Aos 43 anos de idade, Roseane Santos, a Rosinha, inspira tanto otimismo que nem mesmo um câncer na região da garganta a fez desistir do esporte em que conquistou recordes mundiais e duas medalhas de ouro paralímpicas. Campeã do arremesso de peso e do lançamento de disco na categoria F58 dos Jogos Paralímpicos de Sydney 2000, a alagoana de Maceió descobriu há cerca de cinco meses o linfoma, se livrou do tumor com o tratamento e já se vê em condições de competir novamente, embora esteja no meio das sessões de quimioterapia. Ela vai disputar, neste final de semana, a 3ª etapa do Circuito Brasil, em Fortaleza, depois de um ano parada.

O tempo afastada, inclusive dos treinos, teve início antes mesmo de Rosinha, que perdeu a perna esquerda ao ser atropelada por um caminhão dirigido por um motorista embriagado, descobrir o câncer. No ano passado, ela se ausentou por conta de dores na perna direita. Depois, há aproximadamente cinco meses, foi ao médico reclamando de uma inflamação na garganta. Foi quando soube da existência do tumor e necessidade de cirurgia para retirá-lo. Apesar do golpe, ela não se deixou cair em depressão.

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– Eu fiquei assustada, logo no ínicio fiquei desmotivada: “será que não vou voltar ao esporte? Será que não vou voltar a ter saúde?” Meus amigos e treinadores me ajudaram muito nisso e eu foquei então só no meu tratamento. Quando eu fiz a cirurgia, eu fiquei com muito medo, mas eu já passei por várias cirurgias e não tive problemas. Agora estou muito bem, já faz uns quatro meses da cirurgia. Estou me sentindo uma criancinha carequinha, uma criança com a saúde renovada – conta Rosinha.

Com a energia de uma criança, Rosinha mal vê a hora de voltar a competir. Na 3ª etapa do Circuito Brasil, ela entrará na pista para disputar justamente as provas em que foi campeã paralímpica, arremesso de peso e lançamento de disco, mas na categoria F57. Embora não tenha ambição de ocupar o lugar mais alto do pódio em Fortaleza, ela quer voltar à forma antiga para brigar por medalha nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016.

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– Eu não estou nem treinando direito ainda porque não posso treinar. Mas eu já estava cheia de ficar em casa, aí eu resolvi participar da última etapa, mesmo porque eu gostaria de rever meus amigos. Agora, as minhas adversárias estão todas treinando, mas eu confio muito em mim… Eu vou falar assim: em terceiro lugar eu fico. Aí em janeiro já vou estar bem e terei começado meus treinos. Eu vou competir, sim, em 2016 e vou fechar a minha carreira em 2016 – garante.

Rosinha é um dos paraatletas cujas histórias de vida são contadas no livro-reportagem “Para-Heróis”, da jornalista Joanna de Assis, repórter do SporTV. Além dela, também estão no livro outros nove paraatletas, entre eles Alan Fonteles, Clodoaldo Silva e Terezinha Guilhermina. O lançamento será realizado nesta terça-feira, às 19h (de Brasília), na Livraria Cultura do Market Place Shopping Center, em São Paulo.

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– (Rosinha é) uma das pessoas mais felizes que eu já conheci na vida. Sorri por qualquer motivo, sorri porque sabe o bem que faz sorrir. Mostra os dentes brancos que contrastam com sua pele negra brilhante com uma energia de raros. Seus desejos são tão simples que no dia em que foi atropelada por um caminhão, e teve sua perna esquerda esmagada, Rosinha mal chorou – conta, em nota, Joanna de Assis.

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