos de idade. É o que faz Antonio Antunes Fonseca, o Toniquinho, que esbanja vitalidade e vontade de viver pelas ruas de Sorocaba (a 90 km de São Paulo), cidade onde mora.

Único brasileiro bicampeão mundial de marcha atlética, na categoria entre 70 e 75 anos, Toniquinho, que completou um século de vida no último dia 18 de outubro, não só compete na marcha atlética, mas também no arremesso de martelo, dardo, no revezamento 4x100m, 200m, 5.000m, além de ser recordista sul-americano nos 800m rasos na categoria veteranos (acima de 65 anos). No vídeo abaixo, Toniquinho marcha na pista que leva o seu nome em Sorocaba.

– Não existe no mundo um atleta que faça o que eu faço. Sempre gostei de esporte, me destacava e resolvi começar a competir – conta o bicampeão mundial de marcha atlética.

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Mas engana-se quem pensa que Toniquinho começou a competir ainda jovem. Foi apenas aos 66 anos de idade que o aposentado iniciou suas atividades no atletismo.

– Comecei por influência de um tio, que sempre me chamava para correr depois que me aposentei. Gostei tanto que passei a querer participar de provas e fazer outras modalidades – conta.

Toniquinho participou de quatro etapas da São Silvestre, considerada a maior prova de atletismo da América Latina e uma das mais tradicionais do mundo. Correndo na categoria veteranos, ele completou todas.

Em Sorocaba, o atleta, que nasceu na vizinha Araçoiaba da Serra,  empresta seu nome a uma pista de caminhada que é utilizada diariamente por centenas de pessoas. Aos 100 anos, Toniquinho contraria qualquer previsão e deseja participar de outras provas.

– Ele sempre me pergunta se tem mais provas para competir. Ultimamente demos uma segurada nas participações dele, mas talvez ele participe do Mundial da categoria veteranos no próximo ano – revela um dos quatro filhos do atleta, Paulo Fonseca, de 70 anos.

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Em pouco mais de 34 anos de carreira, Toniquinho já participou de mais de 20 competições
internacionais, sempre na categoria veterano. Entre elas, foi campeão na marcha atlética, que pratica até hoje, e na prova de 5.000m, em Miyazaki, no Japão (1993). O mesmo feito foi repetido em Buffalo (1995), nos Estados Unidos, nas provas de 400 e 800 metros rasos, e em Durban (1997), na África do Sul, com a prova de 400m. Em Brisbane, na Austrália, em 2001, foi campeão mundial de dardo.

– O segredo é fazer o bem, não ter inveja de um colega que se destaca no esporte. É um exemplo para a juventude, por isso sempre digo que é necessário plantar para colher o bem – disse o atleta centenário.

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Sobre a possibilidade de se tornar o atleta mais velho do mundo – atualmente essa condição oficial pertencente ao grego Dimitrion Yordanis, que em 1976 completou a Maratona de Atenas aos 98 anos –, o filho de Toniquinho pensa em ajudar o pai a perseguir essa marca.

– Quem sabe não levamos ele para o Mundial no próximo ano para buscar mais essa marca para a carreira tão bela que ele possui – diz Paulo Fonseca. Os mundiais na categoria veterano/master são organizados pela WMA (World Masters Athletic) a cada dois anos e a próxima edição acontece no ano que vem, em Lyon, na França.

Além do grego, o indiano Fauja Singh, corredor que afirma ter 100 anos de idade e ser o atleta mais velho a ter completado uma maratona (Canadá, 16/10/2011, em 8h25m16s), concorre ao posto de atleta mais velho do mundo. O corredor não conseguiu ter seu feito registrado no Guiness Book devido à falta de comprovação, segundo a publicação.

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