O confinamento de gado em Mato Grosso reduziu 11% em 2014. Os pecuaristas do Estado destinaram 636,66 mil animais ao regime fechado de alimentação neste ano, ante a 717,8 mil cabeças apuradas em 2013. O 3º Levantamento das Intenções de Confinamento em 2014 é um estudo feito pela Instituição Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) a pedido da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Durante o planejamento do confinamento, entre março e abril, os confinadores avaliaram que o preço futuro da arroba não se mostrava favorável para investir no negócio. Além disso, o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, explica que os números mostram o amadurecimento do pecuarista que tem tratado o sistema como um negócio de risco. Conforme ele, o confinamento precisa de planejamento, com avaliação dos custos e investimentos necessários para a atividade. “O pecuarista está tratando o confinamento como uma ferramenta tecnológica, cujo desempenho depende da renda da atividade”.

De acordo com a pesquisa, a utilização foi menor mesmo com a capacidade estática tendo diminuído. Em 2014 a capacidade estática foi de 846,7 mil cabeças, valor 5,0% menor que 2013, que era de 891,4 mil cabeças. Esta capacidade fica abaixo, inclusive, do ano de 2012 quando o Estado era capaz de suportar 850,5 mil cabeças.

Devido às condições de mercado adversas no início do planejamento do confinamento, quando os custos com alimentação e reposição estavam elevados e as perspectivas de preço do boi gordo não eram das melhores, os confinadores atrasaram o primeiro giro do confinamento e muitos deles acabaram por fazer somente um giro.

Este fato acabou concentrando a maior parte dos abates de animais provenientes de confinamento no mês de outubro, com 27,0% dos animais sendo entregues nesse período. Este movimento foi bem diferente do ano passado, quando a concentração de entregas foi maior nos meses de setembro e outubro (28,3% e 25,8%, respectivamente).

Uma das explicações para este quadro diz respeito à compra da reposição. Os grandes confinadores, de forma geral, dependem da compra de animais para a engorda e, mesmo com a queda nos preços dos ingredientes do concentrado no segundo semestre, os preços elevados da reposição desestimularam esta classe de confinadores.

Regiões

As cinco principais regiões mato-grossenses apresentaram quedas consistentes no montante de animais confinados. Destaque para a região centro-sul que teve seu volume

reduzido em 25,6%, passando de 122,74 mil para 91,28 mil cabeças entre 2013 e 2014, respectivamente. A principal região confinadora do Estado, a médio-norte, teve uma redução de 13% no total de cabeças fechadas no cocho frente a 2013, confinando 153,06 mil cabeças este ano. Este cenário de diminuição do total confinado se repetiu por dois anos seguidos nas principais regiões.

Por outro lado, as regiões menos expressivas no total de animais vêm apresentando aumentos consecutivos nos últimos dois anos, sendo elas norte e noroeste. Em expressividade a região norte surpreendeu, tendo em vista que do ano passado para cá o montante de animais mais que triplicou, passando de 11,3 mil para 34,80 mil cabeças. A região noroeste também apresentou aumento expressivo, passando de 4 mil para 6,4 mil cabeças, um aumento de 60,0%.

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